Meninos sudaneses brincam com um brinquedo improvisado feito de latas e tampas de garrafa em um assentamento em Ajdabiya, na Líbia | Foto: OIM 2025 / Mouaid Tariq Duffani
Por ONU News | Diante de um número cada vez maior de crises no mundo, as Nações Unidas apelaram aos países que promovam uma ação global mais robusta para proteger meninos e meninas em todo o globo. A representante especial da ONU sobre violência contra crianças, Najat Maalla M’jid apresentou o relatório anual sobre o tema numa altura em que quase 45 milhões de menores estão deslocados.
Os esforços coletivos para acabar com a violência infantil não têm acompanhado os riscos. Na apresentação à Assembleia Geral, Maalla M’jid lembrou que quase 19% das crianças do mundo vivem em zonas de conflito. O número representa um aumento acentuado em relação aos 10% vistos na década de 1990.
Entre 2010 e 2024, o número global de crianças deslocadas quase triplicou. Até ao final de 2024, perto de 50 milhões menores tinham abandonado as suas casas devido aos conflitos e à violência.
As alterações climáticas também têm agravado os riscos. O documento revela que 1,1 bilhão de crianças permanecem expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos.
Paralelamente, a subida dos preços dos alimentos e da energia, bem como a inflação e a incerteza económica surgem como fatores significativos de vulnerabilidade infantil em todo o mundo.
Na sua apresentação do documento, Najat Maalla M’jid frisou que uma em cada cinco crianças vive em pobreza extrema. Mas isto não ocorre apenas em países de rendimento baixo.
A par da instabilidade dos preços e da insegurança alimentar, a representante alertou também para os impactos da disseminação rápida de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, IA.
Ao mesmo tempo que promovem oportunidades, estes sistemas também facilitam a exploração sexual infantil, o bullying cibernético, a criação de deepfakes e o recrutamento para atividades criminosas, avisou.
Maalla M’jid citou o primeiro estudo global da ONU sobre violência contra crianças, publicado em 2006, que demonstrou que a situação ocorre em todos os países e em todos os ambientes, seja em casa, na escola ou nas comunidades.
Num balanço das últimas duas décadas, a especialista sublinhou a aprovação de novas reformas jurídicas e políticas, mas também destacou as dificuldades em garantir a sua implementação e tornar os serviços acessíveis às crianças e aos seus cuidadores.
Para ela, o estudo histórico realça que a violência é sempre evitável e nunca justificável, observando que essas mensagens também foram reiteradas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Este texto foi originalmente publicado pela ONU News, de acordo com a licença CC BY-SA 4.0. Este artigo não necessariamente representa a opinião do Portal eCycle.
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