Oxibiodegradáveis: representante da indústria debate pontos polêmicos a respeito do material

Eduardo Von Roost é diretor da RES Brasil, especializada em aditivos e tecnologias no segmento de plásticos

d2w

Os oxibiodegradáveis são plásticos que, após receberem aditivos pró-degradantes, têm sua fragmentação facilitada por influência de oxigênio, luz, temperatura e umidade. Eles têm diversas aplicações e alguns modelos ficaram famosos por serem usados em sacolinhas (saiba mais a respeito na matéria "Plásticos oxibiodegradáveis: problema ou solução ambiental?").

O Portal eCycle entrevista o diretor da RES Brasil, Eduardo Van Roost para debater alguns pontos importantes relacionados à produção e ao consumo e descarte dos oxibiodegradáveis. A RES Brasil é especializada em aditivos e tecnologias no segmento de plásticos, representante exclusiva no Brasil da inglesa Symphony, fabricante do aditivo pró-degradante d2w™, elemento que determina as características de oxibiodegradabilidade aos plásticos usualmente utilizados em embalagens oxibiodegradáveis.

Portal eCycle: Em relação aos que sugerem que os plásticos oxibiodegradáveis após seu descarte transformam-se em microplásticos, o que o senhor teria a dizer a respeito?

Eduardo Van Roost: Plásticos oxibiodegradáveis d2w™ não viram “microplásticos“, pois quando degradam não são mais plásticos e sim material repleto de oxigênio que atrai a água e microrganismos para sua completa biodegradação. O que vira microplástico e atrai substâncias tóxicas, podendo adentrar nossa cadeia alimentar, são os plásticos comuns, os chamados verdes, de fonte renovável ou não. E também plásticos meramente fragmentáveis ao invés dos verdadeiros oxibiodegradáveis.

Pode-se crer que os chamados plásticos oxibiodegradáveis não deixam vestígios no meio ambiente após seu descarte?

Pode-se ter certeza disto. Plásticos oxibiodegradáveis d2w™ biodegradam como o prometido pois atendem normas internacionais e são certificados por isso, inclusive pela ABNT, em conformidade com a norma PE-308.01, acreditada pelo Inmetro. O que não biodegrada, polui e mata a vida selvagem quando incorretamente descartados são os plásticos convencionais, mesmo os ditos verdes originados do etanol da cana-de-açúcar, e os falsos biodegradáveis.

Quanto ao processo de biodegradação deste tipo de plástico, que fases são previstas nas normas para serem atendidas?

Em qualquer tipo de plástico verdadeiramente biodegradável, é preciso antes haver a degradação para posterior biodegradação. Não existe biodegradação sem uma inicial degradação em fragmentos, assim como acontece com uma simples folha de árvore caída. Após a degradação, seja por oxidação no caso dos oxibiodegradáveis, seja por hidrólise para o caso dos hidrobiodegradáveis, acontece a fase da biodegradação.

A última fase é a análise dos resíduos, comum para os dois tipos, para conferir que não sejam ecotóxicos.

Sobre a proveniência dos plásticos, quais as perspectivas para tais materiais em suas origens não renovável e renovável?

Plásticos podem ser feitos a partir de fontes renováveis ou fósseis. A produção de plásticos convencionais de fonte não renovável consome cerca de 3% de cada barril de petróleo. Mesmo se não existissem os plásticos derivados de petróleo e gás natural, ele – o petróleo - continuaria sendo extraído e consumido. Atualmente, não existe produção no mundo capaz de substituir plásticos de origem fóssil por plásticos de origem renovável.

O que determina a condição de oxibiodegradável nos plásticos classificados como tal seriam os aditivos pró-degradantes empregados. Na composição desses aditivos, sais metálicos, como manganês, ferro, cobalto, níquel ou outros são identificados?

Com mais de 15 anos de conhecimento na área, os sais metálicos de transição mais comuns usados em aditivos oxibiodegradáveis que conheço são: ferro, cobalto e manganês. Não sei do uso de níquel como agente pró-degradante e nunca vi um trabalho científico publicado relacionado a níquel. Se tiverem algum agradeceria se pudessem enviar.

Em relação à empresa que representam no Brasil, a Symphony, que aditivo pró-degradante comercializa e como se dá sua presença no mercado?

A Symphony Environmental é uma empresa pública do Reino Unido e com ações comercializadas nas bolsas de valores de Londres e Nova Iorque. Por conta disso, todos os seus atos são públicos e transparentes. Atua no segmento de aditivos e plásticos oxibiodegradáveis, com presença em embalagens de empresas sérias e reconhecidas em mais de 96 países distribuídos pelo mundo. Symphony produz e é proprietária da marca registrada d2w™, seu aditivo pró-degradante oxibiodegradável.

Em se tratando das certificações disponíveis no mercado, quais são atendidas pelos produtos que representa?

