Floresta amazônica: o que é e suas características

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Floresta amazônica é a maior floresta equatorial do mundo e tem importância inestimável. Entenda

floresta amazonica

A floresta amazônica é chamada cientificamente de floresta latifoliada equatorial. Ela recebe esse nome por apresentar uma vegetação com folhas grandes e largas; e por estar próxima da região do Equador, sendo densa, perene (não perde as folhas do longo do ano em nenhuma estação) e hidrófila (adaptada à presença de água em abundância).

A floresta amazônica abrange 40% do território brasileiro, além de ocupar porções dos territórios da Venezuela, Colômbia, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

No Brasil, ela ocupa praticamente toda a região norte, principalmente os estados do Amazonas, Amapá, Pará, Acre, Roraima e Rondônia, além do norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão.

A floresta amazônica possui uma composição heterogênea, com fitofisionomias que podem ser classificadas de acordo com a proximidade a cursos d'água: matas de igapó, matas de várzea e matas de terra firme.

Matas de igapó

Floresta amazonica
Imagem editada de Roldão Lima Junior está disponível na Wikipedia

As matas de igapó são planícies inundadas permanentemente, com solos alagados. Os principais tipos de espécies encontradas nesse tipo de fisionomia são a vitória-régia, o açaí e o sapo cururu.

Matas de várzea


Imagem editada de Sodrepara

As matas de várzea, ou planícies de inundação, são terrenos que contornam os rios e que costumam alagar na época das cheias. As espécies mais presentes nesse tipo de fitofisionomia são o cacaueiro, a copaíba e a seringueira.

Matas de terra firme


Imagem de World Wide Fund for Nature (WWF)

As matas de terra firme são vegetações que se desenvolvem em regiões mais elevadas, que não inundam ao longo do ano. Nessa fitofisionomia são encontradas árvores de grande porte que podem alcançar 50 metros de altura. A copa desse tipo de vegetação é entrelaçada, de modo que dificulta a entrada de luz solar em seu interior, inviabilizando o desenvolvimento de grande quantidade de plantas rasteiras.

Na floresta amazônica do tipo terra firme, as espécies arbóreas mais encontradas são a castanheira, o mogno e o guaraná.

Por ter um clima equatorial, a floresta amazônica apresenta elevadas temperaturas e umidade do ar, que oscilam entre 22 e 28 ºC e 80%, respectivamente. O índice pluviométrico (chuva) também é elevado, variando entre 1.400 a 3.500 mm por ano.

As estações do ano na floresta amazônica se distinguem por dois períodos: o seco e o chuvoso.

Apesar de abrigar uma grande biodiversidade de plantas e animais, a floresta amazônica possui um solo considerado pobre, com uma fina camada de nutrientes. Entretanto, o húmus formado pela decomposição da matéria orgânica (folhas, flores, animais e frutos) é rica em nutrientes utilizados no crescimento da vegetação da floresta. Para saber mais sobre húmus, dê uma olhada na matéria: "Húmus: o que é e quais são suas funções para o solo".

Bioma amazônico

O bioma amazônico, também chamado de domínio ecológico amazônico ou domínio biogeográfico amazônico, é o conjunto de ecossistemas interligados pela floresta amazônica, situados na Bacia Amazônica. Ele ocupa Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela e se estende por 6,9 milhões de quilômetros quadrados.

O bioma amazônico possui cerca de 30% das espécies existentes no planeta, sendo o mais biodiverso de todos os biomas.

No Brasil, ele abriga mais de 30 mil espécies de plantas, 1,8 mil de peixes continentais, 1,3 mil de aves, 311 de mamíferos e 163 de anfíbios. Boto, harpia, pirarucu, suçuarana, jaguatirica, peixe-boi, jabuti, ariranha, tucano, arara, jiboia, sucuri e onça são algumas espécies de animais amazônicos bastante conhecidos.

Mas diferente do que muitas pessoas pensam, o bioma amazônico não é constituído por um único tipo de floresta. Além da floresta de terra firme, da floresta de igapó e da várzea, há também savana arenosa e campos rupestres. 

