A valorização gradual do bambu

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Propriedades renováveis, beleza e praticidade levam o bambu a se valorizar como matéria-prima de objetos de decoração

Presente em quase todos os cantos do mundo (exceção feita à Europa central) e com mais de 1500 espécies registradas, o bambu é historicamente usado pelo homem para produzir diversos objetos, como móveis, instrumentos musicais, cestos e até casas. Porém, no modo de vida das sociedades ocidentais modernas, ele perdeu espaço para materiais como plástico, metal e cimento. No entanto, a beleza de suas formas, a praticidade de seu uso e o fato de ser um recurso natural renovável fazem com que o bambu comece a ser redescoberto.

“O bambu é uma espécie perene. Após a extração, basta plantar que ele brota de novo. Ou seja, é um recurso natural renovável, além de possuir propriedades físicas que podem substituir alguns tipos de madeira”, afirma o zootecnista e artesão Gustavo Tonhasca, que trabalha com bambu há mais de dez anos e desenvolveu interesse pelo material exatamente por causa dessas propriedades.

Apesar das características, Tonhasca acredita que o aumento da preocupação ambiental ainda não foi determinante para que houvesse uma valorização do bambu como artigo de destaque, apesar de reconhecer um avanço. “Alguns grupos seletos e mais informados procuram o artigo devido às preocupações ambientais, mas ainda é em parte. Muita gente opta pela questão estética e não por seu valor ambiental”, diz o artesão, fazendo a ressalva de que cerca de 90% da população brasileira utiliza o bambu em seu dia-a-dia em objetos como varas de pescar ou varais.

Extração, processamento e crendice
O zootecnista diz que a extração do bambu ainda é muito insalubre, pior do que o corte de cana, e muitas vezes utiliza mão-de-obra escrava, além de haver outros problemas. “Nem todos os tipos de bambu são utilizáveis. Na espécie cana-da-índia, após o processo de cozedura (que visa desidratar parcialmente o material e eliminar o amido para evitar atração de insetos), o bambu é tratado com óleo diesel, altamente poluente” explica. A solução para o profissional seria o investimento em pesquisa, já que muitos arquitetos e engenheiros ainda acreditam na "crendice" de que o bambu precisa ser cortado apenas na lua minguante para não conter insetos. “A lua tem influência em alguns aspectos, mas não nesse”, diz.

Projeto
Gustavo Tonhasca trabalha com objetos avulsos ou com projetos de decoração ambiente utilizando diversas espécies de bambu com diferentes vocações. Cercas, divisórias, construções rurais, forrações, pergolados, revestimentos, entre outros, são os principais objetos produzidos (veja fotos acima).

Para ter mais informações sobre os objetos criados por Tonhasco ou sobre seus cursos, envie um email para Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ou ligue para (11) 99808-6566. O site do autor também oferece um conteúdo muito interessante.

Texto: Alberto Cerri
Fotos: www.designembambu.com.br

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