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Minhoca: importância na natureza e em casa

As minhocas fazem um trabalho de fragmentação da matéria orgânica que permite que todo o ciclo de vida se renove. Facilitando a decomposição pelos micro-organismos, elas contribuem para a geração de húmus, enriquecimento do solo e diminuição do lixo destinado a aterros e lixões. As minhocas são seres higiênicos e você pode cultivá-las em casa (até mesmo em apartamentos) como animais domésticos, por meio da compostagem, ou vermicompostagem.

Entenda a importância desses insetos para o meio ambiente e porque é importante e benéfico tê-los em casa.

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Tipos de minhocas

As minhocas são animais anelídeos da classe Oligoqueta, ordem Haplotaxida. Com exceção de ambientes de climas extremos como desertos e de temperaturas muito baixas, elas estão presentes no mundo inteiro, principalmente em florestas e pastagens naturais. Entretanto, algumas espécies também habitam ambientes aquáticos.

O corpo da minhoca é cilíndrico e tem distintos tamanhos dependendo da espécie. Em média, uma minhoca pode variar de alguns milímetros a alguns metros de comprimento. Há registros de insetos pertencentes à espécie Microchaetus sp. medindo sete metros de comprimento e 75 milímetros de diâmetro.

As populações de minhocas variam de apenas alguns indivíduos por metro quadrado a mais de mil, dependendo das condições do solo como pH, capacidade de retenção de umidade, chuvas e temperatura ambiente. Mas, o mais importante para a manutenção da vida do animal é a disponibilidade de matéria orgânica. Isso porque as interações entre a matéria orgânica e os micro-organismos as fornecem alimento.

Elas se reproduzem por fecundação cruzada. Porém, alguns tipos de minhocas podem se reproduzir por partogênese, ou seja, sem necessidade de acasalamento, o que aumenta o seu potencial para se espalhar para novos locais. Enquanto algumas não resistem a climas abaixo de 0°C, outras não suportam temperaturas acima de 30 e 35ºC.

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Minhocas invasoras

Algumas espécies de minhocas, quando introduzidas em outros ecossistemas, podem apresentar riscos para a diversidade de espécies de insetos locais, sugere estudo. A pesquisa realizada pelo Centro Alemão de Pesquisa Integrativa em Biodiversidade em conjunto com a Universidade de Leipzig alega que comunidades de minhocas importadas da Europa para a América do Norte foram responsáveis pela redução da população de insetos nas florestas norte-americanas. 

Os dados da pesquisa foram coletados na parte canadense da América do Norte, em áreas onde esses animais fazem ou não parte da fauna florestal. Os cientistas conseguiram observar que em locais com a invasão de minhocas, o número total de insetos era reduzido em até 61%. Além disso, a biomassa caía em 27% e a riqueza de espécies em 18%. 

Decomposição

Embora todas as espécies de minhocas contribuam para a fragmentação da matéria orgânica, elas diferem muito nas maneiras pelas quais fazem o processo de decomposição. Algumas espécies limitam suas atividades a decomposição da camada de serrapilheira na superfície do solo e raramente penetram no solo mais do que superficialmente. O principal papel dessas espécies é a fragmentação de matéria orgânica em partículas finas, o que facilita a atividade microbiana.

Outras espécies vivem logo abaixo da superfície do solo a maior parte do ano, exceto quando o clima é muito frio ou muito seco; não tem tocas permanentes; e ingerem matéria orgânica e materiais inorgânicos. Há também as espécies que habitam o solo com tocas permanentes e profundas. Estas espécies vivem principalmente a base de matéria orgânica, mas também ingerem quantidades consideráveis ​​de materiais inorgânicos e os misturam completamente no solo como um todo. Estas últimas espécies são de importância primordial na pedagogênese (formação do solo).

Tempo de vida da minhoca

Imagem: One of my little wrigglers from the composter por allispossible.org.uk está licenciada sob CC BY 2.0

O ciclo de vida de muitas espécies de minhocas ainda não foi bem estudado. Há informação de qualidade e disponível apenas sobre cerca de 39 espécies de minhocas, sendo 12 pertencentes a ambientes de clima temperado, sete africanas e 20 espécies de ecossistemas tropicais como os do Brasil.

O tempo de vida de uma minhoca varia entre dez e 12 anos. Entretanto, no ambiente selvagem, as minhocas costumam viver no máximo até uma ou duas estações do ano devido à sua suscetibilidade a uma ampla gama de predadores.

