Cidadania digital: qual seu papel na educação?

Cidadania digital é um dos inúmeros conceitos que surgiram como consequência do advento da internet e das novas ferramentas digitais que fazem parte do dia a dia das pessoas. A prática da cidadania digital diz respeito ao uso responsável da tecnologia e de ferramentas tecnológicas no mundo virtual. No século 21, é uma habilidade necessária para, entre outras coisas, proteger dados, saber como se comportar on-line e filtrar a variedade de conteúdos disponíveis no ambiente virtual.

Qual é o objetivo da cidadania digital?

A cidadania digital, portanto, se aplica a todo indivíduo que utiliza a internet de maneira apropriada e eficaz. Apesar de sua importância, o conceito ainda não conta com a popularidade que merece. Para mudar esse cenário, algumas instituições de ensino e professores já incluem o ensino de cidadania digital no currículo dos alunos, abordando tópicos como assédio virtual (também conhecido como cyberbullying), segurança digital, uso adequado de redes sociais e outros.

Para o norte-americano Mark Ribble, especialista em educação e tecnologia e referência no assunto, “não podemos nos irritar com as crianças pelo uso inapropriado da tecnologia, se não ensinarmos a elas o que consideramos apropriado”. Daí a importância de valorizar o ensino de cidadania digital nas escolas, bem como os conceitos de direito e dever no ambiente digital.

Felizmente, quase todos os requisitos para ser um bom cidadão digital podem ser ensinados em sala de aula. No entanto, ainda não há muito direcionamento para os professores responsáveis pelo ensino da cidadania digital. Por isso, é fundamental que haja cada vez mais informações sobre o mundo digital tanto no currículo dos alunos como em veículos de comunicação, para que o uso da tecnologia se torne mais fácil, seguro e acessível para todos os cidadãos.

Quais são os principais elementos da cidadania digital?

1. Empatia e cidadania digital

A empatia é o ponto de partida do ensino da cidadania digital, porque é crucial para entender como as pessoas falam e se comportam on-line. Como o uso da internet depende em grande parte de comunicações baseadas em texto, nem sempre é possível compreender o tom de voz de alguém, ver suas expressões faciais ou entender outras pistas não verbais que são facilmente detectadas quando se fala com alguém pessoalmente.

Como resultado, os usuários da internet tendem a fazer julgamentos rápidos e severos sobre as declarações de outras pessoas no ambiente digital. Isso pode levar a agressões verbais, linchamento virtual, ataques cibernéticos e outros problemas. No pior dos casos, esse comportamento pode evoluir para o cyberbullying, uma questão que afeta especialmente os usuários mais jovens da internet. Assim, é importante refletir sobre sua conduta on-line.

2. Funcionamento da internet

A internet é uma rede de servidores e computadores interconectados que direcionam as solicitações do navegador da web por meio de uma rede de conexão com ou sem fio. Nos últimos tempos, o alcance da internet tem se ampliado de tal maneira que se torna difícil abordar toda a sua complexidade. Por isso, somente uma pequena porcentagem de pessoas no mundo, incluindo estudantes, realmente entende esses processos.

A educação sobre cidadania digital inclui explicações sucintas, mas esclarecedoras sobre redes, hardware, comunicação, unidades centrais de processamento, discos rígidos e muito mais. De posse dessas informações, o cidadão em processo de alfabetização digital pode entender mais facilmente como seu comportamento on-line pode interferir, de maneira negativa ou positiva, no bem-estar digital como um todo.

Imagem por Daniel Thomas, disponível no Unsplash

3. Dados do usuário

Compreender o funcionamento da internet, por meio de uma sofisticada interconexão de ferramentas digitais, facilita o entendimento de elementos-chave da cidadania digital, como os dados do usuário. Praticamente todas as empresas que possuem website coletam dados sobre as pessoas que o visitam. Esses dados podem ser simples – como, por exemplo, quais páginas aquele usuário visualiza – ou complexos – como o endereço residencial de alguém.

A maioria dos sites na internet usa essas informações para elaborar estratégias de marketing para o comércio digital, que os ajudará a entender melhor o comportamento do cliente e conectar-se com os consumidores de maneira mais significativa. No entanto, alguns sites usam essa oportunidade de forma maliciosa, anexando um cookie, ou identificador exclusivo, ao navegador do visitante para acessar dados sobre outros sites acessados por ele.

Esses dados, depois, são vendidos para outras empresas, que fazem o que quiserem com eles. Algumas organizações, como Facebook e Google, são capazes até mesmo de rastrear o comportamento digital do usuário fora de seus ambientes. Por isso, o cidadão digital precisa saber que está sendo observado para criar maneiras de se proteger on-line.

