Educação Ambiental

Jogo criado na USP usa cartas e cooperação para ensinar sustentabilidade e urgência climática

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Por Claudia Costa – Jornal da USP | O jogo de cartas Emergência Climática, criado pelo professor Alex Virgilio, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, propõe uma experiência cooperativa, implementando ações sustentáveis para impactos positivos sobre as mudanças climáticas. Em apenas 10 minutos, as equipes precisam alocar dados e completar padrões nas cartas, exercitando o raciocínio estratégico. 

Segundo o professor, a ideia surgiu em 2024 com o projeto Aplicação de experiências lúdicas com jogos de tabuleiro modernos no contexto de inclusão, pertencimento e ODS-ONU. Desenvolvido com apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU), via edital USP Sustentável e contemplado também em uma chamada da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) para fomento de ações de inclusão e pertencimento, além do apoio da diretoria do Cena, localizado no campus de Piracicaba, também foi inaugurado um novo espaço dedicado a atividades com jogos. Como conta o professor, o interesse foi imediato e já foram iniciadas atividades semanais em grupo, e eventos de extensão para pessoas com mais de 60 anos. 

Como houve grande interesse em outras unidades da USP, o professor conta que foi criado o LUdUSP, uma iniciativa voltada à divulgação de atividades lúdicas com jogos analógicos em diversas unidades da USP, citando como exemplos o Cena, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), a Escola Politécnica (Poli), a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) e o Instituto de Física (IF), entre outras. Recomendado para crianças a partir de 12 anos, o jogo parte da premissa de oferecer uma experiência mais significativa, constituindo um importante contraponto ao uso excessivo de tecnologia. 

Além disso, ele destaca que jogos analógicos são atividades lúdicas que exigem a presença física e a interação entre os participantes, sendo uma excelente ferramenta para estimular habilidades sociais, como comunicação, trabalho em equipe, liderança, gestão emocional e empatia.

O jogo

Emergência Climática é um material que permite a educadores uma abordagem mais leve e interativa sobre temas de sustentabilidade. “De natureza cooperativa e com regras simples, o jogo propõe aos participantes a alocação de dados de cores diferentes, resolução de cartas-problema e realização de ações sustentáveis para mitigar/eliminar efeitos das mudanças climáticas”, explica. 

Ao todo são 56 cartas de ações sustentáveis, sendo 17 dessas os próprios Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Ao completar os padrões de cores, números e disposição espacial dos dados, os jogadores ganham pontos. Ao final do jogo a equipe poderá verificar pela soma de pontos qual nível de sustentabilidade foi alcançado. 

Com duração de apenas 10 minutos por partida, contada com um cronômetro regressivo, o jogo reforça a sensação de urgência, de maneira bastante imersiva e emocionante. “Além do módulo básico do jogo, elaboramos a expansão Planeta Vivo, que introduz mais complexidade e dinamismo ao jogo”, completa, contando ainda que são quatro módulos individuais com cartas de nível mais alto, cartas de eventos climáticos extremos, adição de dados coringas e possibilidade de utilizar personagens com habilidades únicas. A expansão insere mais estratégia, aleatoriedade e necessidade de coordenação entre os participantes.

Como jogar

Emergência Climática pode ser jogado entre 1 a 5 jogadores, sendo recomendado para jogadores a partir dos 12 anos de idade. O funcionamento é bem simples. Na preparação, cada jogador compra 2 cartas e as deixa na área de jogo à sua frente. Em uma sacola de pano são colocados 5 dados de cada cor (verde, azul, amarelo, vermelho e preto) e o cronômetro de 10 minutos é iniciado. 

Em um exemplo de uma partida para 3 jogadores, o jogador inicial retira 3 dados da sacola e os rola. Após discussões sobre quem ficará com qual dado, cada jogador escolhe então um único dado para ser alocado em sua carta. Completada essa ação por todos, a sacola é passada para o próximo jogador que retira mais dados para o início de uma nova rodada. Esse processo se repete durante todo o curso do jogo.

Capa e cartas do jogo – Foto: Divulgação / Cena USP

Para alocar os dados, é preciso entender como funciona a anatomia de uma carta de ação sustentável. Na ilustração abaixo temos um exemplo das cartas “ODS 4 – Educação de Qualidade” e “Economia e Uso Eficiente da Água”. Cada carta possui um nível (número no canto superior esquerdo) e um texto descritivo da ação ou impacto causado pela sua implementação no mundo real. 

Para completar a carta de ODS, o jogador deverá posicionar um dado verde ou preto na primeira posição, um dado azul ou vermelho na segunda e um dado amarelo na terceira posição. Note que nesse caso não há restrição do número mostrado na face do dado escolhido. Para completar a segunda carta, é necessário empilhar dados para formar uma “pirâmide”: a base deve conter dados de face “4” e “5’ e o topo um dado com face “6”. Nesse caso, não há restrição de cores.

Supondo que dentre os dados disponíveis na mesa, o jogador A escolha um “4 – azul”, o qual poderia alocar esse dado na posição 2 da primeira carta do exemplo (que admite qualquer dado azul) ou na posição 1 da segunda carta (que admite dados 4 de qualquer cor). Uma nova rodada se inicia e o jogador deverá alocar dados seguintes até completar os requerimentos da carta. Quando todos eles forem concluídos, o jogador separa a carta completada em um monte, compra uma nova carta para sua área de jogo e devolve os dados para a sacola.

Ao final dos 10 minutos é feita a soma dos pontos (correspondente ao nível da carta) e o resultado final é comparado com um ranking de sustentabilidade disponível no manual, para o grupo verificar seu desempenho na partida.

Pessoas jogando em área dedicada a jogos de tabuleiro na USP em Piracicaba – Foto: Divulgação/Cena-USP

Distribuição

O jogo nasceu sem propósito comercial e teve uma tiragem bastante reduzida, com algumas cópias apenas, informa o professor. Mas, diz ele, por já estar pronto e envolver componentes simples (principalmente cartas de papel e dados), o custo unitário é bastante reduzido, sendo uma ferramenta acessível e com grande potencial educacional. Ele também informa que existe a possibilidade de estabelecer parceria com uma editora para viabilizar o lançamento para um público ainda maior. 

O professor conta que ainda não houve tempo hábil para apresentar o Emergência Climática a educadores e aplicá-lo em sala de aula, embora algumas ações nesse sentido já tenham sido iniciadas. “A intenção é buscar também um apoio que viabilize a reimpressão do jogo e distribuição em escolas para propagar o conhecimento sobre os ODS e conscientizar os participantes sobre a necessidade de realizar ações sustentáveis para salvar o planeta”, conclui.

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Este texto foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.

Bruna Chicano

Cientista ambiental, vegana, mãe da Amora e da Nina. Adora caminhar sem pressa e subir montanhas.

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