Suéter sustentável é feito com proteína fermentada por microrganismos

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Peça feita a partir da fermentação de microrganismos é livre de exploração animal e tem baixo impacto no meio ambiente

Um novo suéter lançado no Japão é a primeira peça de roupa do mundo a ser produzida por fermentação microbiana. O projeto é resultado de uma parceria entre duas empresas japonesas, a Goldwin e a Spiber, como parte de um esforço conjunto para substituir materiais de base petroquímica, amplamente utilizados na indústria da moda, por soluções de base biológica. O suéter parece ser feito de lã – mas, na verdade, o fio veio parcialmente de um biorreator, e não de uma ovelha.

Batizado de “The Sweater”, o suéter desenvolvido por Goldwin e Spiber é a primeira peça de vestuário de malha do mundo feita com Brewed Protein, um biopolímero cujo processo de fermentação microbiana, feito à base de plantas, visa diminuir o uso de produtos de origem animal e plásticos 440 440em várias indústrias. O projeto é precursor em oferecer uma contribuição para iniciativas industriais mais sustentáveis.

Como funciona a nova tecnologia

O novo material foi projetado para imitar tecidos comuns, reduzindo a pegada ecológica. Há mais de uma década, a Spiber começou a desenvolver em laboratório uma versão biotecnológica da seda de aranha, de forma natural e livre de exploração animal. O processo começa projetando os genes para fazer uma proteína específica, como a seda, e depois inserindo os genes em microrganismos que começam a bombear a proteína em tanques de fermentação.

A empresa coloca microrganismos, açúcares e minerais em grandes tanques. Após a cultura, esses microrganismos são separados da proteína, que é seca e transformada em fibra. Em seguida, um moinho gira, torce e tinge o fio. No caso do novo suéter, o material foi combinado com 70% de lã, porque ainda falta material para produzir uma peça 100% com proteína fermentada.

Atualmente, o maior obstáculo para a produção em massa da proteína fermentada é processar a matéria-prima – basicamente a proteína fermentada antes de ser fiada, torcida e tingida em um fio real. Para superar a limitação, a Spiber está construindo uma grande fábrica na Tailândia que permitirá aumentar a produção.

Alternativa de moda sustentável

Em última análise, as empresas preveem que o material comece a substituir os materiais de base fóssil, como o poliéster, ao mesmo tempo que fornece uma alternativa de menor impacto ambiental a materiais como o algodão, que requer grandes quantidades de água, ou a lã, que vem com a pegada ambiental da criação de ovelhas. O tecido de proteína fermentada ainda pode ajudar a reduzir a poluição por microfibras de tecidos sintéticos nos oceanos, um dos grandes problemas do nosso tempo.

A fast fashion é uma das principais contribuintes das mudanças climáticas e um dos consumidores industriais mais vorazes de recursos naturais. Ela é responsável por 8% do total de emissões de gases do efeito-estufa no mundo. Além disso, utiliza tecidos predominantemente à base de petróleo e microplásticos (como poliéster, náilon e outros sintéticos), que são nocivos ao meio ambiente.

A cultura de algodão, outra fibra amplamente usada na indústria da moda, está entre as que mais consomem água no mundo. Tudo isso leva à conclusão de que a maioria dos métodos tradicionais de fabricação de roupas são insustentáveis. Assim, as marcas de roupas devem assumir a responsabilidade de inovar e buscar materiais e métodos de produção mais eco-friendly.

O material também evita o uso de combustíveis fósseis. Hoje, a produção de fibra sintética para a indústria têxtil usa cerca de 342 milhões de barris de petróleo por ano. Já a proteína fabricada pode, futuramente, substituir todo o material dependente de petroquímicos usado em bens de consumo. Além disso, os primeiros testes também sugerem que o novo tecido pode ser biodegradável.

Raridade

Colocar as mãos no The Sweater é quase como ganhar na Mega-Sena. Por causa do longo processo de criação, o suéter de fabricação japonesa será produzido em tiragens limitadas. Até o dia 29 de novembro, consumidores de onze países – Estados Unidos, Japão, Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido, Suécia e Holanda – poderão em uma espécie de “loteria”, determinando quem receberá a oportunidade de comprar a peça. Os vencedores serão notificados por e-mail entre 3 e 10 de dezembro.

Esta será a primeira vez que os biofábricos Goldwin e Spiber estarão disponíveis nos Estados Unidos. No ano passado, as duas empresas uniram forças para criar jaquetas desenvolvidas com a seda de aranha desenvolvida em laboratório a partir da fermentação de proteínas. Infelizmente, as peças só foram vendidas no Japão.

Em parceria desde 2015, Goldwin e Spiber estão se aventurando em uma nova fase, que as chamam de “Vision Quest”, com a estreia de The Sweater. Para eles, este é um projeto que une parceiros de todo o mundo na busca por um futuro melhor, que ajude a preservar o meio ambiente.



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