Congresso Sustentável encaminha propostas de políticas públicas para os presidenciáveis

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Com 500 participantes, discussões reuniram empresários para debater desafios de sustentabilidade

Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), no Teatro Santander, em São Paulo.

A necessidade de implementação de um mercado de carbono e a urgência do melhor uso e tratamento dos recursos hídricos são, atualmente, alguns dos principais desafios que o Brasil enfrenta para alcançar um modelo sustentável de crescimento nos próximos anos. Essas foram algumas das principais conclusões entre os participantes do Congresso Sustentável 2018, realizado na terça-feira (11) pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), no Teatro Santander, em São Paulo.

Durante o evento, que reuniu a mais alta liderança de grandes empresas brasileiras – responsáveis por gerar mais de 1 milhão de postos de trabalho no Brasil em diversos segmentos –, foi apresentada a Agenda CEBDS por um País Sustentável. O documento, que pode ser baixado no site do CEBDS, contém 10 propostas elaboradas pelos CEOs das próprias empresas associadas à organização e destinadas aos candidatos à Presidência da República. Aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética, segurança hídrica, expansão do saneamento básico, soluções para transição a uma economia de baixo carbono, mecanismos financeiros de estímulo a práticas sustentáveis e equidade de gênero no mercado de trabalho são alguns dos temas abordados.

“Independente da polarização e das paixões políticas, o momento das eleições é para questionarmos: para onde estamos indo? Essa crise tem solução? Tem algo que eu possa fazer?”, provocou a presidenta do CEBDS, Marina Grossi, durante a abertura do evento, destacando que a transição para um modelo de desenvolvimento sustentável depende conjuntamente do indivíduo, do coletivo, das empresas e do governo. “A viabilidade do velho modelo econômico está ultrapassada. O setor empresarial brasileiro tem demonstrado na prática que é possível ampliar os investimentos em processos mais sustentáveis e economicamente viáveis”, afirmou.

Mercado de carbono

A adoção do modelo de mercado de carbono como instrumento eficiente para estímulo à redução de emissões foi um dos consensos entre os empresários participantes do congresso. A falta de um engajamento maior do setor público para a aplicação de um sistema, contudo, foi mencionada como um obstáculo a ser superado.

"Somos a favor da precificação do carbono, e entendemos que a melhor forma de fazer isso é olharmos para o crédito de carbono como uma solução que movimenta a economia. O CEBDS tem liderado essa discussão para que metas de intensidade e previsibilidade para o investimento sejam reguladas e mensuradas", disse André Lopes de Araújo, presidente da Shell Brasil.

Saneamento

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, destacou o alto engajamento da sociedade durante as eleições deste ano, que propicia conscientização da população sobre o seu papel no processo de transformação. O executivo destacou, contudo, que o Estado precisa estabelecer condições básicas para garantir a segurança dos investimentos a serem feitos pelo setor privado, e citou o setor de saneamento como exemplo.

“Por que o setor elétrico cresce? Porque existe um arcabouço confiável e claro e, assim, as empresas vêm investir com retorno aceitável. Por que a questão financeira é conturbada quando se trata do saneamento? Porque esse problema não está na nossa tela, mas temos milhões de brasileiros sem água e esgoto”, disse Rial. “É impossível investir no setor sem ter que negociar com 5.600 municípios brasileiros. Assim, o Estado não provê algo fundamental, que é saneamento básico. Não falta dinheiro, não faltam investidores, por isso a sociedade deve se mobilizar”.

As falhas nos sistemas existentes de tratamento de água foram colocadas pela presidente da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia. Ela lembrou que são despejados em rios, mananciais e córregos o equivalente a seis mil piscinas olímpicas de esgoto bruto em todo o País, enquanto 27% dos reservatórios monitorados pela Agência Nacional de Águas (ANA) estão secos.

“A considerar a baixa evolução que tivemos no saneamento nos últimos 10 anos, vamos ter uma grande frota de carros elétricos andando em ruas com esgoto a céu aberto. Essa é a dicotomia, entre tecnologia avançada de energia, por exemplo, e o uso da água”, comparou a executiva.

Energia renovável

O presidente da Vestas Brasil & Cone Sul, Rogerio Zampronha, observou que a energia eólica já representa 9% da matriz energética brasileira. “No ano passado, o volume de emissões de carbono que deixou de ocorrer por causa da fonte eólica é o mesmo que se teria se deixassem de circular 16 milhões de veículos, o que equivale a 85% da frota hoje no estado de São Paulo”.

O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Vasconcelos, apresentou um estudo de viabilidade de financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). “A Febraban vem buscando os caminhos possíveis para uma economia de baixo carbono, e temos avançado nos últimos quatro anos. Cerca de 27% dos empréstimos do setor já são destinados a investimentos de baixo carbono”.

A superintendente de Sustentabilidade e Negócios do Banco Itaú, Denise Hills, estimou que nos próximos cinco anos o setor financeiro no Brasil deverá ter um avanço significativo na incorporação de aspectos socioambientais.

Para André Clark, CEO da Siemens, o Brasil caminha para um powerhouse de geração de energia. “A transição energética passa por três coisas: tecnologia, mudanças climáticas e mercado consumidor. O Brasil foi protagonista em estabelecer marcos, estamos no centro dessas mudanças. Estados Unidos, China e Europa fazem a transição por causa do carvão. Nós fazemos pelo uso da terra e da água”, compara.

O Sustentável 2018 foi patrocinado pelo Santander, Itaú, Braskem, Philip Morris Brasil, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Arapyaú, e contou com apoio da Nespresso e Filtros Europa. O evento terá suas emissões de carbono compensadas, através de compra de créditos de carbono ou plantio de árvores, em parceria com a Neutralize Carbono.


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