O d2w™ é certificado pela ABNT em conformidade com a norma PE-308.01, e também, em conformidade com as normas ASTM D6954-04 (norte-americana), BS 8472 (britânica), AFNOR T51-808 (francesa) e UAES 5009:2009 (Emirados Árabes Unidos), as quais contemplam um guia padrão de exposição e teste de plásticos que se degradam no meio ambiente por uma combinação de oxidação e biodegradação e ensaios de ecotoxicidade.

Comparativamente, existe alguma analogia entre plásticos compostáveis e oxibiodegradáveis?

Compostagem e biodegradabilidade são conceitos diferentes. Plásticos oxibiodegradáveis d2w™ não são vendidos como plásticos compostáveis, embora tenham cumprido a norma EN 13432 (as normas EN 13432 e ASTM D6400 são normas de plásticos compostáveis) ao biodegradar em 88,86% em apenas 121 dias. Plásticos compostáveis derivados de plantas não podem ser reciclados juntamente com os plásticos convencionais e exigem sua coleta em separado e envio para usinas de compostagem industrial para que atendam as normas de biodegradabilidade em ambiente de compostagem industrial. Já os plásticos oxibiodegradáveis podem e devem ser descartados juntamente com os plásticos convencionais para sua posterior reciclagem.

Alguns estudos acadêmicos envolvendo instituições como Universidade de São Paulo, Faculdade Assis Guzarcs, Universidade Federal de Santa Maria ou Universidade de Aston, em Birmingham, Reino Unido apontam questionamentos acerca da total biodegradação de objetos cuja composição se dá em plásticos oxibiodegradáveis. Qual posição da marca que representa a respeito?

O estudo da Universidade de São Paulo não foi feito com d2w™. Notificamos o autor e temos a resposta onde ele esclarece não ter realizado testes com plásticos oxibiodegradáveis disponíveis no mercado. Caso precisem da resposta é só solicitar. O trabalho descrito como da Faculdade Assis Gurcaz também não foi feito com d2w™. O trabalho descrito pela Universidade Federal de Santa Maria não seguiu as normas de ensaios dos plásticos oxibiodegradáveis (ASTM D-6954 ou BS 8472) e também não fez checagem prévia se as sacolas plásticas oxibiodegradáveis eram falsas ou verdadeiras. E o trabalho da Universidade de Aston em nada é contrário aos plásticos oxibiodegradáveis e é desenvolvido justamente para desenvolver ensaios para os plásticos oxibiodegradáveis e o autor Gerald Scott– já falecido – é conhecido internacionalmente como o pai dos plásticos oxibiodegradáveis.

Algumas entidades internacionais, dentre elas o Conselho de Bioplásticos da Sociedade Industrial de Plásticos (SPI), a Associação Europeia de Recicladores de Plásticos (EuPR), criticam os plásticos oxibiodegradáveis, questionando padrões, a efetiva biodegradação. Como enxerga tal posicionamento?

As entidades internacionais citadas não são especialistas em plásticos oxibiodegradáveis e representam os interesses comerciais dos plásticos compostáveis ou de fontes renováveis, e também os plásticos comuns, os quais competem comercialmente com os plásticos oxibiodegradáveis.

Os riscos associados ao petróleo são maiores que os riscos associados aos plásticos de origem renovável?

Não é por que vem da cana, milho ou de outra fonte renovável que este tipo de plástico é melhor que aquele originado do petróleo. Plantas que podem dar origem a plásticos têm impactos importantes relacionados ao seu cultivo. Desmatamento da área para plantio, erosão, uso de agrotóxicos, depleção, contaminação do ar, solo e águas por pesticidas e defensivos, consumo elevado de energia e água, entre tantos outros impactos reconhecidamente maiores que aqueles do plástico derivado de origem fóssil. Tudo isso para produzir um plástico não degradável, descartável e poluente enquanto o petróleo continua a ser extraído todos os dias para gerar energia e mover motores no mundo todo?

O plástico de amido é de origem renovável e é compostável?

Não. Plásticos que contêm amido também tem partes de sua composição formada por plásticos de origem fóssil. Para ser compostável o plástico deve atender aos prazos e percentuais de biodegradação previstos em normas de compostagem (exemplos: ASTM 6400 e EN 13432). Se um plástico não atender os quesitos, mesmo sendo derivado de amido ou de qualquer outra fonte renovável, não poderá ser rotulado como compostável.

Plástico biodegradável derivado de amido ou de outras fontes renováveis é biocompatível com o corpo humano?

De jeito nenhum. Biodegradabilidade não é a mesma coisa que biocompatibilidade. A biocompatibilidade com o corpo humano é ensaiada por outros métodos.

A biodegradabilidade anaeróbia do plástico PLA emite CO2?

