Baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) | Foto: Kevin McElvaney / Greenpeace
Por Bruna Canal – Greenpeace | Ao longo de milhares de quilômetros, a costa brasileira abriga uma impressionante diversidade de vida marinha, riqueza de nutrientes e habitats variados. Neste dia 19 de fevereiro, Dia Internacional das Baleias, vamos relembrar como nosso mar é rota de passagem e refúgio para diversas espécies de baleias, como a baleia-jubarte, a baleia-franca-austral, a baleia-minke-antártica, a baleia-sei e até, ocasionalmente, a imponente baleia-azul.
Algumas cruzam o litoral em longas migrações rumo ao sul, enquanto outras permanecem por meses em nossas águas, aproveitando o clima ameno e a abundância de vida que caracteriza o Atlântico Sul.
Entre as espécies que cruzam o litoral brasileiro, destacam-se:
Entre essas gigantes que visitam o Brasil, duas espécies se destacam por sua relação especial com o nosso litoral: as baleias-jubarte e as baleias-francas-austrais.
São elas que mais se aproximam da costa e protagonizam, todos os anos, um dos espetáculos mais emocionantes da natureza.
Entre julho e outubro é a temporada do amor nos mares brasileiros! É aqui que muitas jubartes e francas engravidam, dão à luz e amamentam seus filhotes. As águas mornas protegem as crias recém-nascidas até que estejam fortes o bastante para enfrentar a longa viagem de volta à Antártica, levando consigo o canto com sotaque brasileiro e o aconchego de nossas águas tropicais.
Elas são importantes porque:
Essa migração entre ecossistemas mostra como o oceano é um só e como o que acontece em um ponto do planeta pode impactar o restante.
Apesar do aumento populacional das baleias em nossa costa após décadas de caça comercial, as ameaças continuam. A exploração de petróleo e gás ameaça rotas migratórias com ruídos, poluição e risco de vazamentos. E, mais recentemente, a possibilidade de mineração em águas profundas surge como um novo perigo, capaz de alterar ecossistemas pouco conhecidos e impactar cadeias alimentares inteiras.
Essas atividades se expandem justamente nas águas internacionais, que cobrem quase metade do planeta e não pertencem a nenhum país, mas é de toda a humanidade. Por muito tempo, essas áreas ficaram sem regras claras de conservação, até agora.
Em janeiro de 2026, o Tratado Global dos Oceanos, um acordo histórico para proteger a biodiversidade além das jurisdições nacionais, foi ratificado por mais de 60 países, inclusive pelo Brasil, e entrou em vigor. Ele cria mecanismos para estabelecer áreas marinhas protegidas em águas internacionais, promover o uso sustentável dos recursos oceânicos e garantir que a ciência e os benefícios sejam compartilhados de forma justa entre as nações.
O tratado é uma ferramenta essencial para atingir a meta global 30×30, que busca proteger 30% dos oceanos até 2030. Se implementado de forma corajosa, ele pode garantir um futuro mais seguro para as baleias, para os ecossistemas marinhos e para nós, humanos, que dependemos do oceano para respirar, comer e viver.
Há alguns anos, o Brasil, junto a países parceiros do Atlântico Sul, propôs à Comissão Internacional Baleeira a criação do Santuário das Baleias do Atlântico Sul, uma zona livre de caça e dedicada à pesquisa e à conservação. A proposta, infelizmente, ainda não foi aprovada.
Mas a ideia segue viva. O avanço do Tratado Global dos Oceanos reacende essa esperança: a de transformar o Atlântico Sul num santuário global para as baleias, onde elas possam continuar migrando, namorando e inspirando gerações.
Proteger as baleias é proteger um futuro saudável para o oceano, para as baleias e para toda a humanidade.
Este texto foi originalmente publicado pelo Greenpeace, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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