O que é permafrost

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Permafrost é uma camada de gelo, rocha e matéria orgânica que se encontra abaixo de 0ºC por pelo menos dois anos consecutivos

permafrost
Imagem editada e redimensionada de Boris Radosavljevic, está disponível no Wikimedia e licenciada sob CC-BY 2.0

Permafrost, ou pergelissolo, é uma camada formada por gelo, rocha e matéria orgânica que se encontra abaixo de 0ºC por pelo menos dois anos consecutivos na região Ártica e Antártida. A palavra permafrost é inglesa, e, etimologicamente, vem do latim, em que Perm significa permanente e frost,congelado. Em português, ele também pode ser chamado de solo permanentemente congelado.

Originalmente encontrado em países como Islândia, Argentina e Noruega, o permafrost começou a ficar conhecido mundialmente e no Brasil no contexto das mudanças climáticas, pois quando derrete - devido ao aumento da temperatura global - causa impactos significativos ao meio ambiente.

Permafrost e as mudanças climáticas

O permafrost possui uma camada de solo relativamente grossa que pode atingir até 300 metros de profundidade. O topo dessa camada é constituído basicamente por gelo e neve, que derretem no verão levando água para a região e a tornado pantanosa. Com essa distribuição de água, é possível encontrar árvores no pergelissolo, mas o seu significativo estoque de carbono não está em vegetação crescida, e sim abaixo da camada de gelo.

Por ser muito gelado, o trabalho de decomposição das bactérias e fungos presentes no pergelissolo acontece lentamente. Mas, no contexto das mudanças climáticas o derretimento desse tipo de solo está ocorrendo de forma acelerada. O resultado é uma decomposição de matéria orgânica cada vez mais alta que libera grandes quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera. Metano e dióxido de carbono, que são gases com potencial de risco climático significativo, são os principais gases liberados na decomposição do pergelissolo. E o agravante é que estudos mostram que a quantidade de gás carbônico no solo permanentemente congelado chega a ser até duas vezes maior que a presente na atmosfera.

Uma outra pesquisa apontou que o planeta Terra pode entrar em estado de efeito estufa permanente caso o permafrost continue derretendo a altas taxas. Isso se agrava com a perda de hidratos de metano no solo oceânico e a redução de florestas tropicais. Isso porque estes são locais que estocam carbono e que podem atingir um ponto de colapso em que essas reservas de carbono sejam liberadas para a atmosfera, acelerando ainda mais o aquecimento global.

Derretimento do permafrost e liberação de vírus do passado

O permafrost conserva micro-organismos porque é frio, sem oxigênio e escuro. Em outras palavras, isso significa que ele pode manter vivos micróbios que infectam seres humanos e animais. Sendo assim, além do problema da liberação de gases do efeito estufa, o derretimento do permafrost pode trazer de volta antigos vírus, bactérias e fungos. Como se não bastasse a pandemia de coronavírus, a humanidade poderá conhecer doenças igualmente nocivas ou até piores.

Uma prévia desse cenário aconteceu em 2016, em uma parte remota da Sibéria, no Ártico. Como relata a BBC, um verão excepcionalmente quente em 2016 descongelou uma camada de permafrost, revelando a carcaça de uma rena infectada com antraz cerca de 75 anos antes. A doença chamada de antraz ou carbúnculo é causada por uma bactéria, Bacillus anthracis. No caso citado, a bactéria se espalhou pelos suprimentos de água e de comida da região e também chegou ao solo. Um menino de 12 anos morreu da infecção, assim como 2,3 mil renas; dezenas de pessoas ficaram doentes e hospitalizadas.



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