Milho, cevada e soja no café? Baixa produção do grão aumenta quantidade de "intrusos"

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Notou um sabor estranho no cafézinho de manhã? Talvez não seja só impressão

Pode ser que o cafezinho se torne um "luxo" cada vez mais escasso. Pode parecer exagero, mas um estudo de 2012 encomendado pelo Royal Botanic Gardens, na Inglaterra, mostra que, até 2080, o café estará extinto no mundo. No Brasil (maior produtor e exportador de café no mundo) a estimativa para 2014 é de que sejam produzidas 49,5 milhões de sacas - um queda de 7,8% em relação à safra do ano anterior.

Um dos grandes agentes causadores nessas situações tem sido o aquecimento global. As safras brasileiras não conseguiram se recuperar por conta da estiagem e, dessa forma, muitos produtores aumentam sua margem de lucro adicionando “suplentes” nas sacas de café, segundo afirma uma pesquisa brasileira. Mas o isso significa?

Encabeçada pela professora Suzana Lucy Nixdorf, doutora em Química pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), um time de pesquisadores brasileiros encontrou grãos de milho, cevada, trigo, soja, arroz, feijões e até sementes de açaí, açúcar mascavo e grandes quantidades de madeira e sujeira - um perigo para pessoas alérgicas - em diversas sacas de produtos comercializados por aqui. Os pesquisadores então desenvolveram um novo tipo de teste para identificar e separar esses intrusos do grão de café original.

Atualmente, há testes para saber se existem ou não aditivos indesejados no café, mas esses testes, segundo Suzana, são mais subjetivos do que qualitativos: baseiam-se em testes em microscópios e degustação do café. A técnica desenvolvida pela professora utiliza cromatografia líquida e ferramentas estatísticas. Isso dá a sua equipe um olhar mais de perto dos ingredientes de uma maneira imparcial. Cromatografia é uma técnica analítica poderosa muito sensível e altamente seletiva que identifica os componentes químicos individuais de uma mistura.

Um teste eficaz para detectar cafés falsificados é uma medida essencial e importante à luz da crescente escassez em regiões, como o Brasil, onde as secas e doenças de plantas reduziram drasticamente a oferta de café de volta. "Com uma menor oferta de café no mercado, os preços sobem, e que favorece a fraude por causa do ganho econômico", diz a líder da equipe de pesquisa.

Fontes: American Chemical Society

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