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Pradarias de algas marinhas sustentam milhões de pessoas em pobreza extrema, mostra estudo

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Um estudo publicado na revista Nature Sustainability traz a primeira evidência empírica em larga escala de que as pradarias de algas marinhas funcionam como uma rede de proteção para milhões de pessoas em situação de pobreza extrema nas regiões costeiras do Indo-Pacífico. A pesquisa foi liderada por cientistas da Project Seagrass, organização dedicada à conservação desses ecossistemas.

De acordo com o levantamento, pelo menos 18 milhões de pessoas em situação de pobreza no Indo-Pacífico pescam em pradarias de algas marinhas — das quais 6,5 milhões dependem inteiramente desse habitat para subsistência e renda pesqueira.

As algas marinhas são plantas com flores que formam extensas pradarias submersas ao longo de litorais rasos. Menos conhecidas que os recifes de coral ou as florestas tropicais, essas pradarias sustentam pescarias de fácil acesso, que podem ser feitas a pé ou com equipamentos simples — o que as torna especialmente importantes para famílias com poucas alternativas de alimento ou renda. 

O estudo mostra que famílias em situação de pobreza extrema têm chance significativamente maior de depender inteiramente das pradarias de algas marinhas para pescar — e que famílias nessa condição ganham 23% menos do que outros pescadores. 

Segundo os pesquisadores, os dados revelam uma população até então praticamente invisível, cujos meios de vida estão ligados a um habitat que segue fora das agendas de combate à pobreza, desenvolvimento e conservação.

“Este estudo muda a forma como o mundo precisa enxergar as algas marinhas. Não são apenas pradarias para peixes, tartarugas ou carbono. São redes de proteção ocultas para milhões de pessoas. Quando as algas marinhas desaparecem, não é só a natureza que se perde — alimento, renda e segurança desaparecem junto, muitas vezes para quem menos contribuiu para esse declínio e menos tem capacidade de se adaptar”, afirma Benjamin Jones, diretor de conservação da Project Seagrass e um dos pesquisadores principais do estudo.

Segundo os autores, incorporar esses ecossistemas às estratégias de combate à pobreza e de desenvolvimento sustentável é essencial para romper esse ciclo. Não fazer isso, alertam, coloca em risco o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2 — erradicar a pobreza e a fome —, além de aprofundar a pobreza costeira e a insegurança alimentar.

As pradarias de algas marinhas do Indo-Pacífico enfrentam ameaças crescentes, principalmente ligadas à expansão urbana costeira e à poluição de origem terrestre. Em muitos lugares, as comunidades mais dependentes desses ecossistemas têm pouca influência sobre as decisões que levam à sua degradação.

“O mundo tem tratado a perda de algas marinhas como um problema restrito à conservação. Este estudo mostra que também é uma questão de desenvolvimento e segurança alimentar. Governos e doadores internacionais não podem enfrentar a pobreza costeira de forma legítima enquanto permitem que os ecossistemas que sustentam os sistemas alimentares locais continuem desaparecendo”, conclui Richard Unsworth, diretor científico da Project Seagrass e coautor do estudo.

Júlia Assef

Jornalista formada pela PUC-SP, vegetariana e fã do Elton John. Curiosa do mundo da moda e do meio ambiente.

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