Alimentação

O preço ecológico da carne: estudo propõe taxação para reduzir danos ambientais da dieta europeia

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O consumo de alimentos na União Europeia responde por até 71% de alguns impactos ambientais, como poluição por nitrogênio e perda de biodiversidade, segundo uma nova investigação. Estudo do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK), publicado na revista Nature Food, analisou a pegada ecológica da dieta dos europeus e avaliou mecanismos de preço para desincentivar produtos mais danosos. A pesquisa aponta que a simples remoção de benefícios fiscais para a carne poderia ser um primeiro passo rápido e efetivo.

Utilizando dados representativos de gastos das famílias nos 27 países-membros e um modelo de análise de cadeias produtivas, a equipe quantificou como as escolhas alimentares pressionam o clima e os ecossistemas. Os resultados são contundentes: quase um quarto (23%) das emissões de gases de efeito estufa geradas direta ou indiretamente pelos lares europeus vêm do setor alimentar.

Atualmente, 22 dos 27 países da UE aplicam uma taxa reduzida de Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) à venda de carne, um produto com alta carga ambiental. Se esse benefício fosse retirado e a taxa padrão fosse aplicada, os danos ambientais totais decorrentes do consumo de alimentos cairiam entre 3,5% e 5,7%, dependendo da categoria de impacto analisada.

O custo extra médio para cada família seria de 109 euros anuais em gastos com comida. Contudo, as receitas fiscais adicionais geradas para os governos – cerca de 83 euros por domicílio – poderiam ser usadas para compensações sociais, como um repasse per capita. Dessa forma, o custo líquido final ficaria em aproximadamente 26 euros por ano por família.

Os pesquisadores também simularam um cenário mais abrangente, no qual um sinal de preço ambientalmente consistente seria aplicado a todos os alimentos, com base nas emissões de gases de efeito estufa de cada produto. Um sobrepreço geral de cerca de 52 euros por tonelada de CO₂ equivalente alcançaria uma redução similar nas emissões do setor alimentar.

Um imposto ambiental diferenciado como esse reduziria ainda mais os outros impactos para além das mudanças climáticas. Seus efeitos poderiam ser ampliados com o tempo para enfrentar de forma mais completa crises como a da biodiversidade. Nesse cenário ideal, os custos líquidos para as famílias cairiam para 12 euros anuais.

A implementação de um sistema tributário tão detalhado, porém, é vista como complexa e de longo prazo. Por isso, a equipa defende que o ajuste no IVA da carne representa uma medida inicial viável e de efeito relativamente rápido. A mudança criaria um incentivo econômico para escolhas alimentares menos prejudiciais, alinhando o preço no prateleira com parte dos custos reais que a produção impõe ao planeta.

Stella Legnaioli

Jornalista, gestora ambiental, ecofeminista, vegana e livre de glúten. Aceito convites para morar em uma ecovila :)

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