O que são chinampas?

eCycle

Chinampas são tecnologias indígenas sustentáveis de alta produtividade utilizadas desde o Império Asteca

Os chinampas (em náhuatl, chinamitl = muro ou cerca de juncos e apam = terreno plano), também chamados de canteiros elevados ou flutuantes, são sistemas agrícolas tradicionais construídos por povos mesoamericanos em áreas alagadas.

Além de sustentável, essa tecnologia indígena é altamente produtiva, tendo sido suficiente para alimentar a maioria da população sob domínio asteca no período anterior à colonização espanhola.

De acordo com o livro A Memória Biocultural - a importância ecológica das sabedorias tradicionais, escrito por Víctor Toledo e Narciso Barrera-Bassols - o qual serviu de embasamento teórico para este artigo - os chinampas são uma solução esteticamente impressionante e eficiente em condições climáticas adversas das áreas altas semiáridas e subúmidas temperadas da Mesoamérica.

Localização

Os principais exemplos de chinampas surgiram no período pré-Clássico, desde 500 AP, e permaneceram até o período pós-Clássico, de 1.400 a 1.600 AP. Eles ficavam localizados principalmente nas bacias de Tlaxcala, Puebla, Teotihuacán, Tenochchtitlán, Toluca, Cuitzeo, Pátzcuaro e Chapala, atual região do México.

Mas ainda é possível encontrar os últimos fragmentos desse tipo de agricultura no sul da Cidade do México.

Como são construídos

De acordo com estudiosos do tema, os chinampas exigiam grande mão de obra e energia para sua construção. Essas estruturas de agricultura hidráulica elevadas permitem a drenagem aproveitando a água do corpo hídrico sobre o qual se insere.

Para efetuar a instalação de um chinampa, primeiro mede-se a profundidade da água com um pedaço de madeira. Em seguida, são utilizadas vigas para levantar cercas e valas de ramos e juncos (vegetação monocotiledônea) entrelaçados.

Ali são sobrepostos em camadas de 30 cm a 60 cm rochas basálticas, lama, grama, solo e vegetação, de modo que, quando crescem raizes, estas impedem a fragmentação do solo. A técnica permite a transformação de pântanos improdutivos em áreas agricultáveis com alta produção.

Chinampas versus estufas de plástico

Há uma forte tendência de substituição das chinampas por estufas de plástico para a produção de flores, o que gera impactos negativos na paisagem, meio ambiente e cultura.

Um estudo que comparou a sustentabilidade ambiental e socioeconômica dos chinampas e das estufas de plástico chegou à conclusão de que, embora as estufas sejam mais lucrativas, a contribuição dos chinampas para os serviços ecossistêmicos não pode ser desprezada.

O método de estufas retira a cobertura de árvores, empobrecendo o solo e a biodiversidade. Além disso, esse tipo de agricultura demanda agrotóxicos, com alta dependência externa de insumos, o que prejudica o ambiente e ainda pode inviabilizar a segurança alimentar.

Os chinampas, em contrapartida, são estruturas que mantêm a riqueza dos solos, uma vez que a acumulação de camadas sucessivas de diferentes materiais naturais permite a percolação da água, viabilizando a decomposição de matéria orgânica.

Hoje, os chinampas são cultivados para horticultura comercial a fim de permanecer uma opção técnica e economicamente viável para os agricultores locais. No entanto, mecanismos de compensação ambiental ou de pagamentos por serviços ambientais são necessários para que essa esta técnica indígena seja mantida.


Veja também:

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Saiba onde descartar seus resíduos

Encontre postos de reciclagem e doação mais próximos de você

Localização Minha localização
Não sabe seu CEP?

Newsletter

Receba nosso conteúdo em seu e-mail

Utilizamos cookies para oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar pelo site você concorda com o uso dos mesmos. Saiba mais ×