O ritmo do silício

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O segundo elemento mais abundante da Terra possui diversas utilidades, mas o aumento rápido da demanda é preocupante

O que é silício

O silício é um componente essencial da maioria das rochas que formam a crosta terrestre, fazendo parte de mais de 28% da sua massa. Ele é o segundo elemento mais abundante na superfície da Terra, perdendo somente para o oxigênio. O sol e outras estrelas também possuem silício, e ele é também o principal elemento dos meteoritos chamados aerólitos. Sua forma pura não pode ser encontrada na natureza, mas os compostos do silício podem ser encontrados, por exemplo, nos arenitos, na argila, na areia e no granito, normalmente na forma de dióxido de silício (também conhecido como sílica) e silicatos (compostos contendo silício, oxigênio e metais).

Sua forma cristalina é muito dura e pouco solúvel, e tem um brilho metálico e uma coloração castanha acinzentada, bem perto do preto. É um elemento relativamente inerte e é resistente à maioria dos ácidos. A sílica pode apresentar cores diferentes conforme a presença de outros elementos. Quando é quase pura, é conhecida como quartzo ou cristal. Os quartzos de cor púrpura ou lilás são as ametistas. Com uma coloração amarela, são conhecidos como citrinos. Já a opala, sílica amorfa hidratada, é encontrada em várias cores.

O silício no cotidiano

É utilizado como principal componente nos silicones, vidro, cimento, cerâmica e, por ser um material semicondutor abundante, a indústria eletrônica e microeletrônica utiliza o silício como um material básico para a produção de variados circuitos eletrônicos miniaturizados. Ele é considerado tão importante para essas indústrias que foi posto no nome do Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde estão concentradas importantes empresas do setor de eletrônica e informática.

Enquanto se usa o silício até em lasers, os cristais de quartzo também são muito importantes por possuírem uma propriedade especial chamada piezoeletricidade. Essa característica os permite transformar energia mecânica em energia elétrica e vice-versa, o que os torna úteis para a construção de diversos objetos, desde alto-falantes até agulhas toca-discos. O silício também é muito utilizado para criar painéis solares, pois, embora não seja a opção mais eficiente, é a mais viável.

Além de podermos reutilizar os sachês de sílica, aqueles saquinhos utilizados para redução da umidade em embalagens de medicamentos, por exemplo, o silício é também reciclado por muitas empresas. Com a reciclagem dos componentes que possuem o material, é possível economizar de 30% a 90% de energia na manufatura de células solares para os painéis solares. 

Os efeitos sobre o homem

Em um homem adulto, existe por volta de um grama de silício, que está relacionado diretamente ao crescimento, tanto na formação dos órgãos quanto dos ossos. Também está associado à formação da cartilagem e do tecido conjuntivo. No entanto, por mais que o silício e os seus compostos inorgânicos não sejam tóxicos, a inalação dele pode causar pneumoconiose e silicose.

A sílica cristalina foi analisada pelo IARC e classificada como pertencente ao Grupo I, ou seja, é cancerígena para humanos. Se inalada, além de poder causar a pneumoconiose e a silicose, também pode causar câncer de pulmão. Isso preocupa não só os trabalhadores, mas também os moradores dos arredores das minas de areia, principal recurso explorado na extração da sílica.

Os efeitos sobre o meio ambiente

A mineração da areia consiste em extrair a areia de poços, praias, dunas, fundo dos oceanos e rios. Além de ser uma das responsáveis diretas pela erosão, essa prática também prejudica a vida nos seus arredores. Tartarugas que dependem das areias das praias para seus ninhos não encontram as areias ou se deparam com minas e suas fortes luzes. Uma espécie de crocodilos chamada gavial, que está quase extinta na Índia, também é prejudicada. A perturbação das areias do fundo do mar e das praias prejudica os corais e outras formas de vida aquáticas que dependem da luz do sol, enquanto pesqueiros são destruídos. As dunas removidas pela extração tornam as terras mais vulneráveis a inundações, sem contar os prejuízos ao turismo.

Para amenizar todos esses fatores e alguns outros, foram criadas leis para regulamentar a mineração da areia, mas como a demanda continua crescente para esse tipo material, mais minas surgem – legais e ilegais – em ritmo de extração frenético. Um documentário chamado “The Price of Sand” (O Preço da Areia) escrito e dirigido por Jim Tittle conta como uma pequena cidade em Minnesota, nos Estados Unidos, reagiu a uma empresa de óleo que adquiriu terras próximas, para instalar uma mina de areia. O documentário possui uma hora de duração e busca explicar a ordem dos acontecimentos, além de enfatizar os protestos e as reclamações. Tittle destaca em seu site as posições de ambos os lados e mostra, no filme, entrevistas com moradores dos arredores da mina e suas críticas: dentre elas, as nuvens de sílica que se levantam das areias extraídas, poluição que ameaça a saúde dos habitantes da cidade.

Confira o trailer do documentário (em inglês):



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