Calculadora on-line mede o impacto climático do trabalho remoto

eCycle

Ferramenta analisa se houve redução nas emissões globais com a expansão do home-office durante a pandemia

Imagem de Yasmina H no Unsplash

Uma calculadora disponível no site da start-up de análise de dados Watershed permite que os usuários insiram várias informações para avaliar se a alteração das políticas de trabalho remoto ajuda a aumentar ou a reduzir as emissões dos gases do efeito-estufa.

A ferramenta é uma novidade que acompanha uma transformação global no mundo do trabalho, provocada pela pandemia do novo coronavírus: a adoção do esquema home-office em larga escala.

Pouco menos de um mês depois que a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente que havia uma pandemia em curso, em março de 2020, o governo do Estado de São Paulo divulgou que as medidas de isolamento social haviam resultado em uma queda de 50% da poluição na capital paulista, segundo dados da Cetesb.

De fato, em muitas cidades do Brasil e do mundo, o céu nublado clareou, o trânsito diminuiu e até animais inesperados – que incluíam cabras, veados, patos e ursos – surgiram caminhando tranquilamente pelas ruas, como noticiado em diversos veículos de mídia.

Na época, muita gente acreditou que todos esses fenômenos juntos seriam um sinal de que as emissões climáticas e a poluição do ar poderiam diminuir significativamente no planeta se as empresas decidissem permitir que mais funcionários trabalhassem em casa permanentemente.

Entretanto, a nova calculadora da Watershed mostra que as coisas não são tão simples assim. De fato, como revelou reportagem da Fast Company, o impacto do deslocamento é grande: em um escritório de 500 pessoas em Houston, por exemplo, se quase todos que normalmente dirigem sozinhos para trabalhar de repente começassem a trabalhar em casa, as emissões do local de trabalho poderiam cair 58%, e as emissões totais da empresa seriam reduzidas em 9%.

Uma postagem no blog da Watershed aponta que os voos também fazem uma enorme diferença: para uma start-up típica, com cem funcionários, reduzir voos por funcionário de três para dois por ano poderia reduzir as emissões do local de trabalho em até 20%.

Por outro lado, se o trabalho remoto fizer com que mais funcionários da cidade decidam se mudar para os subúrbios, suas pegadas de carbono individuais podem aumentar, porque eles acabariam dirigindo mais. Se um funcionário se mudar para um estado distante, ele pode acabar pegando mais voos de longa distância de volta ao escritório.

Além disso, uma empresa pode pagar por energia renovável em sua sede, mas os funcionários que trabalham em casa podem não ter essa opção. No Reino Unido, uma análise descobriu que o trabalho remoto poderia ter uma pegada maior no inverno, uma vez que o aquecimento de casas individuais é menos eficiente do que o aquecimento um escritório.

Outros fatores não incluídos na calculadora também entram em jogo, como o fato de que algumas pessoas que trabalham em casa podem acabar pedindo mais entrega de comida para o almoço, em vez de ir a pé até o refeitório da empresa ou até um restaurante no quarteirão do escritório.

E, nas cidades onde a maioria dos funcionários opta pelo metrô ou pela caminhada até a empresa, alguns outros fatores podem, na verdade, tornar o trabalho remoto uma opção menos desejável do que o presencial.

Uma postagem no blog da Watershed explica: “Muitas pessoas pensam que a escolha consciente do clima é manter o máximo da equipe trabalhando remotamente pelo maior tempo possível, mas a realidade é mais complicada. O trabalho remoto desloca o carbono: as emissões de energia e alimentos ainda existem, só que nas casas dos funcionários, onde podem ser melhores ou piores do que no escritório”.

Por enquanto, a ferramenta, que foi lançada neste mês, modela somente cinco regiões: São Francisco, Nova York e Houston, nos EUA, Londres, no Reino Unido, e Toronto, no Canadá. Por isso, os resultados não são conclusivos. Em longo prazo, espera-se que uma análise mais profunda possa ser realizada, com a adição de novas informações e a inclusão de mais cidades na modelagem.


Fontes: Watershed Climate e Fast Company


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