Sono tranquilo? Saiba quais riscos o colchão pode trazer e veja como evitá-los

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Veja como os colchões causam danos à saúde e conheça alternativas de materiais seguros

Você consegue imaginar do que é composto o colchão em que você dorme todos os dias e que passa um terço da vida nele? Os colchões de adultos, crianças e de bebês são constituídos por várias camadas de diferentes materiais, que podem ser naturais ou não. A grande parte dos colchões comercializados possui componentes nocivos à saúde humana. Alguma vez você já sentiu um incômodo com relação ao odor de um colchão novo? Vamos entender mais sobre os riscos do colchão na sua casa.

O uso de colchões ao longo da história tem origem na cultura árabe, e acabou sendo difundido pelos europeus. O produto foi ficando cada vez mais sofisticado, juntamente com a importância que se dava para as camas.

As matérias-primas em sua composição, como crina de cavalo, algodão e retalhos foram sendo substituídas por outros tipos de materiais. Com a transição de uma sociedade industrial para a sociedade do risco (de acordo com a teoria de Ulrich Beck), esses novos materiais passaram a oferecer mais do que conforto e tornaram-se medidas de segurança física e epidemiológica, por meio da adição de compostos retardantes de chamas, fungicidas, bactericidas, entre outras formas de química nociva.

Tanto os colchões de espuma quanto os de mola são constituídos de várias camadas. O processo de fabricação de um colchão inicia-se na escolha da parte central, em seguida vem o preenchimento com espumas e, por fim, a capa de cobertura para acabamento do colchão.

Nos colchões de mola, os metais são colocados na parte central e depois preenchidos com espumas. Os materiais das molas não são tóxicos para a saúde e podem ser reciclados. O impacto negativo no ambiente provocado pela utilização de molas está no processo de mineração.

Tanto nos colchões de mola quanto nos de espuma, são utilizados diversos materiais para o preenchimento e acabamento:

Materiais que apresentam impactos negativos à saúde

O poliuretano é uma espuma plástica derivada do petróleo e que está entre as mais vendidas no mundo, por ser barata e leve. Uma espuma viscoelástica é feita a partir do poliuretano e tem a propriedade de se adaptar as formas de corpo com o tempo.

Além da aplicação do poliuretano em colchões, essa espuma é utilizada em solados de calçados, isolamento acústico, partes de automóveis, como volante e assentos, itens de decoração, produtos domésticos, como esponjas de lavar louça, sofás entre outros (saiba mais "O que é poliuretano?").

Na fabricação do poliuretano são utilizados compostos nocivos à saúde. O diisocianato de tolueno está presente em quase todos os poliuretanos do mercado. Esse tolueno, em temperatura ambiente, é constantemente liberado pela espuma e por meio do ar ou contato com a pele. Esse composto orgânico volátil (VOC), que é considerado extremamente tóxico, causa asma, desmaio e acúmulo de líquido nos pulmões devido ao odor desagradável e dos gases liberados, provoca dor de cabeça, tosse, irritação nos olhos, sensação de embriaguez e aumenta as chances de câncer, sendo classificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) como possível carcinogênico para humanos (Grupo 2B). A espuma de poliuretano provoca impactos negativos no ambiente porque, além de conter substâncias tóxicas, como o tolueno, trata-se de material de difícil reciclagem cujo tempo de decomposição da espuma pode alcançar centenas de anos (saiba mais aqui sobre o poliuretano).

Outra espuma derivada do poliuretano é aquela que contém uma pequena porcentagem de óleos vegetais (soja ou mamona), conhecida como espuma a base de soja ou espuma feita a partir de vegetais. Certamente, esse tipo causa menor impacto negativo ao ambiente, como a redução do uso de petróleo, porém provoca os mesmos efeitos negativos na saúde porque ainda é feita de poliuretano.

O látex sintético é feito a partir de compostos do petróleo e pode ser misturado com látex natural para formar uma mistura. Nesse processo de fabricação do látex sintético, são adicionados compostos orgânicos voláteis (VOCs) que poluem o ar de residências e possuem odor caraterístico: estireno e butadieno. O estireno causa irritação nos olhos, problemas gastrointestinais e aumenta o risco de câncer (Grupo 2B da IARC). O butadieno é classificado pela IARC como carcinogênico (comprovadamente cancerígeno), além de produzir os mesmos efeitos que o estireno.

