Imagem de Aakash Dhage no Unsplash
Todo dia, ao respirar e se alimentar, o organismo humano absorve pequenos fragmentos de plástico sem que haja percepção. Essas partículas microscópicas, menores que 5 milímetros, já foram detectadas em órgãos como pulmões, placenta e vasos sanguíneos. Estudos recentes apontam que os microplásticos se alojam no corpo e interagem diretamente com a microbiota intestinal, podendo contribuir para o surgimento da doença inflamatória intestinal (DII).
A produção desses resíduos acontece de duas formas: alguns são fabricados de propósito — caso do glitter e da purpurina —, enquanto outros resultam da degradação de objetos maiores, como sacolas e canos, expostos à erosão natural. Por menor que pareça, o acúmulo semanal pode chegar a 5 gramas por pessoa, considerando fontes como tábuas de corte, água potável e alimentos processados.
Medir com precisão a quantidade de microplásticos dentro de um indivíduo, porém, continua sendo um desafio técnico. Amostras biológicas contêm gorduras e outros resíduos que enganam os equipamentos de análise. Além disso, ainda há debate científico sobre se essas partículas conseguem invadir a corrente sanguínea e se instalar em tecidos profundos.
O que já ficou mais claro, graças a experimentos com camundongos publicados no Journal of Hazardous Materials, é o impacto na saúde intestinal. Roedores expostos a microplásticos de poliestireno tiveram redução de bactérias benéficas, queda na produção de butirato — um metabólito essencial para a imunidade e a barreira intestinal — e aumento da inflamação típica da DII. Essa condição, que afeta cerca de uma em cada 123 pessoas no Reino Unido, provoca dores abdominais severas, diarreia, perda de peso e fadiga.
A boa notícia, ainda que distante, vem da própria microbiota. Pesquisas iniciais indicam que algumas espécies de bactérias intestinais humanas têm capacidade de degradar certos tipos de microplástico. Com o avanço da tecnologia, vislumbra-se um futuro no qual esses microrganismos seriam aliados na descontaminação tanto do ambiente externo quanto do sistema digestivo. Enquanto isso não acontece, a redução do consumo de plásticos descartáveis e o fortalecimento da alimentação rica em fibras — que estimula bactérias produtoras de butirato — são medidas concretas de proteção.
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