Os riscos dos metais pesados presentes em fertilizantes

Abuso de fertilizantes nas plantações pode prejudicar a saúde e o meio ambiente

O uso de fertilizantes, substâncias que suprem a deficiência de nutrientes em solos de plantações, pode até parecer boa num primeiro momento, já que intensifica a produção agrícola. Mas eles podem causar sérios problemas ao meio ambiente e aos seres humanos e estão sendo cada vez mais usados à medida em que as demandas por alimentos e agrotóxicos crescem.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e agricultura (FAO), a produção de alimentos tende a crescer junto com a população, que será de 9,3 bilhões em 2050. Para isso, o crescimento da produção agrícola mundial terá de ser de 70% (40% apenas do Brasil). E, bem provavelmente, o uso de fertilizantes se expandirá consideravelmente. Mas, afinal, quais são os problemas desses produtos?

Entre os principais riscos estão a degradação da qualidade do solo e a poluição das fontes de água e da atmosfera, que são causadas pela presença de substâncias tóxicas como metais pesados em fertilizantes. Eles também podem proporcionar sérios riscos aos seres humanos (para saber sobre outras consequências danosas dos fertilizantes, clique aqui).

Tipos e quantidades de metais pesados

Estudos indicam que certos metais pesados são essenciais para determinados ecossistemas, sendo benéficos para o desenvolvimento de algumas plantas. No entanto, outros metais pesados como arsênio (As), cádmio (Cd), chumbo (Pb),  mercúrio (Hg) e cromo (Cr) são tóxicos, mas mesmo assim estão presentes em diversos tipos de fertilizantes. Para amenizar a questão, há limites toleráveis de teores de concentrações que podem ser admitidas nesse tipo de produto.

Os limites variam de acordo com a legislação de cada país, o que demonstra orientações não uniformes no estabelecimento dessas normas e a necessidade de estudos mais aprofundados a respeito. No Brasil, os teores são determinados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), na Regulamentação de Insumos Agrícolas.

Riscos

Segundo pesquisas, sesses metais possuem propriedades de bioacumulação no meio ambiente, no tecido dos seres vivos e, posteriormente, se potencializam na cadeia alimentar. A bioacumulação faz com que concentrações normais se transformem em concentrações tóxicas ao se acumularem, proporcionando riscos à saúde em longo prazo - e isso pode chegar até nós por meio dos alimentos.

Esses metais pesados tóxicos contidos nos fertilizantes contaminam o ar, corpos hídricos, solos e os alimentos provenientes deles. Cada um tem um determinado efeito sobre o ser humano e pode variar de acordo com o tempo de exposição. O mercúrio ataca o sistema nervoso; chumbo e cádmio podem causar câncer (saiba mais aqui); arsênio se acumula no rim e no fígado e pode causar problemas em diversos órgãos - se houver exposição crônica, pode resultar em câncer devido a distúrbios vasculares; o cromo, em excesso, pode gerar efeitos colaterais como cansaço, perda de apetite, tendência a hematomas, náuseas, dores de cabeça, tonturas, alterações urinárias, sangramento nasal e reações cutâneas tipo urticária.

Mesmo com os reflexos que esses metais tóxicos originam, eles ainda são amplamente utilizados. Por isso, cabe à legislação fixar normas de inspeção, fiscalização, comércio e limites de concentração nos fertilizantes, pois seu uso indiscriminado pode contaminar grandes áreas por carreamento e dar prejuízo altos para a economia do país, como no caso da China, onde há altos teores de cádmio em plantações de arroz (veja mais sobre o caso aqui).

O que fazer?

Uma alternativa que se revelou extremamente eficaz é a descontaminação de solos, que contêm metais pesados tóxicos, por húmus (veja mais aqui). Mas para o consumidor, a melhor dica é preferir alimentos orgânicos, que não utilizam fertilizantes nem agrotóxicos em seu processo de produção.


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