Retardantes de chamas

Os retardantes de chamas são compostos que possuem a capacidade de reduzir a inflamabilidade de um determinado material que normalmente é altamente inflamável, como os plásticos (saiba mais sobre retardantes de chamas aqui). E apesar de essas substâncias serem utilizadas como medidas de segurança, são notoriamente muito nocivas à saúde. A contaminação por antimônio e retardadores de chama halogenados representados principalmente pelos PBDEs (éteres de difenilas polibromadas) está relacionada ao surgimento de problemas nos rins, pulmões, coração, câncer, disfunções hormonais e problemas reprodutivos.

Existem outros retardantes de chamas menos tóxicos, como o ácido bórico e a sílica hidratada, que podem ser uma opção quando não se tem muita escolha de adquirir produtos com esses compostos. Atualmente, já existem pesquisas que buscam por alternativas não tóxicas de retardantes de chamas.

Materiais menos tóxicos e naturais são alternativas sustentáveis

Se o colchão que você for comprar, ou mesmo o seu atual colchão, for composto pelos materiais listados abaixo, você estará menos exposto a contaminantes tóxicos e, aplicando a sustentabilidade como ingrediente em sua escolha, melhorará sua qualidade de vida.

Látex natural

Esse material feito a partir da seiva da seringueira é, naturalmente, um bactericida. Muitas vezes, componentes orgânicos voláteis são adicionados no processo de fabricação. Para tirar proveito dos benefícios do látex natural, existem colchões que são VOC-free.

Algodão

É um produto natural. Quando orgânico, não contém pesticidas durante a fase de plantio e crescimento. Já o algodão que vem da agricultura tradicional, possui no seu processo de cultivo a adição de pesticidas. Tanto para o algodão orgânico quando para o algodão provindo da agricultura tradicional, é possível que seja adicionado ácido bórico como retardante de chamas (saiba mais aqui sobre a diferença entre agricultura tradicional e orgânica). Ao utilizar um colchão de algodão, após o período em que ele começar a diminuir de volume, é possível preenchê-lo novamente com algodão e ter um "novo" colchão. É importante deixar o colchão feito com algodão no sol, a cada um ou dois meses. 

A lã é um retardante de chamas natural por causa da pouca quantidade de oxigênio presente nas suas fibras e por ser necessário 600°C para iniciar a combustão. Raras vezes pode causar alergias, mas isso pode variar de pessoa para pessoa.  

Fibra de coco e de bambu

Esse material é natural, provindo de um processamento do coco. Assim como a lã, em algumas pessoas pode desencadear alergias. É importante verificar porque é frequente a mistura de látex com a fibra de coco.

Já existem pesquisas que testaram as propriedades da fibra de bambu e concluíram que o material pode ser uma boa alternativa às espumas feitas a partir de poliuretano. 

Se quiser adquirir um colchão ou outros produtos acolchoados que não ofereçam risco de incêndio e riscos à saúde por conta dos produtos tóxicos, opte pela lã, que é um retardante de chamas natural. Ou pelo algodão, fibra de coco e látex natural que contenham os compostos retardantes de chamas menos tóxicos, como o ácido bórico e a sílica hidratada.

É importante também prevenir o risco de incêndios, como não fumar na cama, não deixar velas acessas ao dormir, não deixar crianças brincarem na cama com objetos como isqueiros e acendedores de cozinha e apagar velas ao sair do quarto.  

Reciclagem dos colchões

A reciclagem dos colchões tradicionais, que possuem muitas camadas de materiais nocivos à saúde, como a espuma de poliuretano, retardantes de chamas e outros compostos, como colas, adesivos e sprays bactericidas, é muito dificultada por conta dessa complexidade e mistura de materiais que são de difícil separação. No Brasil, o mercado de reciclagem de colchões não é difundido, tornando o processo mais custoso. Em outros países já existem empresas e medidas tomadas por governos, como em Ohionos Estados Unidos, e em Vancouverno Canadá, que trabalham no processo de reciclagem de colchões. É possível realizar a reciclagem de alguns componentes do colchão, como a madeira, as molas, o algodão e até mesmo a espuma.

O tempo de vida de um colchão é de aproximadamente 11 anos, e, apesar disso, muitos colchões são descartados todos os dias, ocupando muito espaço nos aterros e permanecendo por dezenas ou centenas de anos até ser degradado pela ação dos microrganismos e do tempo. 

Já é possível dar um destino para o colchão que você não utiliza mais, clique aqui e saiba como.


Veja também:

 

Comentários 

 
0 #1 2014-03-31 01:30
Tenho duvidas sobre reciclagem de blister(cartela de medicamentos). Vcs.podem me ajudar?
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0 #2 2014-03-31 01:31
Desejo saber sobre reciclagem de cartela de medicamentos(bl ister)
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0 #3 2014-07-30 19:04
Gostaria de saber como é feito o descarte ou reciclagem das molas.
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