Retardante de chamas: o que é e quais seus perigos

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Retardante de chamas pode causar prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana

Retardante de chamas é uma substância química utilizada para retardar ou, se possível, eliminar a propagação de chamas em um material. Os aditivos anti-chamas possuem a capacidade de prolongar o tempo em que um material polimérico leva para iniciar seu processo de combustão, uma vez que tornam a transferência de energia entre os compostos mais lenta. Entre eles, os éteres de difenila polibromados (PBDE) podem ser citados como os principais retardantes de chamas existentes.

Além disso, os elementos empregados nesses aditivos têm alto calor específico, ou seja, precisam absorver grandes quantidades de calor para aumentar a sua temperatura, o que ajuda a retardar ou impedir a combustão. Embora a água seja o retardante de chamas mais utilizado, essa expressão normalmente está associada aos retardadores químicos e tóxicos, incluindo espumas contra incêndios e géis retardantes de chamas.

História dos retardantes de chamas

Os retardantes de chamas sempre foram muito utilizados, havendo registros desde 450 a.C. no Egito antigo, quando o alúmen de potássio já era empregado para reduzir a flamabilidade da madeira. Com o passar do tempo, as técnicas foram mudando e a tecnologia criou novos métodos de prevenir incêndios.

A larga utilização de materiais poliméricos altamente inflamáveis na indústria fez com que a demanda por retardantes de chama crescesse muito. De acordo com a Sociedade Brasileira de Toxicologia, a demanda mundial referente a esses produtos cresceu em mais de 100% entre os anos de 1990 e 2000. Os compostos halogenados clorados e bromados são os dois principais retardantes de chamas utilizados na indústria, já que possuem baixo custo de produção. No entanto, eles causam diversos prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana.

Tipos de aditivos

Aditivos halogenados e não halogenados

Grande parte dos materiais poliméricos entram em combustão facilmente. Por isso, a indústria adiciona compostos químicos para retardar a ocorrência desse processo. Normalmente, são substâncias com moléculas halogenadas que contêm elementos altamente reativos, como cloro e bromo.

Esses dois elementos químicos são muito eficientes, porém, quando liberados no meio ambiente, causam grande impacto e danos à saúde humana. Em muitos países, os retardantes a base de compostos halogenados foram proibidos por determinações governamentais. Vale ressaltar que os compostos halogenados bromados estão presentes em maior quantidade nessa indústria do que os clorados. Entre eles, os éteres de difenila polibromadas (PBDEs) e o óleo vegetal bromado (BVO) podem ser citados como exemplo.

Aditivos fosforados

Os retardantes fosforados têm sua forma de atuação diferente dos aditivos halogenados. Os aditivos com base de fósforo sofrem desidratação, em um processo que resulta na formação de uma camada carbônica na superfície do polímero, impedindo que as chamas levem o material à combustão. Nesse processo, é formado o ácido fosfórico (H3PO4) e um ácido fraco; portanto, não ocorrem maiores efeitos de corrosão ou toxicidade.

Esses retardantes fosfatados são utilizados em placas de isolamento termoacústico, na construção civil, como proteção de tubulações na indústria petroquímica e em processos de dublagem a fogo na indústria automotiva. Além disso, eles podem ser utilizados em peças de computadores, peças de carregadores de celular, carcaças de televisores, entre outros aparelhos eletrônicos sujeitos à exposição ao calor gerado pelo próprio funcionamento da máquina.

Onde estão presentes

Como ressaltado anteriormente, é possível encontrar retardantes de chamas em quase tudo que nos cerca, desde fios até na espuma de travesseiros e colchões, passando por chips de computador, placas eletrônicas, televisores, micro-ondas, videogames, aspiradores de pó e outros eletrodomésticos, além de móveis e tecidos sintéticos.

Toxicidade

Os retardantes de chamas podem chegar ao meio ambiente por meio do descarte incorreto, seja durante a sua produção e utilização na indústria, ou feito pelo consumidor final. Além disso, a contaminação em seres humanos e animais se dá, principalmente, pela inalação de pequenas partículas que se desprendem dos objetos que possuem esses compostos químicos tóxicos e que geralmente estão misturados com a poeira doméstica.

O principal composto químico utilizado é o decaBDE que, ao contrário do pentaBDE e do octaBDE, não é tão danoso por si só. Mas quando entra em contato com a luz do sol, ele sofre uma conversão em seus congêneres mais tóxicos, o que o torna tão perigoso quanto eles. Portanto, é sempre importante estar atento a qualquer tipo de retardante.

Pesquisas descrevem diversos efeitos da exposição aos PBDEs. Em estudos feitos por pesquisadores da Universidade de Estocolmo, trabalhadores que atuam desmontando manualmente equipamentos eletrônicos oito horas por dia apresentaram concentração desse elemento no sangue 70 vezes maior em comparação aos trabalhadores não expostos diretamente.

Outro estudo realizado pela UC Riverside mostrou que os retardantes de chama encontrados em quase todas as casas americanas fazem com que camundongos dêem à luz filhos que se tornam diabéticos. Eles receberam PBDEs de suas mães enquanto estavam no útero e como bebês através do leite materno. Notavelmente, na idade adulta, muito depois da exposição aos produtos químicos, a prole feminina desenvolveu diabetes.

Os resultados indicam que produtos químicos no meio ambiente, como PBDEs, podem ser transferidos da mãe para o feto e a exposição a eles durante o período inicial de desenvolvimento é prejudicial à saúde. No entanto, a equipe de pesquisa acredita que futuros estudos longitudinais em humanos são necessários para determinar as consequências de longo prazo da exposição ao PBDE no início da vida.

Meio ambiente

Assim como acontece com outros tipos de poluentes orgânicos persistentes (POPs), os retardantes de chamas permanecem por muito tempo no ambiente. Eles podem ser encontrados nos mais diferentes lugares, como em fluidos biológicos humanos, em animais, na poeira doméstica e até nos alimentos. De acordo com o Institute of Ocean Science, já é registrada a presença de PBDEs nas camadas polares do globo.

Especificamente no caso do Brasil, os PBDEs podem ser eliminados junto com outros tipos de resíduos industriais, uma vez que não há uma legislação específica sobre o assunto. Tratando-se de sua presença nos eletrônicos, por ocasião da Política Nacional de Resíduos Sólidos, seus efeitos poderão ser reduzidos em razão da tendência dos eletroeletrônicos serem progressivamente descartados de maneira adequada.

Dados apresentados no 24th International Symposium on Halogenated Environmental Organic Pollutants and POPs, realizado na cidade de Berlim, apontam que 60% dos produtos que contém algum tipo de substância tóxica, incluindo os PBDEs, não são descartados da maneira correta. Dessa forma, não são reutilizados como fonte termodinâmica ou na produção de produtos reciclados.

O chorume produzido por esse tipo produto pode atingir e contaminar lençóis freáticos. Já a queima dos retardantes de chama bromados geram compostos extremamente tóxicos como os polibrominato dibenzo furanos (PBDFs) e os polibrominato dibenzo dioxinas (PBDDs).

O futuro

O constante crescimento da demanda por retardantes de chamas e a falta de legislação brasileira apontam para um prognóstico preocupante. Mesmo sendo difícil evitar o contato com esses compostos químicos, é importante tentar se manter longe deles. Assim, evite o uso de travesseiros ou colchões feitos de espumas de poliuretano e de roupas de tecido sintético. Além disso, mantenha distância de chips de computador e placas de produtos eletrônicos e faça o descarte apropriado de todos os produtos citados ao longo dessa matéria.



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