O astronauta da NASA Scott Kelly trabalhando do lado de fora da Estação Espacial Internacional em 2015 | Foto:
Por ONU News | Desde o início da era dos satélites, as frequências de rádio moldaram silenciosamente a jornada da humanidade no espaço sideral. Hoje, elas continuam sendo a base de cada comando de satélite, transmissão científica e sistema de navegação operando em órbita.
Em entrevista à ONU News, o chefe de Serviços Espaciais da União Internacional de Telecomunicações, UIT, Alexandre Vallet, enfatizou que as ondas radiofônicas não são apenas ferramentas técnicas, mas a “corrente sanguínea” da atividade espacial moderna.
O especialista afirmou que a demanda por frequencias de rádio deve aumentar com o advento de uma nova era de exploração lunar, com projetos liderados por Estados Unidos e China, que pretendem criar bases permanentes na Lua.
“Para a próxima conferência sobre os regulamentos de rádio, no final de 2027, discutiremos o estabelecimento, pela primeira vez, de um quadro regulamentar para a gestão do espectro de rádio da Lua”.
Segundo ele, isto incluirá encontrar um “bom equilíbrio entre a necessidade de ligações de comunicação e a necessidade de proteger o espectro para fins científicos”.
Vallet comentou que a exploração pelas grandes potências pode abalar aquilo que foi uma “decisão visionária” tomada nos anos 70: a criação da Zona Protegida da Lua, impedindo que o silêncio natural que existe no lado escuro do astro sofra interferência de sinais de rádio ou satélite.
A vantagem desta área, sempre protegida da luz da Terra, é a possibilidade de ouvir as frequências baixas, geradas durante os estágios iniciais de formação do universo. Esse tipo de observação não é possível na Terra, devido a atmosfera e ao ruído excessivo de frequências de rádio.
Vallet mencionou que já existem projetos para instalar radiotelescópios na Lua para aproveitar esse potencial cietífico.
Para que o Tratado Internacional das Regulações de Rádio se mantenha atualizado, a UIT convoca, a cada quatro anos, uma conferência internacional com todos os seus Estados-membros, na qual o documento é revisado.
Nos últimos anos, a crescente urgência das mudanças climáticas intensificou a demanda por observação confiável baseada em satélites. De acordo com Vallet, na última revisão, a comunidade internacional tomou medidas decisivas para fortalecer essas capacidades.
Ele disse que “devido aos requisitos emergentes para o monitoramento climático, adicionamos recentemente frequências extras para este fim”.
Essas novas alocações apoiam sensores espaciais altamente sensíveis, projetados para rastrear condições atmosféricas e mudanças ambientais. Ele explicou que esses sensores são bastante sensíveis à interferência de rádio e por isso a UIT criou regras adicionais para protegê-los.
O chefe de Serviços Espaciais explicou que sem esse tipo de coordenação, interferências e conflitos operacionais poderiam comprometer tanto a segurança quanto a inovação em diversas áreas.
Vallet afirmou que, atualmente, a humanidade está caminhando em direção a uma economia espacial mais “diversificada”, que incluirá Data Centers espaciais para impulsionar a inteligência artificial, aumento no turismo espacial, manufatura em órbita, mineração espacial e outras tecnologias futuristas.
Para ele, tudo isso exigirá frequências de rádio para comunicação e comando das espaçonaves. Nesse sentido, as conferências mundiais sobre a Regulação de Rádio serão essenciais para identificar necessidades e promover negociações sobre como as frequências serão alocadas e protegidas.
Diferentes zonas orbitais dependem de partes específicas do espectro de rádio, cada uma cumprindo papéis únicos que sustentam a conectividade global.
Juntas, essas camadas orbitais formam uma arquitetura de comunicação complexa, sustentada por frequências de rádio cuidadosamente coordenadas.
Este texto foi originalmente publicado pela ONU News, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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