Muitas espécies de anfíbios da Mata Atlântica podem desaparecer devido a mudanças climáticas

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Há a possibilidade de animais serem extintos em até 30 anos

Quando falamos de animais ameaçados pelo aquecimento global, o primeiro que vem à nossa cabeça é o urso polar. Mas a ameaça também ronda animais muito mais próximos.

Uma pesquisa feita na Universidade Federal de Goiás (UFG), liderada por Rafael Loyola, mostrou que 12% das espécies de anfíbios da Mata Atlântica podem ser extintas em 30 anos (como a perereca de vidro, na imagem acima) e muitas outras espécies terão de migrar para outros ambientes, pois os locais onde elas estão instaladas, que têm o clima adequado à sua sobrevivência, irão sumir. Espécies mais rústicas vão sobreviver melhor, como a rã-touro, que na verdade não é nativa, foi introduzida no Brasil para fins comerciais. Isso desfavorece as nossas espécies e reforça uma variedade genética que já é antiga e invasora.

Em outra pesquisa, feita na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a equipe de Thais Costa explica que anfíbios são animais ectotérmicos, ou seja, a temperatura de seus corpos depende da temperatura do ambiente para a manutenção de um bom metabolismo. Por isso, as mudanças climáticas podem fazer com que eles sofram muitos danos: fiquem mais suscetíveis a doenças; tenham alterações no tempo de metamorfose; sofram mudanças no comportamento (como no canto de acasalamento e na frequência de alimentação); entre outros.

O Aquário de Vancouver, no Canadá, já publicou imagens que ilustram o enorme desequilíbrio ambiental que seria causado com a extinção dos anfíbios: montagens que ficaram bastante famosas, com a frase: “Se os sapos forem extintos, você vai perceber” (em tradução livre).

De volta ao estudo de Loyola, as espécies que estão ameaçadas têm uma característica em comum que chama muita atenção: modos de reprodução muito específicos para determinados ambientes. Ou seja, qualquer alteração em seu habitat já torna tudo mais complicado. Assim, a solução seria aumentar as áreas protegidas na Mata Atlântica.

O problema é que há dois novos Códigos Florestais em votação, e ambos pretendem diminuir e muito as áreas protegidas: o Projeto de Lei n°1876/99, proposto por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Paulo Piau (PMDB-MG) e outros (veja aqui quem já votou contra e a favor do PL 1876/99, para que ele passasse para a próxima etapa de votação); e o Projeto de Lei n° 5367/09 (seguindo o link, no fim do texto você pode baixar o projeto na íntegra em documento de Word), proposto por Valdir Colatto (PMDB-SC) , Zonta (PP-SC) , Abelardo Lupion (DEM-PR) e outros.

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