É possível descontaminar a esponja de cozinha?

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Estudos mostram que não há solução: é preciso trocar a esponja com periodicidade regular

Esponja sintética tradicional, de espuma

A esponja de cozinha, utilizada principalmente para lavar louças, está em contato direto com os germes e bactérias contidos na pia. No momento em que a pessoa pega a esponja para lavar, é contaminada pelos milhares de micro-organismos contidos nela. Como o uso é frequente, essas bactérias se espalham pelo corpo sem que possamos perceber, o que pode deixar o organismo mais suscetível à contração de doenças.

As esponjas sintéticas tradicionais, de espuma, na verdade são compostas por plástico poliuretano, material baseado em petróleo e outros componentes químicos sintéticos e de difícil reciclagem, o que faz com que sua substituição por buchas vegetais seja uma boa iniciativa, porque além da maior durabilidade, sua matéria-prima é natural e totalmente biodegradável (veja mais sobre a bucha vegetal).

Normalmente, independentemente do tipo de esponja que você tenha, é necessário efetuar a troca em uma ou duas semanas, dependendo da frequência de uso (especialistas recomendam a troca em uma semana - veja tópico importante ao final da matéria). Pesquisas recentes mostram que, por mais que se efetue a limpeza ou a descontaminação, bactérias são capazes de colonizar esponjas rapidamente - por isso é importante realizar o descarte semanal ou, no máximo, em duas semanas.

Método do micro-ondas deixa esponjas mais contaminadas

A técnica do micro-ondas consiste em molhar a esponja de poliuretano, colocá-la num prato e levá-lo ao micro-ondas por dois minutos. Esse método foi testado por pesquisa da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, e se popularizou, a ponto de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos recomendar a prática. No entanto, pesquisadores alemães publicaram estudo na revista Scientific Report mostrando que ferver ou colocar a esponja no micro-ondas não diminui o número de agentes patogênicos, que podem causar doenças infecciosas - e o mais preocupante: é justamente o contrário!

O aumento de micro-organismos ocorre porque os patógenos são mais resistentes a esse tipo de limpeza. As bactérias "mais fracas" morrem com as altas temperaturas e as resistentes e mais perigosas colonizam rapidamente toda a esponja. A solução, portanto, estaria em trocar a esponja regularmente a cada semana.

"De uma perspectiva de longo prazo, os métodos de saneamento de esponja parecem não suficientes para efetivamente reduzir a carga bacteriana em esponjas de cozinha e podem até aumentar a proporção de bactérias relacionadas com RG2 (grupo de risco 2). Em vez disso, sugerimos uma substituição regular (e facilmente acessível) de esponjas de cozinha, por exemplo, semanalmente", concluem os autores do estudo Massimiliano Cardinale, Dominik Kaiser, Tillmann Lueders, Sylvia Schnell e Markus Egert, de diferentes universidades e institutos de pesquisa da Alemanha.

Questão ambiental

Dessa forma, se você usa a esponja de poliuretano, o melhor a fazer é, após o uso, secá-la o máximo possível, deixando-a, em seguida, ao sol. E, claro, use-a por apenas cerca de uma semana antes de efetuar a troca.

O problema é que a atitude acima pode proporcionar consequências indesejáveis. O processo de produção do poliuretano, oriundo do petróleo, apresenta problemas ambientais (veja mais em "Poliuretano tem efeitos nocivos à natureza, mas alternativas à reciclagem crescem") e, se muita gente passar a seguir a recomendação e trocar a esponja semanalmente, impactos ambientais aumentariam, ainda mais pelo fato de a esponja de cozinha de poliuretano não ser reciclável. Também não é razoável efetuar qualquer descontaminação ou prolongar o uso da esponja... O que fazer?

Alternativa da esponja vegetal

O mais recomendável é utilizar a esponja vegetal. Ela substitui com eficácia a esponja sintética de poliuretano na lavagem de louça (sem riscar a louça) e tem a grande vantagem de ser um produto natural. Isso faz com que ela possa ser biodegradada em aterros, mesmo estando contaminada da mesma forma que a esponja comum. O período de uso dela também deve ser de cerca de uma semana. A esponja vegetal, que é oriunda da planta Luffa cylindrica, pode ser cortada aos poucos, também podendo representar vantagens econômicas.



Veja também como reciclar outros materiais:


 

Comentários  

 
+3 #1 2014-01-17 14:31
gostei
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+1 #2 civora gomes barreto 2016-09-30 23:21
Sempre faço questão de ler os artigos deste site. Tem dicas e informações muito úteis.
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