Não. Toda biodegradabilidade na ausência de oxigênio vai gerar metano, gás cerca de 23 vezes mais potente como efeito estufa que o CO2.

Plástico verde, de fonte renovável, pode ser biodegradável?

Sim, com a adição do d2w™ e ainda manter as características de reciclabilidade.

A ABNTPE 308.01 prevê ensaios de compostagem?

Não, a norma ABNT assim como todas as outras relacionadas a plásticos oxibiodegradáveis preveem ensaios de degradação e biodegradação em ambiente aberto. Normas para plásticos compostáveis em usinas industriais de compostagem são diferentes das normas dos plásticos oxibiodegradáveis.

A opinião de Francisco Graziano contrária aos plásticos oxibiodegradáveis está correta?

O Sr. Graziano foi notificado pela RES Brasil a esclarecer sua opinião sobre dos plásticos oxibiodegradáveis e se estava a se referir ao d2w™. Respondeu dizendo desconhecer o d2w™ e suas certificações. Portanto, emitiu opinião irresponsável sobre assunto que desconhece por completo.

E sobre a declaração negativa sobre os plásticos oxibiodegradáveis emitida pela SPI Bioplastics?

Como eles podem alegar enganosas as certificações emitidas por entidades acreditadas baseadas em normas internacionais vigentes Certificações só não são enganosas quando se trata de bioplásticos, defendidos e representados por esta entidade? SPI Bioplastics representa os interesses dos quais os plásticos oxibiodegradáveis competem comercialmente.

Por que a ABIPLAST não recomenda a utilização dos aditivos oxibiodegradáveis?

Talvez pelo mesmo motivo que grandes fabricantes de plástico verde o façam. O surgimento da tecnologia oxibiodegradável ajudou a evidenciar ainda mais o quanto é plástico convencional ou verde são poluentes e danosos para a vida animal quando indevidamente descartados no meio ambiente aberto. Entidades ligadas a este tipo de plástico atacam o plástico oxibiodegradável citando os fenômenos que vão acontecer com seus próprios produtos plásticos convencionais: a degradação em milhões de microplásticos poluentes e sua consequente impossibilidade de reciclagem. Plásticos d2w™ não geram microplásticos, não atraem substâncias toxicas e podem ser reciclados tanto quanto os plásticos convencionais antes que a degradação tenha sido iniciada.

Com relação à reciclabilidade dos plásticos oxibiodegradáveis, estes apresentam algum risco ao serem reciclados em conjunto plásticos convencionais?

Plásticos oxibiodegradáveis d2w™ são reciclados junto com os plásticos convencionais no Brasil desde o ano de 2003 e no mundo desde meados da década de 90. Temos laudos e provas de recicladores profissionais atestando a reciclabilidade dos plásticos oxibiodegradáveis d2w™ sem qualquer prejuízo para o material reciclado. O que não é reciclável juntamente com o plástico convencional é plástico compostável de fontes renováveis. Mesmo que oxibiodegradável não fosse reciclável (mas é 100% reciclável), somente 12% do plástico no Brasil é reciclado. Ou seja, 88% do restante que jamais é reciclado seria 100% biodegradável, sem resíduos tóxicos, preservando o meio ambiente e a vida animal. Isso não é bom?

Mediante tudo que conversamos até o momento, que tipo de considerações teceria em apoio aos consumidores de seus produtos em perspectiva o princípio da precaução?

É nossa prática a precaução e responsabilidade. Por isso mesmo d2w™ cumpre normas de proteção ambiental que os plásticos comuns não cumprem. Esperamos que estas boas práticas sejam observadas por terceiros antes da publicação de quaisquer artigos artigo citando marcas sérias e reconhecidas por sua responsabilidade e compromisso com a verdade. Nosso produto d2w™ está disponível no mundo todo e é certificado, contando inclusive com Análise de Ciclo de Vida (ACV) sob norma ISO, que conclui serem os plásticos d2w™ 75% melhores que os plásticos convencionais e que os de origem renovável quando o descarte indevido no meio ambiente é uma possibilidade real. Nossos atributos estão amparados por laudos e ACV que permitem a rotulagem ambiental tipos I, II e III. Portanto, ao contrário dos plásticos convencionais, os plásticos d2w™ são ambientalmente certificados em conformidade com normas nacionais e internacionais. Falta de precaução e responsabilidade é ignorar os fatos e distorcer um problema que é dos plásticos convencionais ou de origem renovável como se fossem problemas dos plásticos oxibiodegradáveis. O que está sendo taxado, banido ou sofrendo restrições no mundo todos são os plásticos convencionais, mesmo os verdes, não degradáveis. Os plásticos oxibiodegradáveis certificados são aceitos e usados no mundo todo, principalmente onde os comuns são proibidos.

Mais informações sobre o d2w™ podem ser adquiridas no site da RES Brasil.


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