Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP
Por Observatório do Clima | A Amazônia registrou em 2026 um recorde histórico de queda no desmatamento: 3.335 km², o menor valor desde que as medições por satélite tiveram início, em 1988. O número é 41,81% menor do que o do ano passado (5.731 km²) e representa uma queda de 71,2% considerando os últimos quatro anos. No Cerrado, bioma mais rapidamente desmatado do Brasil, a área desmatada também foi a menor da história, 5.516 km2, queda de 23,76% em relação ao ano passado (7.235 km²) e de 48,4% nos últimos quatro anos. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) representam uma vitória da sociedade brasileira e são motivo de celebração. Eles também passam três recados claros.
O primeiro é que zerar o desmatamento é possível. A atual administração assumiu após quatro anos de uma política antiambiental deliberada, com a maior alta em um mandato presidencial desde o início da série histórica – 60% de aumento, em relação ao período anterior – e devolveu a devastação ao menor patamar que se tem registro em quase quatro décadas. Nos quatro anos do atual governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², valor 46% menor do que o total desmatado no governo Bolsonaro (45.586 km²).
O segundo é que é preciso vontade política para fazer isso acontecer. Os números divulgados nesta sexta-feira são frutos de uma determinação clara e sustentada de proteção ambiental implementada pelo governo, que envolveu um conjunto de políticas públicas de combate aos crimes ambientais, estruturado sob a liderança de Marina Silva. Ações do Ibama, como os embargos coletivos de áreas desmatadas e os remotos por satélite, bem como a ampliação de instrumentos de financiamento, como o Fundo Amazônia, foram fundamentais para os resultados.
O terceiro é que controlar o desmatamento é boa notícia não só para o meio ambiente. É bom para o clima – nos últimos quatro anos, o controle na destruição da floresta evitou a emissão de ao menos 2,238 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera – e para o próprio agronegócio, que tem o PIB para 2026 estimado em R$ 3,13 trilhões, alta de 17,67% em relação ao PIB da agropecuária em 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro.
“Os números divulgados hoje são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, diz Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Este texto foi originalmente publicado pelo Observatório do Clima, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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