Foto de Robert Senz no Pexels
Por Sandra Capomaccio – Jornal da USP | Uma expedição científica chinesa realizou uma exploração inédita em uma cordilheira submarina localizada no Oceano Ártico, uma das regiões mais remotas e menos conhecidas do planeta. A missão teve como foco o mapeamento do fundo do mar e a coleta de dados geológicos e oceanográficos sob o gelo polar.
O biólogo Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano da USP, comenta os avanços dessa pesquisa publicada na revista Nature. Ele ressalta que é uma das regiões mais remotas do planeta e a dificuldade na pesquisa é justamente a sua profundidade de 5.300 metros. Essa região tem placas tectônicas que afetam a vida e o meio ambiente nesse local. Os dados coletados vão contribuir para pesquisas sobre a movimentação das placas tectônicas, a história geológica da Terra e também para estudos ambientais, já que o Ártico é uma das regiões mais sensíveis ao aquecimento global.
A cordilheira explorada faz parte de um grande sistema montanhoso submerso que se estende por milhares de quilômetros no fundo do Ártico. Em alguns trechos, essas formações chegam a se elevar mais de 3 mil metros acima do fundo oceânico, ficando a poucas centenas de metros da superfície do mar.
O professor da USP ressalta a dificuldade de acesso a um lugar tão inóspito. Como não existe luz, com isso não existe a fotossíntese e os organismos são obrigados a se alimentar de reações químicas.
A meta principal da ONU para os oceanos está nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 14), Vida na Água, focado em conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos, com metas para 2030 que incluem reduzir poluição, proteger ecossistemas marinhos e costeiros, combater a acidificação e “conhecer os oceanos em 100% até 2030; só para se ter uma ideia, o conhecimento que se tem dos oceanos é de apenas 26 %”, explica Turra.
O Instituto Oceanográfico da USP procura ampliar e aprofundar as pesquisas para trazer estudos, mas reforçando sempre que o investimento no setor é fundamental para prosseguir com pesquisas em oceanos.
Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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