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Fumaça de incêndio florestal pode causar danos à saúde

Imagem de Ria Sopala por Pixabay

Incêndios florestais e queimadas de grandes proporções têm sido observados em diversas regiões do planeta. A exposição a altos níveis de poluentes atmosféricos emitidos durante esses eventos podem causar uma variedade de danos à saúde humana, como problemas respiratórios e câncer de pulmão.

Estudos afirmam que, quando inalados, os poluentes oriundos da fumaça, como monóxido de carbono e dióxido de carbono, são distribuídos pelo corpo na corrente sanguínea, provocando inúmeros problemas de saúde.

Dados do Laboratório de Análise e Processamentos de Imagens de Satélite apontam que só em Cuiabá, cidade afetada pelas queimadas que ocorreram no Pantanal, o índice de monóxido de carbono está em torno de 738 partes por milhão. A máxima aceitável desse gás na atmosfera é de 50 partes por milhão. Por conta disso, especialistas relataram um aumento nos atendimentos relacionados a problemas respiratórios causados pela fumaça de incêndios florestais na região.

Quais os efeitos das queimadas na saúde humana?

Apesar de não serem facilmente vistos, os materiais particulados que ficam no ar após incêndios – especificamente, partículas que medem não mais do que 2,5 micrômetros – quando inalados, podem causar diversos danos à saúde. Em curto prazo, a exposição pode causar dificuldade para respirar, dor e ardência na garganta, dor de cabeça, lacrimejamento e vermelhidão nos olhos. Além disso, pesquisas mostram que a exposição também pode prejudicar os pulmões, os vasos sanguíneos e o sistema imunológico, provocando graves danos à saúde.

De acordo com Guilherme Pulici, alergista e médico do Hospital de Urgências e Emergências da cidade de Rio Branco, “ao entrarem nos pulmões, as partículas aumentam a inflamação, o estresse oxidativo e provocam danos genéticos nas células de pulmão humano. O dano no DNA é tão grave que pode provocar incapacidade de sobrevivência ou a perda do controle celular, causando uma reprodução desordenada e evoluindo para câncer de pulmão”.

“Embora em um primeiro momento outros órgãos não pareçam ser afetados, já sabemos que, de forma direta ou não, a fumaça tem relação com o aumento da prevalência de infarto, AVC, maior risco de câncer e até doenças crônicas”, explica ele. Vale ressaltar que essas partículas podem ficar suspensas no ar durante dias e, com os ventos fortes podem ser carregadas para distâncias de milhares de quilômetros.

Pesquisas indicam que a fumaça é carregada de micróbios

Pesquisas indicam que a fumaça de incêndios florestais também está carregada de bactérias e fungos. Em vez de perecer, esses micro-organismos são transportados em partículas de carbono e vapor d’água, enquanto o calor do incêndio impele toda a sujeira para o céu. Se eles terminarem em gotículas de água, isso pode protegê-los da dessecação enquanto viajam a favor do vento.

Quando um incêndio atinge uma paisagem, ele perturba o solo tanto diretamente quanto indiretamente. Todo aquele ar quente e ascendente cria um vazio atmosférico perto da superfície, fazendo com que mais ar entre pelas laterais. Isso pode produzir ventos fortes que varrem a terra, aerossolizando os fungos.

Ao serem inalados, os fungos presentes no solo podem levar a uma condição chamada coccidioidomicose, ou febre do vale, com sintomas que incluem febre e falta de ar. A condição pode progredir para pneumonia ou meningite, uma infecção dos tecidos que cercam o cérebro e a medula espinhal.

Além disso, conforme os incêndios florestais se tornam maiores e mais intensos graças às mudanças climáticas, os pesquisadores estão descobrindo um aumento preocupante nos casos de micoses no oeste americano. Por fim, os esporos de fungos podem atuar como um alérgeno e iniciar o desenvolvimento de asma na população e têm sido associados à diminuição da função pulmonar, hospitalizações e aumento da mortalidade.

Causas dos incêndios florestais

Alguns biomas, como é o caso do Cerrado, possuem condições favoráveis para a ocorrência de queimadas, como o clima quente e seco, baixa umidade, acúmulo de biomassa seca no solo, ventos fortes e até a presença de espécies de vegetais que produzem substâncias inflamáveis, como é o caso de gramíneas da espécie Echinolaena inflexa.

Para os locais que não apresentam as mesmas características, fatores como raios, fogos artificiais, balões, cigarros acesos jogados em áreas próximas à vegetação, podem começar incêndios, mas não são as causas mais comuns. O que causa maior impacto, devastando milhares de hectares, é a queimada utilizada para a expansão agropecuária, prática conhecida como agricultura de corte-e-queimada.

Em primeiro lugar, retira-se as árvores de médio e grande porte e, em seguida, o fogo é usado para queimar as vegetações rasteiras, abrindo uma nova área que será utilizada para criação de gado e para plantação agrícola, as principais atividades econômicas do Brasil. Os impactos à biodiversidade nessas áreas podem ser irreversíveis.

Dicas para quem mora em região onde há fumaça de incêndios florestais

  • Evite praticar exercícios físicos entre 10h e 16h;
  • Evite, sempre que possível, a proximidade com incêndios;
  • Aplique óleos vegetais na pele após o banho para evitar perda de água água;
  • Use máscara ao sair na rua, evite aglomerações e locais fechados;
  • Opte por uma dieta leve, com a ingestão de verduras, frutas e legumes;
  • Mantenha uma boa hidratação, consumindo entre dois a três litros de água todos os dias;
  • Evite sair em horários nos quais a umidade do ar está baixa, geralmente entre 12h e 16h;
  • Use soro fisiológico para umidificar os olhos e o nariz constantemente, ou pratique jala neti;
  • Evite banhos muito quentes e produtos com agentes químicos que tirem a umidade natural da pele;
  • Mantenha os ambientes da casa e do trabalho fechados, mas umidificados, com o uso de vaporizadores, bacias com água e toalhas molhadas.


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