Por Stella Legnaioli
A revolução silenciosa que redefine o mercado global de veículos elétricos vem da China. A montadora BYD, sediada em Shenzhen, está prestes a superar a Tesla e se tornar a maior vendedora mundial de carros elétricos em 2025. Essa virada histórica reflete um conjunto de estratégias industriais e políticas que reposicionam o país asiático no centro da transição energética, ao mesmo tempo em que desafiam o domínio tecnológico dos Estados Unidos.
A força da BYD está em seu domínio da cadeia produtiva. Diferentemente de muitas concorrentes, a empresa fabrica suas próprias baterias, chips e componentes-chave, reduzindo custos e garantindo estabilidade diante de flutuações globais. Essa integração vertical permite ajustar preços rapidamente e sustentar margens de lucro mesmo em períodos de instabilidade no mercado.
Além do controle sobre a produção, a BYD aposta em uma expansão geográfica meticulosamente planejada. Fábricas em construção na Hungria e planos para outras regiões fora da China demonstram uma busca por presença local, estratégia que evita tarifas impostas por governos ocidentais e reduz a dependência de exportações diretas. A empresa se posiciona, assim, como uma montadora global com raízes asiáticas e ambições planetárias.
O apoio do governo chinês tem sido decisivo. Subsídios e incentivos fiscais mantêm os preços competitivos, estimulando a adoção de veículos elétricos tanto dentro quanto fora do país. Essa política industrial favorece o avanço tecnológico e a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que fortalece o papel da China como potência verde emergente.
Enquanto isso, a Tesla enfrenta um cenário mais desafiador. O fim dos créditos fiscais para compradores de elétricos nos Estados Unidos, o desgaste político de Elon Musk e o aumento da concorrência têm pressionado as vendas da marca americana. Analistas preveem uma desaceleração nas entregas anuais, com quedas especialmente acentuadas na América do Norte e na Europa.
A BYD também adota uma abordagem de diversificação que amplia sua vantagem competitiva. A empresa oferece tanto veículos totalmente elétricos quanto híbridos plug-in, adaptando-se à realidade de países cuja infraestrutura de recarga ainda se desenvolve. Essa estratégia garante acesso a uma base de consumidores mais ampla e fortalece a presença em mercados emergentes da Ásia, América Latina e Oriente Médio.
Especialistas do setor afirmam que a BYD está transformando sua expansão em um modelo de independência tecnológica. Ao construir cadeias de suprimento regionais e investir em pesquisa fora da China, a montadora reduz vulnerabilidades e prepara o terreno para enfrentar futuras disputas comerciais. Sua ascensão mostra que a transição energética global será moldada não apenas por inovação, mas também por planejamento industrial e diplomacia econômica.
Com mais de dois milhões de veículos elétricos vendidos em 2025, a BYD não representa apenas uma rival para a Tesla, mas um símbolo do amadurecimento da indústria automobilística chinesa. A combinação de eficiência produtiva, apoio estatal e visão de longo prazo está redesenhando o mapa da mobilidade elétrica mundial — e colocando a China no comando da nova era automotiva.
Utilizamos cookies para oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar pelo site você concorda com o uso dos mesmos.
Saiba mais