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Granizo é um tipo de precipitação que consiste de grânulos de gelo que se formam ocasionalmente em tempestades.
A precipitação de granizo ocorre de forma repentina e localizada, o que dificulta sua observação e previsão. E, embora, técnicas para medir e prever a sua ocorrência estejam se tornando mais precisas, as mudanças climáticas estão ativamente contribuindo para o poder de destruição dessas pedras de gelo.
Confira como, e por quê, o granizo está cada vez mais ameaçador.
O granizo é composto quando fortes correntes de ar ascendentes e descendentes movimentam gotículas de água para cima e para baixo através de nuvens do tipo cumulonimbus. Assim que as gotas atingem o topo da nuvem, elas congelam devido à baixa temperatura.
Em geral, as nuvens podem carregar essas gotículas suspensas por um grande período de tempo. Durante este período, os grânulos podem ir aumentando de tamanho e potencializando os danos causados pelo gelo. No entanto, quando as nuvens ficam sobrecarregadas, a chuva de granizo se inicia na superfície terrestre.
As pedras de granizo são tipicamente esféricas ou cônicas, variando de 5 mm a mais de 50 mm de diâmetro, embora a maioria tenha menos de 25 mm. As maiores pedras de granizo formam-se em tempestades multicelulares, que são mais comuns em locais como os Estados Unidos.
Embora não seja um evento comum, a chuva de granizo também não é rara — especialmente no sul do Brasil, onde o fenômeno ocorre durante os meses mais quentes.
No país, os maiores riscos desse tipo de precipitação ocorrem na agricultura, segundo a Defesa Civil, que também reforça que frutas de clima temperado, como maçã, pêra, pêssego, kiwi, e a fumicultura são as mais vulneráveis ao granizo.
No mundo todo, esses grânulos de gelo também podem danificar aeronaves, casas e carros. Além disso, pode ser fatal para o gado e para as pessoas, potencialmente causando congestionamentos no trânsito devido ao acúmulo de gelo nas ruas, queda de árvores, destelhamentos, perda de lavoura, alagamentos e danos às redes elétricas.
Frequentemente, o granizo derrete antes de atingir o solo. Contudo, com o agravamento da crise climática, é difícil pontuar exatamente o estrago causado pela precipitação ao longo do globo e criar métodos de prevenção eficazes para o controle dos danos.
Uma pesquisa publicada na Nature revelou que as condições propícias à ocorrência de granizo podem deslocar-se em direção aos polos com o aquecimento global e sofrer uma leve mudança do verão para o inverno. Isso significa que o fenômeno pode se tornar recorrente em locais como norte da Europa, Canadá, sudeste da Austrália e a Ilha do Sul da Nova Zelândia.
Entretanto, isso não significa que o granizo vai se tornar algo constante. De fato, segundo pesquisas anteriores, a expectativa geral quanto ao impacto das mudanças climáticas no granizo é que ele ocorra com menor frequência, mas que as pedras de granizo sejam maiores quando o fenômeno acontecer.
Um estudo de 2023 foi o primeiro que associou o aquecimento causado pelo ser humano ao tamanho das pedras de granizo em uma tempestade. Nele, foi revelado que o calor pode fazer com que as pedras se tornem blocos de gelo enormes, contribuindo ainda mais para a destruição causada por esse tipo de precipitação.
A contribuição do aquecimento global para o granizo é como uma grande equação. Por um lado, essas mudanças contribuem para o aquecimento da atmosfera e para aumento de sua umidade. Consequentemente, uma maior umidade resulta em mais tempestades e uma atmosfera quente tem maior probabilidade de gerar fortes correntes ascendentes capazes de sustentar pedras de gelo maiores.
Uma atmosfera mais quente também derrete mais rapidamente o granizo em queda, o que pode fazer com que as pedras diminuam de tamanho ou derretam completamente antes de atingirem o solo. Portanto, essas duas mudanças atuam em sentidos opostos.
Ou seja, um maior derretimento significaria que pedras de granizo menores chegariam ao solo com menos frequência, mas correntes ascendentes mais fortes permitiriam a formação de pedras de granizo maiores.
Essas mudanças variam regionalmente, dependendo de variações no equilíbrio dos fatores contribuintes para a formação das tempestades. Isso resulta em um fenômeno perigoso e, muitas vezes, imprevisível. Porém, como visto no estudo da Nature, cientistas estão fazendo o possível para desmistificar a aleatoriedade do granizo e criar soluções inteligentes para evitar seus danos.
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