Purificador de ar funciona? Como usar?

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Confira como as vantagens e desvantagens do purificador de ar, tipos disponíveis e como usar o aparelho

purificador de ar
Imagem de Chewy em Unsplash

O purificador de ar é uma das alternativas mais simples e práticas para se proteger de poluentes internos. O aparelho promete limpar e renovar o ar doméstico, eliminando todas as impurezas, incluindo odores, fumaça, poeira e pelos de animais domésticos. Como o ar interno pode apresentar níveis de certos poluentes até cinco vezes maiores do que o ar externo, é de se supor que o purificador de ar seja de grande utilidade em uma residência.

Os purificadores de ar geralmente consistem em um filtro ou vários filtros e um ventilador que suga e circula o ar. À medida que o ar passa pelo filtro, os poluentes e as partículas são capturados e o ar limpo é empurrado de volta para a sala. Normalmente, os filtros são feitos de papel, fibra (geralmente fibra de vidro) ou malha e exigem substituição regular para manter a eficiência.

Mas é importante lembrar que, apesar de neutralizarem parte da ameaça representada pela poluição do ar e por atividades internas, os purificadores de ar podem não ser, necessariamente, a solução absoluta para o problema. Alguns modelos, inclusive, deixam a desejar na eficácia que prometem.

O que o purificador de ar faz?

A maior parte dos aparelhos disponíveis no mercado são projetados eficazes na retenção de partículas como fumaça, poeira e pólen, mas não capturam gases como VOCs (compostos orgânicos voláteis) ou radônio. Isso exigiria um adsorvente, como carvão ativado. Na verdade, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos avisa que a funcionalidade dos purificadores de ar é limitada em termos de filtragem de gases e que o usuário deve substituir os filtros com frequência (geralmente, a cada três meses) para obter a funcionalidade ideal. Os alérgenos embutidos em móveis ou pisos também não são capturados por eles.

Além disso, a eficácia dos purificadores de ar em situações do mundo real provavelmente não será a mesma daquela obtida sob condições controladas em laboratório, podendo variar de acordo com a localização, instalação, taxa de fluxo, tempo de operação e condições do espaço. Além disso, há outras coisas acontecendo em sua casa que podem afetar a eficácia, como ventilação (janelas abertas ou fechadas) e o surgimento constante de novas partículas.

Se a sua preocupação é o mofo, experimente apostar em um desumidificador de ar, que poderá ajudá-lo a manter os níveis de umidade adequados em sua casa e evitar o problema, além de aliviar os sintomas de problemas respiratórios. Os purificadores de ar não previnem o crescimento de fungos; por isso, é necessário eliminar a fonte de umidade que está permitindo seu crescimento.

Tipos de purificador de ar

O primeiro tipo de purificador de ar – e também o mais simples deles – é o filtro. Geralmente encontrado em aparelhos de ar condicionado e sistemas de ventilação e aquecimento, ele purifica o ar na medida em que o filtra. As impurezas ficam presas no próprio filtro, em geral feito de espuma, algodão, fibra de vidro e outras fibras sintéticas. Mesmo alguns filtros sendo laváveis, a maioria deles deve ser trocada de tempos em tempos, o que resulta em geração de resíduos nem sempre recicláveis.

O mais eficiente de todos os tipos de purificadores é o filtro HEPA – filtro de ar particulado de alta eficiência, em tradução livre. Ele pode ser feito de qualquer tipo de material, contanto que atenda às especificações do Departamento de Energia (DOE) dos EUA, que determina que 99,97% das partículas de até 0,3 micrômetros de diâmetro presentes no ar sejam filtradas.

Os filtros HEPA capturam partículas de vários tamanhos dentro de uma rede multicamadas, geralmente feita de fios de fibra de vidro muito finos, com intervalos de tamanhos variados. O filtro é hermético e composto por uma densa folha de pequenas fibras plissadas e seladas em uma moldura de metal ou plástico.

O ventilador do purificador de ar puxa o ar para o filtro e as partículas são capturadas no filtro. As partículas maiores (maiores do que as fibras) são capturadas por impactação (a partícula colide com a fibra), as partículas de tamanho médio são capturadas por interceptação (a partícula toca a fibra e é capturada) e as partículas ultrafinas são capturadas por difusão (durante o zigue-zague, a partícula eventualmente grudará na fibra).

O segundo tipo utiliza uma tecnologia baseada na radiação ultravioleta (UV). Estudos mostram que os raios UV têm a capacidade de destruir bactérias, germes e vírus presentes no ar. Sua desvantagem está no fato de ser muito específico, não combatendo todas as impurezas presentes no ar. Entretanto, essa tecnologia pode ser associada a outros tipos de purificadores.

Outro tipo utiliza agentes adsorventes (diferentes de absorventes), como o carvão ativado, como filtro. Graças à porosidade desses materiais, partículas relativamente grandes ficam presas na estrutura do agente, garantindo que o ar fique mais puro. O tipo de tratamento dado ao adsorvente durante sua fabricação é determinante para aferir quais tipos de compostos poderão ser filtrados por ele.

