Slow living: estilo de vida prega desaceleração

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Autoconhecimento e respeito a si mesmo são valores pregados pelo slow living

Slow living
Imagem de Nathan Dumlao no Unsplash

O slow living é um estilo de vida que prega mais autoconhecimento e respeito consigo mesmo. O termo vem do inglês e poderia ser traduzido como "vida lenta', mas não faz referência à velocidade em si. A ideia principal é conhecer o seu próprio tempo e aprender a administrá-lo segundo os seus princípios, sem necessariamente obedecer às pressões externas por decisões rápidas.

A sociedade contemporânea promove certa glamourização do estresse, de um estilo de vida corrido e cheio de responsabilidade, que nem sempre é adequado para todos e acaba criando pressões. O slow living, por outro lado, promove a busca por modos de viver menos agressivos e que ajudem o indivíduo a encontrar paz em si mesmo e com os outros. Nesse sentido, a proposta é muito próximas de técnicas e filosofias como a ioga e o mindfulness.

O slow living faz parte (e de certa forma engloba) outros movimentos "slow", como o slow food e o slow fashion, e sua proposta é bem semelhante. "Viver devagar significa desacelerar e pensar duas vezes antes de fazer algo", explica Orly Munzing, fundador do Strolling of the Heifers, em entrevista ao Huffpost. Ele reforça que isso não significa viver isolado ou fazer as coisas devagar, apenas estar mais atento.

Existe uma percepção crescente de que mais rápido nem sempre significa melhor e que, no longo prazo, mais rápido não só pode nos atrasar, mas também pode nos matar. O resultado disso se vê no crescimento de abordagens mais acolhedoras e sustentáveis para com nossos corpos, vidas e também com o planeta. A cultura da velocidade e o padrão de urgência estabelecidos nem sempre são apropriados e às vezes um comportamento acelerado pode piorar a situação.

O fast food é um exemplo bem evidente de como alterar padrões alimentares pode ser prejudicial. Embora seja rápido e conveniente, esse tipo de alimentação não fornece os nutrientes essenciais de que nosso corpo precisa para funcionar adequadamente. Além disso, elimina a criatividade, o amor e a comunidade associados à comida que é feita com ingredientes frescos de fazendas locais e que é preparada por pessoas que amamos - princípios que são as bases do slow food.

O slow living tem um olhar voltado para a saúde como um todo. A palavra "saúde" vem da raiz anglo-saxônica haelen, que significa "todo". Em sua essência, a saúde é verdadeiramente um estado de integridade. Assim como não podemos separar corpo, mente e espírito, também não podemos nos separar de outros seres, do mundo em geral ou do universo além dele. A saúde é verdadeiramente a soma de tudo; portanto, tudo é relevante e importante para a saúde.

Por conta disso, o slow living propõe uma pausa nessa corrida louca proposta pelo estilo de vida contemporâneo. A pausa coletiva provocada pela pandemia do novo coronavírus é talvez um bom exemplo de como o estilo de vida predominante não é saudável - nem para os indivíduos nem para a vida em sociedade.

A competição a qualquer custo cobra seu preço no corpo dos indivíduos, na redução da expectativa de vida e no aumento de doenças crônicas. Assim, o slow living sugere o autoconhecimento como forma de ter consciência desse preço e decidir até onde podemos pagar, de modo que cada indivíduo possa priorizar o que faz sentido para si.

Uma das propostas do slow living é começar por si e fazer escolhas que contribuam com a comunidade local. Cada gesto produz exemplos e pode ajudar a diminuir o ritmo frenético de nosso mundo, trazendo nós mesmos e nossa sociedade de volta ao equilíbrio.

Um passo simples como a jardinagem, por exemplo, pode revolucionar nossa saúde e prover uma fonte de alimentação independente. Cultivar o solo com nossas próprias mãos e vivenciar o ritmo lento e suave da natureza, além de colher os frutos desse esforço, traz diversos benefícios nutricionais e a relação com a terra ainda impulsiona nosso sistema imunológico.

O slow living prega que questões desafiadoras sejam enfrentadas com calma, sem a ansiedade e a desconexão tão comuns ao mundo contemporâneo. O movimento prega o reconhecimento da profundidade e complexidade das situações e uma abordagem do sistema como um todo, para que possamos trabalhar juntos para acalmar as coisas. Ao nos conectarmos uns aos outros e ao nosso planeta, podemos contrabalançar a rápida onda de caos com nosso ritmo lento.

Práticas para adotar o Slow Living

Aproveite e seja grato pelo tempo

Da próxima vez que você estiver viajando - seja no trajeto para o trabalho ou em um fim de semana fora - preste mais atenção ao tempo que está usando. Em vez de desejar que ele desapareça, você pode aproveitá-lo ao máximo. Você pode usá-lo para desenvolver hobbies ou, durante suas férias, certifique-se de realmente apreciar a paisagem em vez de ver o mundo através de sua câmera.

Otimize sua produtividade

Introduzir o slow living não é apenas uma opção para as férias. Se você constantemente sente que não tem tempo suficiente para fazer tudo o que gostaria, você pode sentir o desejo de acelerar e realizar várias tarefas. Considere que, na realidade, desacelerar pode torná-lo mais produtivo. Reavalie sua rotina e descubra quais tarefas são desnecessárias durante o dia. Você descobrirá que desacelerar lhe dará mais tempo para tomar melhores decisões e, em última análise, ajudará sua produtividade.

Reorganize seu tempo em família

Quando se trata da criação de filhos, não existe uma maneira certa ou errada. Você pode sentar-se à mesa para jantar em família todas as noites ou reduzir as atividades depois da escola para que você e sua família tenham mais tempo juntos. O slow living prega a valorização dos relacionamentos em vez de suas posses, então você não precisa se preocupar com o dinheiro que investe em sua família. Mais importante do que as posses são as memórias de experiências vividas com os pequenos. Eles crescem rápido e você vai querer aproveitar ao máximo seu tempo com eles.

Observe as pequenas coisas

Você precisa ser realista ao mudar seu estilo de vida, não espere que isso aconteça da noite para o dia. Tudo bem se você não souber ao certo por onde começar. “Não é uma mudança que acontecerá rapidamente, então comece pequeno e foque em ser consistente em vez de impressionante”, orienta Brooke McAlary, autora de Slow and Destination Simple. Você pode começar reduzindo seu tempo de tela diário. Ou tentar uma receita que exige tempo - ou até uma receita rápida, se você não é familiarizado com a cozinha.

O principal ponto do Slow Living é encontrar seu melhor. Reflita sobre suas prioridades na vida, entenda o que te faz bem e o que te faz mal e busque organizar seu tempo de modo a aumentar o período em que você faz coisas que te fazem bem. Nesse processo, é muito provável que você também ajude outras pessoas a viverem melhor.



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