Mulungu: como usar, benefícios e contraindicações

O mulungu é uma planta nativa do Brasil e de outras regiões da América do Sul, também conhecida por seu nome científico Erythrina mulungu. Embora existam outras árvores pertencentes à espécie Erythrina, as nativas da América do Sul se diferenciam por suas flores laranjas. 

Suas sementes, cascas e partes aéreas são usadas na medicina local há anos, tornando-a uma planta medicinal. Popularmente vista como um nootrópico, o seu uso pode oferecer benefícios no tratamento de diversas condições mentais, como a depressão e a ansiedade

Contudo, seus benefícios não param por aí. Na medicina, o mulungu já foi usado para aliviar a dor, ajudar a dormir, diminuir a pressão arterial e tratar crises epilépticas. 

Para a população local de onde a planta é nativa, ela é majoritariamente usada como um sedativo, ajudando no sono, ou como relaxante muscular. Porém, por sua cor vermelha alaranjada, a planta também é utilizada como tintura. 

Imagem editada e redimensionada de Christoph Diewald em Flickr, sob a licença CC BY-NC ND 2.0

Conheça os benefícios do mulungu para a saúde e para que ele serve!

Benefícios

Embora sua popularidade, o mulungu não possui muitas pesquisas que comprovem o seu efeito positivo nos seres humanos. Contudo, ainda acredita-se que a planta é benéfica para a saúde. Confira alguns de seus possíveis benefícios: 

Tratamento da ansiedade e da depressão

As plantas Erythrina contêm flavonoides, alcaloides e terpenos, que são usados na medicina popular por seus efeitos tranquilizantes. Além disso, o mulungu especificamente possui os componentes (+)-eritravina e (+)-11α-hidroxieritravina, que podem oferecer efeitos anti-ansiedade similares ao do diazepam. 

Uma pesquisa comprovou que a ingestão de 500 mg da planta antes de procedimentos cirúrgicos odontológicos ajuda a reduzir a ansiedade mais do que seu placebo. Já uma pesquisa em ratos comprovou o impacto do mulungu na redução dos efeitos de histeria, pânico, estresse, trauma e choque.

Acredita-se que ele funciona no organismo inibindo os receptores nicotínicos de acetilcolina, que desempenham um papel na regulação da ansiedade. Desse modo, esses compostos atuam diretamente na supressão do sistema nervoso central. 

Para que seu uso em medicamentos seja formalizado, novas pesquisas deverão ser feitas. Entretanto, praticantes do herbalismo já utilizam a planta em tratamentos.  

Alívio da dor

No Brasil, a planta foi majoritariamente utilizada como um alívio para a dor, sendo exportada como um medicamento herbal para a América do Norte. Um estudo de 2003 comprovou os seus efeitos antinociceptivos em ratos de laboratório. 

O extrato de mulungu também é benéfico para o tratamento da dor, uma vez que possui ação anti-inflamatória, segundo uma outra pesquisa publicada em 2012. 

Não se sabe ao certo o porquê desses efeitos, contudo, especialistas acreditam que a planta ajuda a reduzir a dor independente do sistema opioide — que é o alvo para a maioria dos medicamentos atuais. 

Mais pesquisas deverão ser feitas, porém, esses estudos anteriores são promissores. 

Tratamento da epilepsia

Os compostos (+)-eritravina e (+)-11α-hidroxieritravina também podem ajudar no tratamento de crises epilépticas. Testes realizados em laboratório comprovaram que ratos sob o efeito do mulungu experienciaram menos convulsões e viveram por mais tempo. Além disso, especialistas acreditam que esses mesmos compostos podem proteger contra problemas de perda de memória e aprendizado de curto prazo.  

Embora a disponibilidade de remédios para o tratamento da epilepsia, cerca de 30% a 40% dos pacientes não respondem a esses medicamentos. Portanto, a busca por novos tratamentos alternativos é amplamente encorajada.

Tratamento da insônia

Por conta de seus efeitos relaxantes, o mulungu pode ser informalmente utilizado no tratamento da insônia. Em vez do uso de medicamentos, um chá é preparado a partir de suas cascas. 

Efeitos colaterais e contraindicações

Não há estudos que determinem a dosagem certa da planta para o uso pessoal, portanto, é necessário tomar cuidado na ingestão de chás e outros tipos de mulungu. Outros efeitos incluem a sonolência e a diminuição da pressão arterial. Além disso, também há a possibilidade de que seu consumo possa levar a paralisias musculares. 

Gestantes, crianças, idosos e outros grupos de risco devem evitar a ingestão da planta, uma vez que não há pesquisas o suficiente que comprovem sua segurança e eficácia em tratamentos médicos. 

Chá de mulungu

O mulungu é vendido em diversas casas de chá e lojas de produtos naturais. Para aproveitar a propriedade calmante dessa planta, adicione a sua casca na água fervente por cinco minutos, coe e beba. Porém, evite tomar o chá muitos dias seguidos e tente limitar o seu uso para pelo menos uma hora antes de dormir, uma vez que um de seus efeitos é a sonolência. 

Júlia Assef

Jornalista formada pela PUC-SP, vegetariana e fã do Elton John. Curiosa do mundo da moda e do meio ambiente.

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