4. Alfabetização digital

A alfabetização digital é a prática de ler informações on-line e entender o que elas significam, de onde se originaram e se são precisas. Por isso, é um dos conceitos mais complexos da cidadania digital – mas também um dos mais importantes. A alfabetização digital também inclui conceitos como etiqueta digital, ética, proteção on-line, direitos autorais e prevenção ao cyberbullying.

5. Clickbait e cidadania digital

Clickbait é qualquer texto, título de vídeo ou chamada de notícia elaborado deliberadamente para despertar o interesse de alguém e gerar cliques – mesmo que, para isso, divulgue mentiras ou fatos distorcidos. De modo geral, o clickbait é utilizado por organizações que desejam levar visitantes a seus sites para que possam exibir anúncios e gerar receita.

O clickbait também é usado por proprietários de sites maliciosos que desejam infectar os computadores de pessoas com malwares. Entender o que é clickbait e como identificá-lo pode fazer a diferença entre ser um bom ou um mau cidadão digital, além de prevenir infecções do sistema por vírus maliciosos ou a divulgação de notícias falsas – as famosas fake news.

6. Fake news

Fake news são, como o próprio nome indica, notícias falsas, deliberadamente publicadas e divulgadas para propagar informações mentirosas ou tendenciosas sobre um assunto de interesse público. São comumente associadas a títulos clickbait, para atrair leitores e alterar a opinião das pessoas com afirmações falsas e, na maior parte das vezes, prejudiciais tanto para o indivíduo como para a sociedade em geral. Aprender a distinguir uma notícia verdadeira de uma notícia falsa é imprescindível para a prática da boa cidadania digital.

7. Exclusão digital

A exclusão digital se refere à disparidade entre aqueles que têm acesso a ferramentas digitais modernas, como computadores e internet, e aqueles que não têm. O acesso a computadores e à internet ainda é restrito em todas as partes do mundo, o que significa que aqueles que vivem na pobreza não têm o mesmo nível de acesso que aqueles que possuem maior renda. Reconhecer a existência desse abismo também é importante para exercer a cidadania digital.

8. Bem-estar digital

Saúde e bem-estar digital é a prática de abster-se do uso da internet e mídias digitais por alguns períodos. Em outras palavras, é “fazer uma pausa” das telas. O bem-estar digital é importante porque passar muito tempo diante da tela pode causar efeitos adversos nas pessoas, sobretudo as mais jovens, que tendem a passar mais tempo conectados e podem acabar enfrentando problemas como sedentarismo, prejuízo à visão, dificuldades de sociabilização, danos à memória, entre outros.

9. Proteção dos dispositivos digitais

O elemento final para se tornar um bom cidadão digital é proteger os dispositivos digitais. O roubo de dados, por exemplo, afeta cerca de 3 milhões de pessoas todos os anos somente nos Estados Unidos. Por isso, é necessário que o cidadão digital saiba como proteger seus computadores, smartphones, contas de e-mail e redes sociais e outros dispositivos de acesso à internet.

É preciso saber também sobre as VPNs, redes pessoais virtuais que podem manter os dados seguros durante a navegação na internet. Outro ponto importante a ser abordado são os softwares antivírus, que protegem os dispositivos contra ataques virtuais e roubo de dados de usuários para facilitar atos criminosos na rede.

Terra de ninguém?

Devido à rápida expansão da tecnologia e, consequentemente, da internet, muitos governos começaram a criar regulamentações no mundo digital. Antes conhecida como “terra de ninguém”, agora a internet possui muitas leis a serem seguidas para proporcionar um ambiente seguro para os cidadãos digitais

No Brasil, essa regulamentação ficou conhecida como o Marco Civil da Internet, que surgiu em 2009 e foi sancionada em 2014. Ele tem como objetivo regulamentar o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres para quem faz uso da rede, bem como da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.

As questões mencionadas no Marco Civil da Internet são extensas, garantindo direitos para os usuários que vão da liberdade de expressão até a proteção de dados pessoais, podendo agir como um mediador entre provedores e usuários. 

Em relação aos possíveis delitos cometidos na internet, a regulamentação também especifica punições para infrações relacionadas ao meio eletrônico e reforça outras leis já previstas no Código Penal, como é o caso de constrangimento ilegal, ameaça, calúnia, injúria e difamação conforme consta de projeto de lei (PLS 481/2011). (1)

Além da criação da lei dos crimes informáticos, o Brasil também conta com outras regulamentações que visam proteger especificamente os dados dos usuários. Esse é o caso da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), Lei n° 13.709/2018, que visa proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade, e a livre formação da personalidade de cada indivíduo, tanto nos meios manuais quanto digitais. 

Equipe eCycle

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