Rios voadores

Os rios voadores são imensos volumes de vapor de água que vêm do oceano Atlântico (próximo à linha do Equador), precipitam sob a forma de chuva na floresta amazônica - onde ganham corpo - e seguem até os Andes, encontrando a muralha rochosa presente nessa região que os faz desviarem e flutuarem sobre a Bolívia, o Paraguai e os estados brasileiros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo; às vezes alcançando Paraná, Santa Cantarina e Rio Grande do Sul.

Os rios voadores possuem cerca de três quilômetros de altura, algumas centenas de largura e milhares de extensão, mas não podem ser vistos, pois encontram-se sob a forma de vapor. Entretanto, sua importância na regulação do clima é inegável.

Os estudos a respeito dos rios voadores mostraram que há uma clara colaboração da umidade que evapora da floresta amazônica para as chuvas do Sul e do Sudeste. Nos dias que o rio voador passa sobre a Amazônia – isso acontece apenas em cerca de 35 dias por ano –, mais umidade chega ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul, aumentando a probabilidade de chuvas.

Quando os rios voadores passam sobre a floresta amazônica eles aumentam, em média, em 20% a 30% a umidade do ar em Ribeirão Preto, por exemplo, elevando o potencial de chuvas. Algumas vezes esse aumento de umidade pode chegar a 60%.

Há uma grande preocupação por parte dos especialistas em rios voadores quanto às consequências do desmatamento da floresta amazônica. Sem ela, os rios voadores vindos do oceano podem chegar mais rápido no continente, em dois ou três dias, ao sul do país, aumentando o risco de tempestades.

A retirada da floresta diminuiria em 15% a 30% as chuvas na floresta amazônica e aumentaria as tempestades no Sul e na bacia do Prata. Para saber mais sobre os rios voadores, dê uma olhada na matéria: "O que são rios voadores?".

Amazônia legal

Para tentar desenvolver e integrar a região por meio da concessão de incentivos fiscais, nos anos 1950, o governo brasileiro criou o conceito de Amazônia Legal, que abrange uma área com pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados (dois terços do país). A Amazônia Legal se situa nos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Tocantins, Mato Grosso e grande parte do Maranhão, sendo um mosaico de habitats com grande variedade de espécies. Além de abranger a floresta amazônica, a Amazônia Legal inclui 37% do bioma cerrado, 40% do bioma pantanal e pequenos trechos de formações vegetais variadas. Saiba mais: "O que é amazônia legal?"

Desmatamento

A ocupação da Amazônia Legal incluiu o estabelecimento dos chamados “eixos” e “pólos” de desenvolvimento, apropriação de terras para projetos agropecuários e reforma agrária, mineração e produção e exportação de grãos. A partir da década de 1970, o processo de ocupação acelerou-se e milhões de hectares de floresta amazônica foram derrubados para criação de pastos e projetos de colonização e reforma agrária. O desflorestamento leva a alterações no funcionamento dos ecossistemas, gerando impactos sobre a estrutura e fertilidade dos solos e sobre o ciclo hidrológico, além de constituir importante fonte de gases do efeito estufa.

Ocupação na floresta amazônica

A diversidade socioambiental da Amazônia e, portanto, de parte da floresta amazônica, é composta por uma complexa interação entre múltiplos segmentos sociais. Entre eles, se destacam os povos indígenas de comércio esporádico, povos indígenas de comércio recorrente, povos indígenas dependentes da produção mercantil, pequenos produtores tradicionais (inclui ribeirinhos, quilombolas e seringueiros), latifúndios tradicionais, latifúndios recentes, migrantes de fronteira, grandes exploradores e exploradores itinerantes.

De acordo com o decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007, os grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição são chamados de povos e comunidades tradicionais. Nessa classificação entram os ribeirinhos, indígenas, seringueiros e quilombolas. 


Adaptado de World Wide Fund for Nature (WWF), Mundo Educação e Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia, Dossiê Amazônia Brasileira II


Veja também:


 

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