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Uma revisão publicada na revista científica Nature Reviews Biodiversity mostra que o comércio ilegal de vida selvagem está se espalhando por plataformas populares de internet, representando uma ameaça crescente à conservação da biodiversidade. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Helsinque (Finlândia), da Universidade Metropolitana de Manchester (Reino Unido) e da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul).
Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou um levantamento de seis semanas em 280 plataformas online — entre elas Facebook, Instagram, TikTok, eBay, Google, Alibaba, Shopee e Tokopedia —, mapeando tanto a web aberta quanto áreas privadas indexadas de redes sociais. Ao todo, os pesquisadores identificaram 33.006 espécies à venda: 54% eram animais vivos, e 46% eram partes de corpos de animais.
Todos pertenciam a espécies classificadas pela Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagem) como em risco de extinção ou vulneráveis.
“O comércio ilegal de vida selvagem online se espalha por muitas plataformas, incluindo redes sociais populares, e representa uma ameaça crescente e em evolução para a conservação da biodiversidade”, afirma Enrico Di Minin, cientista de conservação da Universidade de Helsinque e um dos autores do estudo. “O que é particularmente preocupante é que muitas das espécies encontradas sendo negociadas ilegalmente online estão em alto risco de extinção ou não eram consideradas anteriormente sob risco do comércio ilegal.”
Segundo os pesquisadores, os danos causados pelo comércio digital seguem o mesmo padrão do tráfico tradicional — mas em escala ampliada.
“Os impactos negativos no bem-estar animal e na biodiversidade espelham os do comércio ilegal tradicional offline de vida selvagem, mas o alcance e a velocidade das plataformas online estão amplificando esses danos”, diz Neil D’Cruze, biólogo de conservação da Universidade Metropolitana de Manchester. “O comércio ilegal de vida selvagem online opera através de redes complexas e dispersas que atravessam fronteiras nacionais, expandindo e, em alguns casos, substituindo rotas tradicionais de tráfico.”
Além da ameaça direta às espécies, os autores apontam que a perda de biodiversidade também traz riscos para os seres humanos — entre eles, a propagação de espécies invasoras e a transmissão de vírus de origem animal.
“Esta revisão lança luz sobre a necessidade urgente de estratégias concertadas e em múltiplos níveis para combater o comércio ilegal de vida selvagem online. Essas estratégias não devem apenas fortalecer a proteção das espécies, mas também aprimorar a capacidade regulatória e tecnológica, engajar comunidades locais de forma significativa e promover uma abordagem de toda a sociedade para a conservação”, conclui Annette Hübschle, pesquisadora de crime contra a vida selvagem da Universidade da Cidade do Cabo.
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