Calor extremo na Europa em junho tem relação com mudanças climáticas, dizem estudos

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"Encontramos ligações claras e fortes entre o calor recorde de junho e as mudanças climáticas causadas pelo homem", disse um dos responsáveis pela pesquisa

Incêndio florestal em Portugal

As mudanças climáticas causadas pela humanidade aumentaram drasticamente a probabilidade de ocorrências de ondas extremas de calor, como a vista nos incêndios florestais ocorridos em Portugal e Espanha no verão europeu de 2017, segundo novas pesquisas.

Houve calor severo também na Inglaterra, na França, na Bélgica, nos Países Baixos e na Suíça. Tais temperaturas podem se tornar "normais" em 2050, advertiram os cientistas, a menos que sejam tomadas medidas para reduzir rapidamente as emissões de carbono.

Os cientistas combinaram registros de temperatura e as últimas observações com uma série de sofisticados modelos de computador para calcularem quanto o aumento global de gases de efeito estufa fez crescer as chances de temperaturas elevadas.

Chances bem maiores

Eles concluíram que a onda de calor que atingiu Portugal e Espanha teve dez vezes mais chances de ter ocorrido devido ao aquecimento global. Em Portugal, 64 pessoas morreram em enormes incêndios florestais, enquanto na Espanha 1,5 mil pessoas foram forçadas a saírem de suas casas devido ao riscos do mesmo tipo de incêndio.

O calor intenso foi quatro vezes mais provável de ocorrer no centro da Inglaterra, que passou por seu dia mais quente desde 1976, e também na França, na Holanda e na Suíça, onde planos de emergência para amenizar as ondas de calor foram desencadeados.

A análise foi realizada pela World Weather Attribution (WAA), uma coalizão internacional de cientistas que calcula o papel das mudanças climáticas em eventos climáticos extremos. "Encontramos ligações claras e fortes entre o calor recorde de junho e as mudanças climáticas causadas pelo homem", disse Geert Jan van Oldenborgh, do Royal Netherlands Meteorological Institute e parte da WWA.

Calor mortal

"O calor pode ser mortal - especialmente para os jovens e idosos", disse Friederike Otto, da Universidade de Oxford e também parte da WWA. "Essa análise de atribuição de eventos extremos deixa claro que as ondas de calor europeias se tornaram mais freqüentes e, no sul da Europa, pelo menos dez vezes mais freqüentes. É fundamental que as cidades trabalhem com cientistas e especialistas em saúde pública para desenvolverem planos de ação contra o calor. As mudanças climáticas estão impactando as comunidades no momento e esses planos salvam vidas."

Os conselheiros oficiais do governo do Reino Unido alertaram os ministros que a recusa em garantir que novos edifícios sejam projetados para lidar com altas temperaturas poderia fazer com que mortes anuais relacionadas ao calor mais que tripliquem até 2040. No início de junho, pesquisas mostraram que um terço da população mundial já enfrenta ondas de calor mortais como resultado das mudanças climáticas.

"Os meses quentes não são mais raros em nosso clima atual", disse Robert Vautard, do Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais da França. "Em meados do século, este tipo de calor extremo em junho se tornará a norma na Europa Ocidental, a menos que tomemos medidas imediatas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa".


Fonte: The Guardian


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