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A influenciadora Maíra Cardi voltou a chamar atenção nas redes sociais ao relatar complicações causadas pelo PMMA (polimetilmetacrilato), substância utilizada em alguns procedimentos estéticos. Em um vídeo publicado no TikTok, ela mostrou pedaços de plástico saltando do rosto e afirmou que o material continua provocando reações 10 anos após a aplicação.
“Isso é o produto tentando rasgar a minha cara”, declarou enquanto exibia as alterações na pele. Apesar do desconforto, Maíra disse que encara a situação com tranquilidade. “Eu sou muito desapegada, porque qualquer outra mulher estaria chorando”, comentou.
Segundo a empresária, médicos explicaram que parte do material poderia ser removida por meio de uma cirurgia, mas o procedimento envolveria riscos importantes, como paralisia facial Áreas como a maçã do rosto, por exemplo, estariam muito próximas de nervos e outras estruturas delicadas, o que dificultaria a retirada completa do produto. Diante disso, ela decidiu adiar uma intervenção mais invasiva.
Ao compartilhar sua experiência, Maíra afirmou que seu objetivo é alertar outras pessoas sobre os riscos da utilização do PMMA em procedimentos estéticos e criticou a forma como a substância ainda é apresentada a muitos pacientes.
O polimetilmetacrilato (PMMA) é um polímero sintético, conhecido popularmente como um tipo de plástico acrílico. Na medicina, ele pode ser utilizado em diferentes aplicações, como cimento ósseo em cirurgias ortopédicas, lentes intraoculares e alguns implantes. Na estética, porém, seu uso é considerado permanente, já que o organismo não consegue absorver o material.
Diferentemente do ácido hialurônico, que é gradualmente degradado pelo corpo e pode ser dissolvido com enzimas específicas, o PMMA permanece nos tecidos por tempo indeterminado. Caso ocorram complicações, sua remoção costuma ser difícil e, muitas vezes, impossível de forma completa.
Especialistas alertam que o PMMA pode provocar reações imediatas ou tardias, inclusive muitos anos após a aplicação. Entre as possíveis complicações estão:
Como o produto se integra aos tecidos, cirurgias para remoção frequentemente exigem a retirada de parte da pele, gordura ou músculo ao redor do material, podendo deixar sequelas estéticas e funcionais.
Embora o PMMA possua registro para algumas aplicações médicas específicas, seu uso para fins puramente estéticos é motivo de debate há anos. Diversas sociedades médicas recomendam extrema cautela devido ao caráter permanente da substância e às dificuldades de tratamento quando surgem complicações.
Casos de pacientes que desenvolvem problemas muitos anos depois da aplicação não são incomuns na literatura médica, já que o organismo pode desencadear uma resposta inflamatória tardia contra o material.
Além das discussões envolvendo a saúde, o PMMA também desperta atenção por ser um material plástico derivado do petróleo.
Quando removido cirurgicamente, o material torna-se um resíduo de serviços de saúde e deve receber destinação adequada por empresas especializadas. O descarte inadequado pode contribuir para a contaminação ambiental, assim como ocorre com outros resíduos plásticos hospitalares.
Embora ainda existam poucos estudos específicos sobre o impacto ambiental do PMMA utilizado em procedimentos estéticos, pesquisadores vêm demonstrando crescente preocupação com o acúmulo de polímeros sintéticos no meio ambiente. Por ser altamente resistente à degradação, o PMMA pode permanecer por décadas antes de se decompor, fragmentando-se lentamente em partículas cada vez menores.
Esses fragmentos, conhecidos como microplásticos, já foram encontrados em rios, oceanos, solos, animais e até mesmo no organismo humano. Embora ainda não haja evidências de que o PMMA proveniente de procedimentos estéticos represente uma fonte significativa dessa contaminação, especialistas destacam que todo aumento no consumo de materiais plásticos permanentes amplia os desafios relacionados ao gerenciamento de resíduos.
O depoimento de Maíra Cardi reacendeu as discussões sobre os riscos de procedimentos estéticos permanentes. Para especialistas, pacientes devem ser informados de que, diferentemente dos preenchedores absorvíveis, o PMMA pode permanecer no organismo por toda a vida e apresentar complicações mesmo muitos anos após sua aplicação.
Ao compartilhar sua experiência, a influenciadora afirmou esperar que outras pessoas pesquisem mais antes de optar pelo procedimento e conheçam tanto os possíveis riscos à saúde quanto as limitações existentes caso seja necessária a remoção do material.
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