Os dois últimos tipos de purificador são os mais controversos. O primeiro é o purificador ionizador, que, através da emissão de um campo eletromagnético, transforma moléculas em íons, que por sua vez se juntam com os outros íons formados pelo purificador. A ideia é que, ao se juntarem, as moléculas de sujeira caiam no chão.

O problema é que não há testes que comprovem que os aparelhos ionizadores realmente purificam o ar. A discussão sobre o tema acabou resultando em uma batalha judicial entre a revista Consumers Union, que realizou testes provando a ineficácia desses purificadores, e uma fabricante desses produtos.

O mesmo problema é encontrado nos purificadores geradores de ozônio. Assim como acontece com o ionizador, esse purificador também altera a estrutura molecular de componentes presentes no ar. Nesse caso, ele transforma o oxigênio presente no ambiente (O²) em ozônio (O³). Apesar de os fabricantes afirmarem que o O³ desodoriza e desinfeta o ar, não há provas científicas desse fato.

O ozônio é um gás extremamente tóxico e o uso desse tipo de purificador não é recomendado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).

No Brasil, a presença desse tipo de produto no mercado é um pouco confusa. Lembre-se que odorizadores, que deixam o ambiente com cheiro mais agradável, não são purificadores de ar e podem conter substâncias tóxicas.

Muitos não sabem o que são purificadores de ar. Os umidificadores, que são comumente vendidos como purificadores, também não se encaixam nessa categoria. Eles apenas deixam o ambiente mais úmido e são mais apropriados para pessoas com problemas respiratórios.

Antes de escolher o purificador ideal, saiba que o aparelho é cura para tudo. Há muito pouca evidência científica para apoiar a afirmação de que os purificadores de ar ajudem diretamente a melhorar sua saúde ou a aliviar alergias e sintomas respiratórios. Isso se deve em parte ao fato de que é muito difícil separar os efeitos dos poluentes conhecidos da qualidade do ar em sua casa de outros fatores ambientais e genéticos. Por exemplo, como os móveis e a ventilação de sua casa estão afetando a sua saúde, além de quaisquer poluentes internos? Entretanto, se você é alérgico ou asmático, um purificador de ar com filtro HEPA pode ser útil para você, pois será bom na remoção de partículas aéreas finas.

Dicas para manter a qualidade do ar interno

A primeira coisa a se fazer é se livrar da fonte dos contaminantes. Evite que fungos surjam e limpe os lugares mais suscetíveis da sua casa. Não fume e não prepare alimentos que possam produzir uma quantidade muito grande de fumaça dentro da sua casa. Se o problema são os pelos dos animais, restrinja sua presença a lugares específicos da sua casa.

Mantenha as janelas abertas quando for seguro para evitar o bloqueio de substâncias irritantes nos quartos (especialmente quando os purificadores de ar não estiverem funcionando!).

Troque regularmente os filtros de ar para manter a qualidade do equipamento.

Use um exaustor na cozinha (e nas áreas de banho e lavanderia, se possível). Ligue-o antes de pré-aquecer o forno ou acender os queimadores e deixe-o funcionando por alguns minutos após terminar de cozinhar.

Cuidado com a circulação de vírus

Você sabia que os purificadores de ar podem fazer mais mal do que bem em espaços confinados com vírus transportados pelo ar? Segundo um estudo realizado em 2021, a entrada de ar integrada dentro do equipamento purificador induz uma circulação de fluxo que pode contribuir para o transporte de gotículas de saliva contaminada em um espaço fechado, como elevadores.

Os pesquisadores lembram que a qualidade do ar em pequenos espaços pode degradar rapidamente sem ventilação. No entanto, adicionar ventilação poderá aumentar a taxa em que o ar, possivelmente carregado de vírus, pode circular no pequeno espaço. Os fabricantes de elevadores adicionaram purificadores de ar para cuidar desse problema, mas os sistemas não foram projetados para levar em conta seu efeito na circulação geral do ar.

Os investigadores realizaram cálculos para um espaço 3-D equivalente a um elevador com capacidade para cinco pessoas. Uma tosse leve foi simulada em uma posição no espaço, e entradas e saídas de ar foram adicionadas em vários locais para estudar sua influência na circulação. Um purificador de ar também foi incluído na simulação.

De acordo com Dimitris Drikakis, um dos autores do estudo, a pesquisa revela que a instalação de um purificador de ar dentro de um elevador altera a circulação de ar significativamente, mas não elimina a transmissão aérea. Na verdade, os pesquisadores descobriram que o risco de transmissão de vírus pelo ar é menor para taxas de ventilação baixas.

O efeito observado aumenta com o número de pessoas infectadas no elevador. Restringir o número de pessoas permitidas no ambiente, no entanto, pode minimizar a propagação do vírus, bem como melhorar o projeto de purificador de ar e sistemas de ventilação.



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