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A temperatura no final do século, segundo estudo, não deve subir mais que 3,2ºC

Imagem: Pixabay / CC0

Dez especialistas de diferentes países, incluindo o Brasil, alertam, em artigo publicado em 30 de julho na revista internacional Nature, que as 195 nações signatárias do Acordo de Paris, assinado em dezembro do ano passado, têm que ser mais ambiciosas e rever com rapidez suas propostas de redução das emissões de gases de efeito estufa para conter o aumento da temperatura do planeta em menos de 2 graus Celsius (°C).

Segundo o pesquisador brasileiro Roberto Schaeffer, professor do Programa de Planejamento Energético do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo associa cada possível aumento da temperatura global à probabilidade de ocorrer.

A análise levou em conta os compromissos de redução de emissões que os países apresentaram voluntariamente à Organização das Nações Unidas (ONU), conhecidas como INDCs (contribuições nacionalmente determinadas pretendidas, na sigla em inglês), e tentou traduzir tudo em uma unidade comum, para projetar as emissões globais entre 2020 e 2030.

Apesar de não haver dúvida sobre a mudança climática, Schaeffer disse que ainda existe uma série de incertezas físicas sobre a dimensão do fenômeno. “Com 50% de chance de não errar, o que significa que há 50% de chance de errar, digo que [o aumento da] a temperatura do planeta no final do século, se as INDCs forem cumpridas ao pé da letra, não deve exceder os 2,9°C.”

O estudo estima, com 66% de chance de acerto, que a temperatura no final do século não deve subir mais que 3,2°C; e com 90% de chance de acerto, que o acréscimo não exceda os 3,9°C. “Dependendo do grau de certeza ou de incerteza que se quer ter, a gente associa então o que seria a temperatura média do planeta ao final do século”.

Limite

Independente da precisão, segundo Schaeffer, o artigo mostra que em qualquer probabilidade de acertar, os países estão bastante longe do objetivo maior da Convenção de Paris de limitar o aumento da temperatura do planeta ao final do século a menos de 2°C, idealmente tentando chegar a aumento de apenas 1,5°C.

“A gente mostra que o Acordo de Paris é muito legal, que o objetivo é muito nobre, mas aquilo que neste momento os países estão propondo fazer não nos leva nem perto do bem abaixo de 2°C”.

No artigo, os pesquisadores advertem, entretanto, que ainda há tempo para tentar reverter o aumento da temperatura global. “Mas os governos têm que acelerar a ambição e a velocidade com que novas medidas são anunciadas e começam a ser de fato implementadas”.

Segundo Schaeffer, não é possível esperar o prazo previsto de cinco anos para que as metas nacionais sejam revistas pelos países. “Está na hora de acelerar isso aí”. A primeira revisão de reavaliação dos compromissos está prevista para 2020.

Fonte: Agência Brasil

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