Plástico

Os impactos ambientais do plástico biodegradável

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Uma transição global para plásticos biodegradáveis promete reduzir drasticamente a poluição tóxica e o volume de lixo no planeta até 2050. Contudo, essa promessa só se concretizará com investimentos massivos e imediatos em sistemas avançados de tratamento de resíduos. Sem a infraestrutura adequada, como compostagem industrial, a adoção em larga escala desses materiais pode mais do que duplicar as emissões de gases de efeito estufa, conforme alerta um novo estudo da Escola do Meio Ambiente da Universidade de Yale.

Publicada na revista Nature Reviews Clean Technology, a pesquisa oferece a primeira projeção abrangente sobre os impactos ambientais dos plásticos biodegradáveis em escala planetária, considerando todo o seu ciclo de vida. Os cientistas modelaram cenários que incluíram desde a extração das matérias-primas até as diferentes destinações finais possíveis, incluindo a degradação como microplásticos no ambiente.

Os resultados indicam que a substituição máxima dos plásticos convencionais por alternativas biodegradáveis poderia diminuir a ecotoxicidade em até 34% nas próximas três décadas, com impacto mínimo na demanda energética global. A acumulação de resíduos plásticos no mundo poderia cair até 65%, desde que combinada com uma gestão ideal dos plásticos tradicionais.

O lado obscuro da equação, no entanto, é expressivo. Se descartados em aterros sanitários comuns, os plásticos biodegradáveis se decompõem de forma anaeróbica, liberando metano e elevando potencialmente o total de emissões do setor. Outro ponto crítico é o aumento da pegada hídrica da indústria, que mais do que dobraria devido à água necessária para cultivar a biomassa usada na produção de muitos desses materiais.

A pesquisa ressalta a urgência de padronizar os rótulos desses produtos, um grupo muito diverso de materiais com comportamentos distintos. A confusão do consumidor na hora do descarte pode anular qualquer benefício potencial. Para que a estratégia funcione, é imprescindível educar a população e garantir a separação correta dos fluxos de lixo.

Os autores enfatizam que os plásticos biodegradáveis são apenas uma parte da solução para a crise poluidora. Os plásticos convencionais continuarão a dominar o mercado e exigem atenção redobrada, com expansão agressiva da reciclagem e de outras formas de tratamento. A estratégia mais eficaz combina a minimização do envio de plásticos tradicionais para aterros com o aumento criterioso do uso de alternativas biodegradáveis, sempre acompanhado dos sistemas de tratamento dedicados.

O estudo se baseia em métodos desenvolvidos anteriormente pela mesma equipe para avaliar os impactos dos microplásticos biodegradáveis em cursos d’água. Essas ferramentas permitiram aos pesquisadores fazer projeções multidisciplinares, considerando variáveis como o crescimento do uso global de plástico e as condições locais de temperatura. O caminho para um futuro com menos poluição plástica, portanto, exige não apenas a inovação nos materiais, mas principalmente uma transformação profunda na forma como as sociedades os descartam.

Stella Legnaioli

Jornalista, gestora ambiental, ecofeminista, vegana e livre de glúten. Aceito convites para morar em uma ecovila :)

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