Pesquisa realizada na USP “comprova” teoria econômica de consumo

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Estudo comportamental foi realizado ratos

Quanto mais dinheiro as pessoas têm, mais elas vão consumir? Não necessariamente, de acordo com a Teoria Marginal do Consumo, que estuda a propensão a gastar a partir do aumento da renda de um indivíduo.

Um estudo realizado pela pesquisadora Ana Carolina Franceschini dá suporte a essa teoria. Nele, foi verificado o comportamento de ratos frente ao conceito de renda e oferta de água.

Comportamento

O primeiro passo foi ensinar aos roedores o conceito de renda. Para isso, foi utilizada a Caixa de Skinner, onde um painel com 14 lâmpadas LED indicava quando o esforço do animal ao apertar uma alavanca resultava em recompensa. Ao acionar o mecanismo dez vezes com uma das lâmpadas acesas, o rato recebia água.

O roedor aprendeu então que a luz é o fator que determina o recebimento de água.

Em seguida, foram oferecidas quantidades diferentes de água. Em um primeiro momento, cada luz representava sete gotas de água. Ao pressionar a alavanca 10 vezes o roedor recebia uma gota e, ao realizar o mesmo processo sete vezes, deixava de receber água até o dia seguinte.

Em outro momento os animais passaram a receber água livremente. Dessa vez, as luzes representavam gotas de água com açúcar.

Finalmente, os dados foram colhidos e, ao analisar o comportamento dos ratos frente a essa “variação de renda”, os resultados foram de encontro com os pontos que estabelecem a Teoria Marginal do Consumo.

Resultados

Em um primeiro momento, o consumo de água por parte dos animais aumentou de acordo com sua renda, nesse estudo representado pelas luzes das lâmpadas LED. Mas em um segundo momento, o consumo se regularizou.

De acordo com Franceschini, isso é explicado pelo fato de o esforço gasto para conseguir mais água não era mais necessário, uma vez que o animal já estava saciado.

O estudo foi realizado com ratos por ser praticamente impossível controlar a renda disponível de um grupo de pessoas, tanto a curto, quanto em longo prazo.  Outro fator foi o comportamento dos ratos, que, em determinadas situações são semelhantes aos dos seres humanos.

No entanto, a pesquisa comportamental é extremamente preliminar e não considera todas as especificidades das relações sociais e da reprodução de mercadorias no modelo social vigente. De qualquer forma, ele pode sugerir possibilidades de análises a serem verificadas nos comportamentos humanos.

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