PVDC: conheça as vantagens e desvantagens desse plástico usado em diversas embalagens

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Saiba mais sobre o PVDC, um plástico muito útil presente em diversos produtos que consumimos e que pode gerar controvérsias no descarte pós-consumo

Embalagens PVDC
Imagem de Peggy CCI por Pixabay

Hoje existem diferentes tipos de plásticos incolores, mas tudo começou em 1908 com Jacques E. Brandenberger, um engenheiro têxtil suíço. Sua primeira ideia surgiu enquanto ele jantava em um restaurante e um cliente derrubou vinho na toalha de mesa. O garçom trocou a toalha e Jacques decidiu criar uma película flexível que tornasse a toalha impermeável. Houve vários experimentos com diferentes materiais, mas quando ele aplicou viscose líquida descobriu algo diferente. A toalha ficou dura, mas ele percebeu que um filme transparente começou a descascar da toalha. Assim foi criado o papel celofane, o primeiro filme plástico transparente. Após diversos avanços, o celofane recebeu um revestimento de poli(cloreto de vinilideno), ou PVDC. Esta aplicação criou uma barreira impermeável para o oxigênio e umidade, produzindo a primeira embalagem não metálica para comida.

Mas o que é PVDC?

Hoje, o PVDC é um copolímero muito parecido com o PVC, usado em diversas embalagens, principalmente de alimentos e medicamentos. Sua função geralmente é de película final, servindo como vedação do produto. Como é um material caro, cerca de 85% do PVDC produzido é utilizado como uma película bem fina junto com outros materiais mais baratos, como PET, BOPP, papel, entre outros formando um filme laminado. A nomenclatura comercial mais conhecida para o PVDC é a resina Saran, que possui de 20% a 30% de PVC.

Onde se encontra o PVDC?

O PVDC vem sempre acompanhado de outros materiais. Em alimentos e cosméticos ele é bastante usado nas embalagens flexíveis, já nos medicamentos, ele é usado nas embalagens tipo blister (aquelas cartelas de comprimido, veja a imagem abaixo). Sua excelente funcionalidade fazem com que ele seja muito usado em produtos que precisam ser bem preservados.

Blister
Foto de Pixabay no Pexels

Nos Estados Unidos o BOPP revestido com PVDC faz parte de 53% das embalagens da categoria de alimentos secos. Já no setor farmacêutico esse número é ainda maior, cerca de 67% das embalagens de blister usam filme de PVDC.

Embalagens de salsicha, leite, carne processada, queijo, cereal, café, biscoitos, molhos, sopas, ou aplicado em embalagens stand-up pouch, pouches e sachês para alimentos gordurosos, e cobertura para bandejas de massa fresca ou frios também podem conter PVDC.

Filmes para embalagem com atmosfera modificada ou a vácuo podem conter uma película de PVDC. Nas embalagens com atmosfera modificada o ar é retirado e substituído por uma específica mistura de gases controlado, isso aumenta bastante a vida útil do produto. Por exemplo, uma carne em refrigerador dura quatro dias; com embalagem de atmosfera modificada dura 12 dias. Café em temperatura ambiente, passa a durar de três ara 548 dias.

Vantagens

Entre os plásticos mais utilizados no mercado, o PVDC possui algumas vantagens:

  • Melhor barragem de gases, vapores, aromas e gorduras;
  • Boa adesão;
  • Uma das menores taxas de permeabilidade de ar;
  • Baixo peso da embalagem;
  • Aumento da vida útil;
  • Embalagem mais translúcida;
  • Boa resistência.

Assim esse filme plástico preserva o sabor e as características do produto, aumentando sua durabilidade e qualidade.

Desvantagens

Mas como sempre existe um porém, temos que analisar todo o ciclo do produto, se este é facilmente reaproveitado ou reciclado. Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelecer que as embalagens fabricadas devem utilizar materiais que priorizem a reutilização ou reciclagem de maneira tecnologicamente viável, o PVDC não é um exemplo de material fácil de ser reciclado, porém é bastante usado.

Hoje existem três principais tipos de tratamento de materiais plásticos. A técnica mais usada no Brasil é a reciclagem mecânica, pode ser aplicada para materiais de um único polímero, mas materiais contendo PVDC apresentam instabilidade térmica nas temperaturas usadas no seu reprocessamento, o que não permite sua reciclagem mecânica.

As embalagens multicamadas requerem tecnologia mais avançada que atendam ao mesmo tempo viabilidade econômica e infraestrutura, que variam muito de acordo com as características locais. A película aplicada nas embalagens é bastante fina e, ao se juntar com outras múltiplas camadas, o seu processo de separação se torna muito complexo.

A reciclagem energética por incineração, que pode transformar plástico em energia ainda não existe no Brasil. A incineração convencional de materiais contendo PVDC representa um grande problema pois existe cloro na sua composição em uma concentração até maior que a existente no PVC. E substâncias halogenadas, ao serem aquecidas, geram compostos tóxicos como dioxinas, que são cancerígenas.

A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) lançou uma cartilha sobre a reciclabilidade de materiais plásticos pós consumo. Embalagens contendo PVDC de alimentos, bebidas, fármacos e higiene pessoal possuem um baixo potencial de reciclabilidade, estando na pior colocação na categoria “parcialmente viável”. Portanto, esse material é difícil de ser reciclado, acabando por ser descartado em aterros sem nenhum reaproveitamento.

O que fazer?

Já existem tecnologias para transformar plásticos em energia e matéria-prima, mas ainda está não está em fase comercial. Também há novos materiais surgindo, o BC 1558 e o CBS2, alternativas mais sustentáveis para substituir o uso do PVDC. Esses materiais não possuem cloro e têm a mesma ou até melhor função de impermeabilidade e resistência que o PVDC.

Tais tecnologias podem demorar um pouco para serem introduzidas em larga escala e de forma viável, portanto o que podemos fazer agora é consumir conscientemente (saiba como identificar um produto com PVDC).

A Associação Brasileira de Embalagens (Abre) recomenda priorizar os materiais que sejam passíveis de reciclagem mecânica e afirma que quanto mais complexo a embalagem for e maior o número de materiais utilizados, mais complexo e caro será o processo de revalorização.

Veja o vídeo (em inglês) sobre a transformação de plásticos que não podem ser reciclados em energia e outras matérias-primas.

Visite a seção Recicle Tudo para mais informações sobre o que fazer com suas coisas antes de descartá-las no lixo comum e também procure o ponto de reciclagem para diversos materiais mais próximo de você!


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