Derretimento das geleiras da Antártida triplica e impulsiona aumento do nível do mar

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Continente perdeu 3 trilhões de toneladas de gelo nos últimos 25 anos, contribuindo para um aumento médio de 7,6 milímetros no nível do mar - 40% deles só nos últimos cinco anos

calota polar na Antártida
Imagem: Ian Joughin, Universidade de Washington

A Antártida perdeu 3 trilhões de toneladas de gelo entre 1992 e 2017, fazendo o nível do mar aumentar 7,6 milímetros. A grande preocupação, porém, se deve ao fato de a maior parte dessa elevação ter acontecido nos últimos cinco anos, como reflexo do aquecimento global. É o que revela um estudo divulgado nesta quarta (13) na revista Nature.

Os dados são resultado do mais completo estudo já feito sobre as mudanças sofridas pela camada de gelo da Antártida. 84 cientistas, de 44 organizações, participaram da pesquisa, para a qual foram analisados dados de 24 satélites independentes. O trabalho é um importante alerta para o fato de que os efeitos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos - e podem representar grandes perdas para o futuro.

O derretimento registrado até agora representa uma parcela ínfima em relação ao total de gelo presente no continente. Se derretesse totalmente, o gelo armazenado ali poderia elevar o nível do mar em 58 metros.

Liderado por Andrew Shepherd, da Universidade de Leeds, e Erik Ivins, da Nasa, a pesquisa revela que até 2012 a perda de gelo do continente era estável, a uma taxa de 76 bilhões de toneladas por ano, contribuindo com uma alta do nível do mar média de 0,2 mm por ano. De 2012 a 2017, esse ritmo triplicou, saltando para um perda de 219 bilhões de toneladas por ano – 0,6 mm por ano de aumento do nível do mar.

“De acordo com nossa análise, houve um salto na perda de gelo da Antártida no última década e o continente está fazendo com que o nível do mar aumente mais rapidamente hoje do que em qualquer outro momento nos últimos 25 anos. Isso tem de ser um motivo de preocupação para os governantes nos quais confiamos que vão proteger as cidades e comunidades costeiras”, disse Shepherd, em comunicado à imprensa.

Analisando imagens de satélite foi possível rastrear como e onde estão ocorrendo as principais perdas e também os ganhos e fazer um balanço líquido da massa de gelo do continente.

A região que mais vem sentindo o derretimento provocado pelo oceano é a Antártida ocidental, que viu a perda de gelo passar de 53 bilhões de toneladas para 159 bilhões de toneladas por ano. Uma animação feita pelos pesquisadores (veja abaixo) mostra que a espessura da plataforma de gelo no local vem afinando em até 30 metros. A maior parte disso ocorreu na Ilha Pine e nos Glaciares Thwaites.



A taxa de perda de gelo da Península Antártica subiu de cerca de 7 bilhões para 33 bilhões de toneladas por ano, como resultado do colapso da plataforma de gelo. Antártica Oriental, por enquanto, o balanço de massa permanece incerto e é indistinguível de zero.



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