Cidades Sustentáveis

Muros verdes ativos purificam o ar interno em até 98%

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Em um experimento conduzido em câmara de vidro fechada na Universidade de Sevilha, paredes vegetadas ativas removeram de 96% a 98% dos poluentes presentes no ar em apenas 24 horas. O resultado, obtido por engenheiros agrônomos e biólogos da instituição, coloca os chamados jardins verticais como uma estratégia promissora para combater um grave problema de saúde pública: a poluição do ar em ambientes internos, responsável por afetar desde a produtividade de trabalhadores até a concentração de estudantes.

A equipe de pesquisadores avaliou cinco espécies distintas dentro da câmara hermética, onde foram liberados poluentes gasosos, como dióxido de enxofre (SO₂) e dióxido de nitrogênio (NO₂), além de compostos orgânicos voláteis, incluindo formaldeído, acetona e hidrocarbonetos. Os dados, publicados na revista Atmospheric Environment, mostraram que a eficiência de remoção variou conforme o tipo de planta e o poluente analisado.

Entre as espécies testadas — Spathiphyllum wallisii, Tradescantia zebrina, Philodendron scandens, Ficus pumila e Chlorophytum comosum — o lírio-da-paz (Spathiphyllum wallisii) se destacou pela capacidade de reduzir o NO₂ em 60% já na primeira hora de exposição. Quinze minutos após a injeção dos compostos orgânicos voláteis totais, todas as plantas já apresentavam uma redução de 24% a 40%.

As fontes internas desses contaminantes são variadas e comuns em edificações: solventes de tintas, perfumes, materiais de construção, móveis, fumaça de tabaco e até produtos de limpeza e cozinha. Já as fontes externas, como poeira urbana, também contribuem para a deterioração da qualidade do ar respirado dentro de escritórios, escolas e residências.

O sistema utilizado pelos pesquisadores da Escola Técnica Superior de Engenharia Agronômica de Sevilha, conhecido como parede viva ativa, inclui um mecanismo de recirculação de ar que força a passagem dos poluentes pelas plantas e pelo substrato. A remoção mais expressiva foi registrada para o formaldeído e o dióxido de enxofre, dois dos principais vilões da qualidade do ar interno.

Os resultados reforçam que a escolha das espécies não pode ser meramente estética: enquanto algumas plantas são mais eficientes na captura de compostos orgânicos voláteis, outras atuam com maior eficácia na absorção de gases provenientes da queima de combustíveis. A integração desses sistemas verticais na arquitetura dos edifícios surge, assim, como uma medida que alia design, bem-estar e tecnologia para ambientes mais saudáveis.

Stella Legnaioli

Jornalista, gestora ambiental, ecofeminista, vegana e livre de glúten. Aceito convites para morar em uma ecovila :)

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