O MetLife Stadium, em Nova Jersey, sediará a final da Copa do Mundo de 2026. Foto: VisitNewJersey.org.
Por David Akana – Mongabay | Enquanto torcedores se preparam para a Copa do Mundo de futebol, que começa nessa semana, cientistas alertam para as perigosas ondas de calor que devem atingir os países-sede, em particular os Estados Unidos.
Uma nova análise adverte que a probabilidade de altos níveis de calor e umidade é hoje duas vezes maior do que na última Copa realizada nos Estados Unidos, em 1994, sobretudo em razão das mudanças climáticas.
O estudo, conduzido pela iniciativa World Weather Attribution, concluiu que mais de duas dezenas de partidas deverão ser disputadas sob condições de estresse térmico. Algumas delas em estádios sem sistema de refrigeração.
“As partidas deste verão serão disputadas em condições mais quentes, pondo em risco jogadores e torcedores”, disse Simon Stiell, Secretário Executivo da agência da ONU para Mudanças Climáticas, em declaração obtida pela Mongabay.
Usando a Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), índice que combina temperatura, umidade, luz solar e vento, os pesquisadores analisaram as condições previstas para diversas cidades-sede. Segundo eles, valores acima de 26 °C já são considerados de risco, enquanto níveis acima de 28 °C são inseguros para jogar.
Durante o torneio, espera-se que 26 partidas atinjam ou ultrapassem a marca de 26 °C de WBGT, enquanto cinco devem superar o limiar de 28 °C. Em comparação, apenas três jogos registraram esse nível de calor durante a Copa de 1994.
As cidades consideradas mais vulneráveis são Miami, Dallas, Filadélfia e Nova York, onde partidas disputadas à tarde e no início da noite coincidem com os períodos de maior calor e umidade. O Brasil jogará em todas elas na primeira e na segunda fases.
A FIFA afirma que está adotando medidas para proteger atletas e equipes durante o torneio. Elas incluem pausas obrigatórias de três minutos para hidratação no meio de cada tempo, independentemente das condições climáticas. As equipes também poderão realizar até cinco substituições, em vez das tradicionais três, e os calendários deverão prever ao menos três dias de descanso entre as partidas. Comissões técnicas e reservas também terão acesso a bancos climatizados durante os jogos disputados ao ar livre.
A crescente preocupação com o calor surge apenas quatro anos após o Catar transferir a Copa do Mundo de 2022 de seu calendário habitual, no meio do ano, para novembro e dezembro, devido às temperaturas extremas do deserto. Foi a primeira vez que o torneio foi disputado nessa época do ano.
Para Stiell, o mundo precisa agir rapidamente: “Precisamos avançar mais rápido para proteger o jogo que amamos e todos que o assistem. Isso implica redobrar os esforços na transição decisiva para a energia limpa, que pode ser um divisor de águas para pessoas de todo o mundo”.
Este texto foi originalmente publicado pela Mongabay, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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