Minhocas e a fertilidade do solo

As minhocas são extremamente importantes para a formação do solo. Por meio da ingestão, elas proporcionam a fragmentação da matéria orgânica e sua mistura com os minerais presentes no solo.

Por meio da alimentação da matéria orgânica, as minhocas melhoram a atividade microbiana, que, por sua vez, também acelera as taxas de biodegradação e estabilização do húmus – matéria orgânica presente em vários tipos de solos, que é essencial para a vida na Terra. Para entender melhor o que é húmus e sua importância, dê uma olhada na matéria:

Húmus: o que é e quais são suas funções para o solo

Minhocas e a movimentação do solo

Como Darwin bem observou, uma minhoca é capaz de movimentar grandes quantidades de solo de camadas mais profundas para a superfície. Em algumas espécies, uma única minhoca chega a movimentar de duas a 250 toneladas de hectares de solo. Essa movimentação é muito importante para manter o solo homogêneo e fértil.

Aeração e drenagem do solo

A atividade das minhocas aumenta tanto a porosidade quanto a disponibilidade de ar (oxigênio) no solo. Os buracos feitos por elas também são importantes para melhorar a drenagem e aumentar a taxa de infiltração de água.

Minhocas disponibilizam nutrientes para o solo

Durante a alimentação das minhocas, a proporção carbono/nitrogênio na matéria orgânica cai progressivamente, mas a maior parte do nitrogênio é convertida na forma de amônio ou nitrato. Ao mesmo tempo, outros nutrientes como fósforo e potássio, são convertidos em uma forma disponível para as plantas.

Sem o trabalho de decomposição das minhocas e, principalmente, de micro-organismos, os nutrientes ficariam eternamente presos na matéria orgânica morta e não retornariam ao ciclo da vida, se tornando escassos e inviabilizando a vida na Terra como a conhecemos.

A importância das minhocas na composteira de casa

A maior parte do lixo produzido em casa (cerca de 60%) é composto por matéria orgânica; ou seja, restos vegetais e, em parte, animais. Esse tipo de lixo, se destinado para aterros e lixões, acaba aumentando a demanda por espaços subutilizados e contribui para a emissão de gases do efeito estufa.

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Uma composteira caseira contendo micro-organismos decompositores e minhocas especializadas em compostagem doméstica evita a emissão de gases do efeito estufa, a demanda por espaços em aterros e lixões e ainda produz um rico húmus que pode ser utilizado como um adubo natural e substrato para plantas, entre outros benefícios. Para isso basta cultivar minhocas (e micro-organismos benignos e invisíveis a olho nu presentes no húmus) por meio do lixo de origem vegetal.

Como fazer adubo orgânico com resto de alimentos
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Qual é a melhor minhoca para a composteira?

Como vimos, há muitas espécies de minhoca. Somente as terrestres compõem cerca de 4 mil espécies de minhocas, divididas em três grupos ecológicos: anécicas, endogeicas e epigeicas.

As minhocas mais adequadas para a composteira fazem parte do grupo das epigeicas, que são aquelas que vivem próximas à superfície, sendo as espécies mais utilizadas de nome científico E. andrei e E. fetida, pois não abrem galerias no solo e alimentam-se basicamente de resíduos orgânicos, vantagens para a criação em cativeiro.

O grupo das minhocas anécicas é formado pelas espécies que vivem em galerias verticais. E o grupo das minhocas endogeicas é formado por espécies que vivem em perfis de solo mais profundos ainda – grupos pouco vantajosos para a criação em cativeiro.

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Minhocas e o microplástico

Uma pesquisa da Sociedade Americana de Química (ACS) comprovou que algumas espécies de minhoca preferem se alimentar de solos poluídos por microplásticos. Contudo, de acordo com o estudo ainda não se sabem os impactos dessa “dieta” dos animais. Especialistas sugerem que os plásticos podem causar danos à saúde desses invertebrados, tanto pelo próprio material quanto pelas substâncias tóxicas liberadas por ele. 

Entretanto, de acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal Ciência e Tecnologia Ambiental dos Estados Unidos em 2019, o microplástico é responsável por alguns efeitos nocivos aos invertebrados. A sua presença no solo é capaz de atrapalhar o crescimento das minhocas, além de causar a perda de peso nos animais. 

Stella Legnaioli

Jornalista, gestora ambiental, ecofeminista, vegana e livre de glúten. Aceito convites para morar em uma ecovila :)

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