O que as areias nos contam sobre um lugar?

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Coleção da USP tem amostras de todos os continentes; parte dela está on-line e pode ser utilizadas por professores do ensino básico

Areia
Da esquerda para direita: areia de Vìk, na Islândia; Ilha Saona, na República Dominicana; e praia da Armação, litoral do Rio de Janeiro. Imagem: Jornal da USP/Coleções de Areias IGc

Olhando a imagem acima e sem ler a legenda, você saberia dizer que são tipos de areia? Na imagem aumentada, o que parecem pedras coloridas e de diferentes tamanhos dá pistas sobre a origem das areias: erosão de rochas. No Instituto de Geociências (IGc) da USP, em São Paulo, centenas de amostras de diferentes partes do planeta mostram a diversidade do sedimento. Uma parte do acervo está on-line e qualquer pessoa pode conhecer esse mundo microscópico, que vai além da beleza e traz informações científicas sobre a história de uma região.

Como a areia totalmente preta das praias de Vík, cidade no sul da Islândia. “A região está em ambiente vulcânico, os fragmentos de rochas de basalto formaram a areia dando essa coloração ao lugar”, explica a professora Christine Laure Marie Bourotte, do Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental do IGc.

Ela é a responsável pela coleção que começou a ser formada em 2009. Apaixonada pelas areias, a pesquisadora teve a ideia do acervo depois de observar a reação dos estudantes analisando os grãos na lupa. “Eles pareciam crianças, então pensei no acervo como fins didáticos para todos no IGc, para professores do ensino básico e o público em geral. Esse é um lado bonito da geologia e pode ajudar a divulgar a área”, conta Christine.

A geologia é a ciência que estuda a origem, a história, a vida e a estrutura da Terra. A formação permite ao geólogo atuar em áreas como mineração, petróleo, água subterrânea, estudos ambientais, cartografia geológica, pesquisa, ensino, entre tantas outras opções.

Um grão de areia

O estudo da areia integra uma parte da geologia chamada Sedimentologia, dedicada a estudar sedimentos que se formam após a erosão das rochas, seja por ação do vento, água, derretimento do gelo. Além da areia, há o cascalho, o silte e a argila, o que os diferencia é o tamanho. Para ser considerada areia, a partícula deve ter entre 0,06 e 2 milímetros. Se for maior, já entra na classificação de cascalho; menor, ficará entre silte e argila.

A análise do tamanho é a chamada granulometria. Mas é fácil entender os grãos: é só caminhar descalço sobre a areia, e sentir se é muito grossa, grossa, média, fina, muito fina.

Já a coloração está relacionada com as rochas da região. No litoral de São Paulo, a presença de rochas cristalinas como o granito, ricas em quartzo (um mineral), reflete na característica das praias. Na imagem abaixo, a areia da Jureia vista com lupa mostra o que nem sempre conseguimos ver durante uma caminhada na praia: os cristais de quartzo.

E se você já foi a uma praia e saiu brilhando, a culpa poder ser de um mineral. “Encontramos principalmente em praia de areia fina e batida, a mica gruda na nossa pele e parece um ‘glitter’”, brinca a professora do IGc.

Apesar de muito associada a praias, também encontramos o sedimento em lagos, rios, desertos, geleiras. As características serão diferentes dependendo do contexto geológico e climático da região.

Para chegar a esses locais, onde encontramos tanta concentração de areia, ela precisa de ajuda para ser transportada. Nesse caminho, haverá alterações que deixarão marcas nos aspectos físicos do grão: a fragmentação a partir do vento deixa a superfície fosca, e caso haja muito atrito entre os grãos, o formato será mais arredondado. Quando a água é a responsável pelo processo de erosão e transporte, vemos grãos mais brilhantes.

Mas por que estudar areia?

Um fato curioso destacado pela professora do IGc é que a areia não “morre”. No ciclo das rochas, a etapa areia é transitória. “Eu brinco que ela nasce de uma rocha, nada, voa, pratica esportes radicais descendo montanhas, rios, geleiras; faz amigos grudando a outros grãos; envelhece, arredondando seus grãos; encontra um obstáculo e começa a se agrupar; e depois de milhões de anos se torna uma rocha de novo.”

As areias são sedimentos atuais, recentes, mas daqui a milhões de anos se transformarão em arenito, uma rocha sedimentar. “O estudo das rochas sedimentares permite reconstituir ambientes do passado (paleoambientes) da Terra. Elas são os arquivos da história geológica da Terra e são elas que geralmente contêm os fósseis que nos contam sobre a história da vida no nosso planeta”, explica Christine.

Algumas dessas rochas são importantes reservatórios de água e petróleo, por exemplo. Os sedimentos podem conter minerais preciosos ou valiosos economicamente (ouro, diamante, por exemplo), a areia de rios é utilizada na construção civil, areias muito puras são empregadas na tecnologia de ponta, na fabricação de vidro, entre outros.

E se você se interessou sobre o universo das areais, dê uma passada no site do IGc e confira a coleção de areias: colecoes.igc.usp.br/areias.



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