Papel térmico dos recibos: reciclar ou não reciclar?

eCycle

A reciclagem de papel térmico pode aumentar a exposição humana a uma substância nociva chamada bisfenol

Extrato de Banco

Quem tem o costume de fazer compras, comer em restaurantes ou possui cartão, provavelmente já ficou com a carteira repleta de cupons fiscais, extratos de banco e outros comprovantes e recibos feitos de papel térmico. Eles são conhecidos como papéis termo sensíveis e recebem esse nome porque a impressão dos dados é térmica (ou seja, feita por aquecimento). Embora eles pareçam inofensivos, esse tipo de papel apresenta em sua composição o bisfenol, que é uma substância potencialmente nociva à saúde humana e dos animais. Apesar de ser reciclável, os produtos reciclados a partir do papel térmico aumentam a exposição humana ao bisfenol. Dessa forma, o ideal é evitar usar esse tipo de papel e, quando não for possível evitar sua impressão, o descarte deve ser feito no lixo comum.

De maneira geral, os bisfenóis são disruptores endócrinos, pois eles alteram o funcionamento do sistema hormonal. Um tipo de bisfenol encontrado no papel térmico é o bisfenol A (BPA). Esse componente, quando em contato com o organismo humano, pode causar aborto; anomalias e tumores do trato reprodutivo; câncer de mama e de próstata; déficit de atenção; de memória visual e motor; diabetes; diminuição da qualidade e quantidade de esperma; endometriose; fibromas uterinos; gestação ectópica (fora da cavidade uterina); hiperatividade; infertilidade; modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos; obesidade; precocidade sexual; retardo mental e síndrome dos ovários policísticos (saiba mais sobre ele matéria: "O que é BPA? Conheça o bisfenol A e previna-se").

Normalmente, a contaminação se dá pela ingestão, o BPA se desprende de recipientes e acaba contaminando o alimento. Uma pesquisa publicada pela Analytical and Bioanalytical Chemistry, mostrou que, no caso do papel térmico, a contaminação pode ocorrer pelo contato com a pele. Segundo a pesquisa, a contaminação varia de acordo com a quantidade de bisfenol presente na composição do papel, e é bem menor do que a contaminação pela ingestão, mas ainda pode ser nociva - principalmente para trabalhadores que estão diariamente em contato com esses tipos de recibos. É possível encontrar papel térmico livre de BPA. No entanto, em seu lugar são utilizados bisfenol S e bisfenol F, cujos efeitos sobre a saúde humana são semelhantes ou piores que os efeitos do BPA (saiba mais sobre esse tema na matéria: "BPS e BPF: conheça o perigo das alternativas ao BPA").

Se descartados de maneira incorreta, os recibos contendo bisfenol podem parar no oceano e acabam ficando presos no gelo polar e em rochas, passando a integrar o ambiente e o organismo dos animais, causando sérios prejuízos ambientais.

Nos animais, os bisfenois causam câncer, efeitos negativos nos testículos de mamíferos, na glândula pituitária, na reprodução de fêmeas mamíferas e dos peixes. Eles provocam reduções em populações de golfinhos, baleias, veados e furões; prejudicam o desenvolvimento de ovos de aves; causam deformidades sexuais em répteis e peixes; alterações na metamorfose de anfíbios e muitos outros danos.

O papel térmico não é a única fonte de exposição ao bisfenol. Essa substância está presente em embalagens de alimentos, maquiagens, pasta de dente, entre outros. Mas, sempre que possível, evite imprimir recibos. Dessa forma, você diminui a exposição ao bisfenol tanto da parte do atendente do caixa quanto da sua própria.

Por que não reciclar?

O descarte dos produtos contendo bisfenol, como é o caso do papel térmico, é um grande problema. Primeiro porque se forem descartados incorretamente, além de causar poluição visual, esses materiais começam a liberar bisfenol no ambiente contaminando lençóis freáticos, solos e a atmosfera, podendo vir parar em alimentos, recursos hídricos e prejudicar pessoas e animais das formas mais graves possíveis.

Por outro lado, se o material contendo bisfenol for destinado para a reciclagem, dependendo do tipo de material que ele vir a se transformar pode ter um impacto maior sobre a saúde humana. Um exemplo nesse sentido são os papéis higiênicos reciclados a partir de papéis contendo bisfenol. O papel higiênico reciclado contendo bisfenol é uma exposição mais grave, pois entra em contato direto com mucosas mais sensíveis indo parar diretamente na corrente sanguínea.

Além do mais, incentivar a reciclagem de produtos contendo bisfenol é incentivar a permanência desse tipo de substância no cotidiano das pessoas e no meio ambiente.

A melhor opção é a redução mais radical possível desse tipo de produto. Quando não for possível zerar o consumo, guarde seus papéis térmicos e embale-os firmemente em sacolas plásticas não biodegradáveis (para que não vazem) e destine-os a aterros seguros, pois lá eles não correrão o risco de vazarem para lençóis freáticos ou solos.

O problema é que serão um volume a mais em aterros. Então, também é preciso pressionar órgãos fiscalizadores e empresas para que deixem de usar substâncias tão nocivas como o bisfenol A e seus substitutos; principalmente, ou pelo menos, em embalagens de alimentos e outros recipientes que são fontes de exposição mais significativa. Afinal de contas, a exposição ao bisfenol pode ser nociva até mesmo em baixas doses.


Veja também:


 

Comentários  

 
-1 #1 2011-10-07 02:13
Nosso agradecimento ao nosso usuário, Mario, por sua contribuição em relação ao conteúdo relacionado a comprovantes termo sensíveis.
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