Dados mostram mudanças como aumento do nível do mar, derretimento do gelo marinho e geleiras e mudanças nos padrões de precipitação | Foto: OMM/Gonzalo Bertolotto
Por ONU News | Apesar de parecer distante do Brasil, a Antártica, o continente gelado, tem uma relação muito forte com o regime de chuvas na nação lusófona da América do Sul.
Em entrevista para a ONU News, o pesquisador marinho e professor Ronaldo Christofoletti, explicou que com o derretimento cada vez mais rápido do gelo na Antártica, aumenta o nível do mar. Este fenômeno, por sua vez, além de ameaçar zonas costeiras, cria distúrbios no clima brasileiro.
“Os últimos quatro anos são recordes de degelo da Antártica. E aí isso influencia drasticamente toda a sociedade brasileira. Porque a gente está falando de mais água no oceano e uma desregulação da relação do oceano com a atmosfera, que faz alterar as frentes frias. Frente fria regula o clima no Brasil, regula o agronegócio, regula o ciclo de chuva. Então, seja pela água, seja pelo ar, quando o oceano está mais quente, que é o outro dado que o relatório traz, as ondas de calor no oceano, os momentos dele mais quente estão cada vez mais frequentes e trazem impactos. Basta a gente ver o super El Niño. O El Niño É um fenômeno natural, mas que está vindo agora com muito mais força”.
Christofoletti foi um dos 25 autores da Terceira Avaliação Global dos Oceanos, WOA-3, divulgada nesta semana pelas Nações Unidas para marcar o 8 de junho, Dia Mundial dos Oceanos.
O pesquisador enfatizou que existe uma conexão invisível entre Amazônia, Pantanal, Pampas e Antártica.
“A chuva que cai na Amazônia, ela vem da umidade do oceano, que é trazida pelos ventos ali na região norte. Chove na Amazônia. A Amazônia manda água de volta, evapora pelas árvores quando elas transpiram a água para a atmosfera. Essa água, tem um ciclo na atmosfera que ele é anti-horário. Então ele vem descendo, pelo contrário do relógio. E isso é o que forma os chamados rios aéreos da Amazônia. Eles trazem essa umidade e ela vai fazendo chover no Centro-Oeste, no Sudeste, no Sul do país. Mas o que principalmente, faz aumentar a chuva é quando vem lá da Antártica as frentes frias”.
Christofoletti resumiu dizendo que com mares mais altos e mais quentes, tem mais água na atmosfera. A Amazônia faz seu papel distribuindo essa umidade pelo país, mas quando ela encontra frentes frias, as chuvas podem se tornar tragédias, como ocorreu no Rio Grande do Sul, em 2024, e mais recentemente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
Nesse sentido, o pesquisador enfatizou que a desregulação do clima na Antártica traz consequências preocupantes em solo brasileiro, prejudicando o agronegócio, a qualidade do ar e criando condições para novos desastres.
Ele lembrou que 70% do planeta é água e, dessa água, mais de 97% é oceano, ressaltando que cuidar melhor da saúde dos mares é fundamental para todas as atividades humanas em Terra.
Este texto foi originalmente publicado pela ONU News, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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