Educação

Granizo: o que é, como se forma e perigos

Compartilhar

Granizo é um tipo de precipitação que consiste de grânulos de gelo que se formam ocasionalmente em tempestades. 

A precipitação de granizo ocorre de forma repentina e localizada, o que dificulta sua observação e previsão. E, embora, técnicas para medir e prever a sua ocorrência estejam se tornando mais precisas, as mudanças climáticas estão ativamente contribuindo para o poder de destruição dessas pedras de gelo.

Confira como, e por quê, o granizo está cada vez mais ameaçador. 

Qual é a causa do granizo? 

O granizo é composto quando fortes correntes de ar ascendentes e descendentes movimentam gotículas de água para cima e para baixo através de nuvens do tipo cumulonimbus. Assim que as gotas atingem o topo da nuvem, elas congelam devido à baixa temperatura. 

Em geral, as nuvens podem carregar essas gotículas suspensas por um grande período de tempo. Durante este período, os grânulos podem ir aumentando de tamanho e potencializando os danos causados pelo gelo. No entanto, quando as nuvens ficam sobrecarregadas, a chuva de granizo se inicia na superfície terrestre. 

As pedras de granizo são tipicamente esféricas ou cônicas, variando de 5 mm a mais de 50 mm de diâmetro, embora a maioria tenha menos de 25 mm. As maiores pedras de granizo formam-se em tempestades multicelulares, que são mais comuns em locais como os Estados Unidos.

Conheça todos os tipos de nuvens

Os tipos de nuvens correspondem às diferentes classificações das nuvens

Riscos 

Embora não seja um evento comum, a chuva de granizo também não é rara — especialmente no sul do Brasil, onde o fenômeno ocorre durante os meses mais quentes.

No país, os maiores riscos desse tipo de precipitação ocorrem na agricultura, segundo a Defesa Civil, que também reforça que frutas de clima temperado, como maçã, pêra, pêssego, kiwi, e a fumicultura são as mais vulneráveis ao granizo.

No mundo todo, esses grânulos de gelo também podem danificar aeronaves, casas e carros. Além disso, pode ser fatal para o gado e para as pessoas, potencialmente causando congestionamentos no trânsito devido ao acúmulo de gelo nas ruas, queda de árvores, destelhamentos, perda de lavoura, alagamentos e danos às redes elétricas.

Frequentemente, o granizo derrete antes de atingir o solo. Contudo, com o agravamento da crise climática, é difícil pontuar exatamente o estrago causado pela precipitação ao longo do globo e criar métodos de prevenção eficazes para o controle dos danos. 

O granizo está se tornando um problema ainda maior? 

Uma pesquisa publicada na Nature revelou que as condições propícias à ocorrência de granizo podem deslocar-se em direção aos polos com o aquecimento global e sofrer uma leve mudança do verão para o inverno. Isso significa que o fenômeno pode se tornar recorrente em locais como norte da Europa, Canadá, sudeste da Austrália e a Ilha do Sul da Nova Zelândia.

Entretanto, isso não significa que o granizo vai se tornar algo constante. De fato, segundo pesquisas anteriores, a expectativa geral quanto ao impacto das mudanças climáticas no granizo é que ele ocorra com menor frequência, mas que as pedras de granizo sejam maiores quando o fenômeno acontecer. 

Um estudo de 2023 foi o primeiro que associou o aquecimento causado pelo ser humano ao tamanho das pedras de granizo em uma tempestade. Nele, foi revelado que o calor pode fazer com que as pedras se tornem blocos de gelo enormes, contribuindo ainda mais para a destruição causada por esse tipo de precipitação. 

Por que isso acontece?

A contribuição do aquecimento global para o granizo é como uma grande equação. Por um lado, essas mudanças contribuem para o aquecimento da atmosfera e para aumento de sua umidade. Consequentemente, uma maior umidade resulta em mais tempestades e uma atmosfera quente tem maior probabilidade de gerar fortes correntes ascendentes capazes de sustentar pedras de gelo maiores. 

Uma atmosfera mais quente também derrete mais rapidamente o granizo em queda, o que pode fazer com que as pedras diminuam de tamanho ou derretam completamente antes de atingirem o solo. Portanto, essas duas mudanças atuam em sentidos opostos.

Ou seja, um maior derretimento significaria que pedras de granizo menores chegariam ao solo com menos frequência, mas correntes ascendentes mais fortes permitiriam a formação de pedras de granizo maiores.

Essas mudanças variam regionalmente, dependendo de variações no equilíbrio dos fatores contribuintes para a formação das tempestades. Isso resulta em um fenômeno perigoso e, muitas vezes, imprevisível. Porém, como visto no estudo da Nature, cientistas estão fazendo o possível para desmistificar a aleatoriedade do granizo e criar soluções inteligentes para evitar seus danos. 

Júlia Assef

Jornalista formada pela PUC-SP, vegetariana e fã do Elton John. Curiosa do mundo da moda e do meio ambiente.

Utilizamos cookies para oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar pelo site você concorda com o uso dos mesmos.

Saiba mais