Um novo estudo revelou que a produção de ração para cães representa 1% de todas as emissões de gases do efeito estufa do Reino Unido. A descoberta foi publicada nesta quinta-feira (08) no Journal of Cleaner Production.
Foi revelado que a ração seca é responsável por menos emissões do que as alternativas molhadas e cruas.
Ademais, os pesquisadores realizaram uma análise entre diferentes marcas de rações e descobriram que os alimentos de maior impacto são responsáveis por até 65 vezes mais emissões do que as opções com menor impacto.
Para chegarem às conclusões, cientistas das Universidades de Edimburgo e Exeter utilizaram informações de rótulos de ingredientes e nutrientes para calcular a pegada de carbono de quase mil alimentos comerciais para cães, com base nas emissões geradas durante a produção dos ingredientes. A amostra incluiu uma seleção de alimentos secos, úmidos e crus, incluindo opções à base de plantas e sem grãos.
Durante a análise, os especialistas estimaram que produzir ração suficiente dos tipos consumidos no Reino Unido para todos os cães do mundo poderia gerar emissões de gases de efeito estufa equivalentes a mais da metade das emissões provenientes da queima de combustível de aviação em voos comerciais a cada ano.
Essas emissões podem ser atribuídas ao alto consumo de carne durante a produção desses alimentos.
O uso de grandes quantidades de carne de primeira qualidade — que de outra forma poderia ser consumida por humanos — aumenta as emissões, enquanto o aproveitamento de partes nutritivas da carcaça, que têm baixa demanda, ajuda a limitar o impacto ambiental.
Segundo os pesquisadores, tutores que desejam reduzir as emissões de seus animais podem procurar por alternativas com um menor teor de carne de primeira qualidade. Além disso, o aumento do consumo de alimentos para cães à base de plantas também ajuda a reduzir as emissões.
“Como veterinário atuante na área de sustentabilidade ambiental, vejo com frequência tutores divididos entre a ideia de que cães são “lobos” carnívoros e o desejo de reduzir os danos ambientais. Nossa pesquisa demonstra a magnitude e a variabilidade do impacto climático da ração canina”, disse o investigador principal do estudo, John Harvey, da Royal (Dick) School of Veterinary Studies da Universidade de Edimburgo.
“É importante que os tutores saibam que optar por alimentos sem grãos, úmidos ou crus pode resultar em impactos maiores em comparação com as rações secas tradicionais. A indústria de alimentos para animais de estimação deve garantir que os cortes de carne utilizados sejam de tipos que não são normalmente consumidos por humanos e que a rotulagem seja clara. Essas medidas podem nos ajudar a ter cães saudáveis e bem alimentados, com uma pegada ecológica menor no planeta”, finalizou o especialista.
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