O que é sustentabilidade: conceitos, definições e exemplos

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Entenda mais sobre o "caminho" até a criação do conceito de sustentabilidade

Sustentabilidade
Imagem de annca por Pixabay

A palavra sustentabilidade deriva do latim sustentare, que significa sustentar, defender, favorecer, apoiar, conservar e/ou cuidar. O conceito de sustentabilidade vigente teve origem em Estocolmo, na Suécia, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Unche), que aconteceu entre os dias 5 e 16 de junho de 1972.

A Conferência de Estocolmo, a primeira conferência sobre meio ambiente realizada pela ONU (Organização das Nações Unidas), chamou atenção internacional principalmente para as questões relacionadas à degradação ambiental e à poluição.

Mais tarde, em 1992, na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92 ou Rio-92), que aconteceu no Rio de Janeiro, foi consolidado o conceito de desenvolvimento sustentável; o qual passou a ser entendido como o desenvolvimento a longo prazo, de maneira que não sejam exauridos os recursos naturais utilizados pela humanidade.

A Eco-92 também deu origem à Agenda 21, um documento que estabeleceu a importância do comprometimento de todos os países com as soluções dos problemas socioambientais. A Agenda 21 trouxe reflexões sobre o planejamento participativo em nível global, nacional e local; e sua meta era estimular a criação de uma nova organização econômica e civilizatória.

A Agenda 21, especificamente do Brasil, tem como ações prioritárias os programas de inclusão social (incluindo distribuição de renda, acesso à saúde e educação) e desenvolvimento sustentável (incluindo sustentabilidade urbana e rural; preservação dos recursos naturais e minerais, ética e política para o planejamento).

Essas ações prioritárias foram reforçadas em 2002, na Cúpula da Terra sobre Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo, que sugeriu a maior integração entre as dimensões social, econômica e ambiental por meio de programas e políticas centrados nas questões sociais e, em especial, nos sistemas de proteção social.

A partir de então, o termo "sustentabilidade", foi incorporado no meio político, empresarial e nos meios de comunicação de massa de organizações da sociedade civil.

Entretanto, os que utilizam o termo "sustentabilidade" não parecem entender as causas da insustentabilidade. Isso porque o desenvolvimento dos países continua a ser medido por meio do crescimento perpétuo da produção, que se dá por meio da exploração dos recursos naturais. Em contraste com esse paradigma surgiu a proposta do decrescimento econômico. Ao lado desse debate, outras visões competem para se posicionar de acordo com a sustentabilidade. Como exemplo disso temos as economias solidária, circular, criativa e regenerativa.

Por que sustentabilidade?

A preocupação com a sustentabilidade, ou melhor dizendo, o uso consciente dos recursos naturais, novas alternativas e ações em relação ao planeta e as implicações para o bem estar coletivo estão em evidência como nunca. O tempo distante, em que sofreríamos as desvantagens do uso irracional dos recursos naturais, já é algo concreto e não mais enredo de livros de ficção científica. Agora, a questão está presente em nosso cotidiano, nas escolas, organizações, empresas e nas ruas de nossas cidades.

O desequilíbrio causado por uma inconsciência ambiental é problema do presente, mas sua origem remonta à Idade Antiga. A pretensa superioridade de nossa espécie e uma errônea interpretação da cultura como algo superior à natureza é uma das bases de nossa civilização e deve ser discutida para que seja possível pensarmos novos caminhos para nossa economia, sociedade e cultura, de modo a garantir a continuidade da existência de nossa espécie no planeta Terra.

Origens do problema

Relatos da "batalha da humanidade contra a natureza" estão presentes desde as primeiras civilizações. Vejamos o exemplo da grande epopeia de Gilgamesh, texto da antiga Mesopotâmia, datado de aproximadamente 4700 a.C.. Em seu estudo, Estela Ferreira nos mostra como essa narrativa é indício do surgimento do antagonismo da cisão entre civilização e natureza, em pleno surgimento do pensamento Ocidental. A luta de Gilgamesh contra Humbaba, o guardião da floresta, simboliza a suposta "vitória" da humanidade contra o mundo natural, que perpassou toda a nossa História e ainda está na arquitetura de nossas cidades, nos nossos padrões de nutrição e em nossas atividades rotineiras.

No início da Idade Contemporânea, a Revolução Industrial e os avanços tecnológicos proporcionaram a exploração de recursos naturais em escala nunca antes vista. Toda a inovação ocorrida nesse período gerou a necessidade de extração de recursos como petróleo e cobre de maneira sistemática e em grande quantidade. Essa guinada tecnológica foi responsável por melhorias e crescimento econômico, mas também grandes problemas decorreram da falta de noção da responsabilidade acerca da necessidade de um crescimento ecologicamente viável e socialmente equânime.

Imersos na mentalidade da época, os ingleses encaravam a poluição das fábricas como característica de uma civilização vitoriosa e próspera, e como diziam na época da Segunda Revolução Industrial, "onde há poluição, há progresso" - sem perceber os possíveis efeitos colaterais do modelo industrial, marcado pela desigualdade social e pelas péssimas condições de vida dos operários, o que torna a questão mais complexa.

O progresso do debate

Nas décadas de 1960 e 1970, iniciam-se as grandes reflexões sobre os danos causados ao meio ambiente, gerando os primeiros esforços de uma consciência ecológica. Gradualmente, o tema deixa de ser uma esquisitice de grupos específicos e se torna desafio global. O lançamento do livro "A Primavera Silenciosa" (1962), de Rachel Carson, torna-se um dos primeiros best-sellers sobre a questão ambiental e marca a inovação do alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Nessa mesma época, tem-se a primeira aparição do conceito de desenvolvimento sustentável, seguida pela ECO 92 e suas 21 proposições. Esses acontecimentos proporcionaram o avanço da discussão sobre a questão ambiental em diversas esferas da sociedade.

A sustentabilidade e nossas atitudes

Os problemas a serem combatidos estão tanto nas atitudes empresariais e governamentais quanto nas nossas escolhas do cotidiano. A sustentabilidade é um conceito relacionado à vida em vários âmbitos, ou seja, é algo sistêmico. Está em jogo a continuidade da sociedade humana, suas atividades econômicas, seus aspectos culturais e sociais e, é claro, ambientais.

Nesse sentido, o conceito de desenvolvimento sustentável propõe um novo modo de vida. É uma nova maneira de configurar a vida humana, buscando que as sociedades possam satisfazer as necessidades e expressar seu potencial. Como mostra o pensador Henrique Rattner, o conceito de sustentabilidade "não se resume apenas explicar a realidade, exige o teste de coerência lógica em aplicações práticas, onde o discurso é transformado em realidade objetiva".

Certamente a transição para esse novo modelo sustentável não acontecerá abruptamente. Como já vimos, foram anos de História até a formação do sistema atual, o que gerou em nossa sociedade arraigados maus hábitos. Mas não é preciso pessimismo: há quem diga que a adaptação gradual já está em andamento. O funcionamento da sociedade de consumo pode deixar de ser predatório e inconsequente para investir em soluções baseadas na inovação, como a tendência ao uso do ecodesign, por exemplo. No entanto, vale ressaltar que a mudança de comportamento é a principal forma de contribuir com a sustentabilidade.


História das coisas, documentário que demonstra o modelo de consumo no mundo atual


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