O que é fast fashion?

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Fast fashion estimula mão de obra escrava e, no ciclo de vida, emite 400% mais carbono do que peças comuns

Fast fashion

Você gosta de dar uma renovada no guarda-roupa às vezes? Quer mudar o look para se enquadrar nas tendências atuais? Não quer mais usar aquela calça cujo modelo as pessoas não estão mais usando? Se você respondeu sim às perguntas anteriores, saiba que você não está só.

Consumir peças de roupas com a tentativa de estar “in” ou conectado às tendências é um comportamento praticado pela maioria das pessoas que podem pagar por esses itens.

Mas nem sempre foi assim… O comportamento consumista no âmbito da moda foi planejado pelo mercado, mais especificamente, pela indústria do fast fashion. E teve início em 1970, com a chamada crise do petróleo.

Com a proibição do comércio de petróleo para os EUA e alguns países europeus, as empresas têxteis inventaram uma nova estratégia para saírem da crise e conseguirem escoar a produção: o fast fashion. Ou melhor dizendo, a moda rápida.

A prática do fast fashion teve início em 1970 com as grandes marcas da indústria da moda, mas o termo só foi cunhado em 1990. Foi a maneira que a mídia criou para expressar a alteração cada vez mais veloz da moda por grandes empresas.

Como o fast fashion funciona?

Fast fashion
Imagem: Dom Hill no Unsplash

As empresas que trabalham no modelo fast fashion observam o que as pessoas estão consumindo das marcas renomadas e fabricam em larga escala modelos parecidos, porém com qualidade inferior. Desse modo, há uma maior garantia de que as peças serão consumidas.

Essas empresas praticam a chamada moda globalizada, que permite que os mesmos tipos de produtos circulem por toda a rede de lojas ao redor do mundo, sem produzir peças com particularidades locais, o que barateia muito o produto final.

Apesar de serem produzidas peças iguais em larga escala, a distribuição das peças é fragmentada entre os países para dar a sensação de exclusividade aos consumidores. Isso significa que poucos modelos da mesma peça chegam em uma mesma loja.

Esta fragmentação da mercadoria evita que sobrem peças. E, caso sobrem, são feitas liquidações que escoam a produção. Se ainda assim algumas peças não forem vendidas na liquidação, é feito o remanejamento para outro hemisfério, onde a estação de origem da peça esteja para começar. Essas peças remanejadas para o outro hemisfério entram como novidade da coleção de primavera/verão ou outono/inverno, dependendo do clima local. Todo esse ciclo dura no máximo seis meses.

É insustentável?

Peças fast fashion são utilizadas menos de cinco vezes e geram 400% mais emissões de carbono do que peças comuns, que são utilizadas 50 vezes. E a produção de roupas não polui apenas com emissão de carbono.

Para produzir fibras têxteis é preciso desmatar, utilizar fertilizantes, agrotóxicos, extrair petróleo e transportar, entre outras formas de poluição. Para saber mais sobre o impacto da produção de roupas, confira a matéria: "Impactos ambientais das fibras têxteis e alternativas".

Além disso, a produção em larga escala feita pelo modelo fast fashion incentiva o trabalho escravo, em especial nos países da Ásia.

Um relatório realizado pela parceria entre McKinsey & Company e Global Fashion Agenda avaliou os esforços necessários da indústria da moda no combate à poluição ambiental. A conclusão mostrou que as principais contribuições que as marcas podem fazer para o meio ambiente são: melhorar a mistura de matéria-prima; aumentar o uso de transporte sustentável; melhorar as embalagens; descarbonizar as operações de varejo e reduzir a superprodução.

Descarte

Para além dos impactos gerados na produção, também existe o problema do descarte. Com um ciclo de vida tão curto, muitas peças vão parar precocemente em aterros sanitários e lixões.

A fibra têxtil mais empregada na produção fast fashion é o poliéster, um plástico. E o poliéster demora em torno de 200 anos para se decompor. Dependendo da configuração do tipo de fibra têxtil (muitas vezes há mistura de poliéster e algodão), a peça pode não ser reciclável. E o pior, lavar roupa libera microplásticos que vão parar no mar e, depois em nós: "Há microplásticos no sal, nos alimentos, no ar e na água".

Produtos duráveis e slow fashion são alternativas

O fast fashion contribuiu para uma significativa redução no número médio de vezes que um item é usado. Isso se deve à velocidade da moda, mas também à durabilidade dos produtos. Na contramão, pesquisadores da Columbia University e da Georgetown University publicaram um artigo no Journal of Marketing que examina como os consumidores podem adotar um estilo de vida de consumo mais sustentável ao optar por produtos duráveis. Os autores propõem que roupas de maior valor e produtos de alta tecnologia podem ser mais sustentáveis por terem um ciclo de vida mais longo e, assim, defendem que, nas estratégias de comunicação e marketing, as marcas podem ajudar os consumidores a concentrarem seus orçamentos em menos produtos, porém duráveis.

Para mais, em contraposição a algumas práticas inviáveis do fast fashion, surgiu um movimento alternativo: o slow fashion. Para conhecê-lo mais de perto, dê uma olhada na matéria: "O que é slow fashion e por que adotar essa moda?". Confira também: "Dicas para ter uma pegada ambientalmente correta com as suas roupas".

Evite descartar peças de roupa. Tente consertar e continuar usando — uma dica para evitar os remendos comuns e criar peças com estilo é tentar as técnicas japonesas boro e sashiko. Se já estiver cansado das roupas e não for possível doá-las, tente dar a elas uma nova finalidade. Confira as matérias "Transforme camisetas velhas em adereços e objetos úteis para o dia a dia" e "Faça você mesmo: transforme sua camiseta velha em uma bolsa sustentável".

De qualquer maneira, se for inevitável o descarte, encaminhe corretamente para postos de coleta próximos de sua casa. Você ainda pode adotar práticas como aluguel, revenda, reparo, reforma e redução na lavagem e secagem.


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