O que é o desmatamento florestal? Entenda os impactos para o ecossistema e as principais causas

O desmatamento impacta de forma devastadora a biodiversidade, acentua inundações e intensifica o efeito estufa

desmatamento

Antes de definirmos e explicarmos o termo desmatamento florestal, precisamos saber: o que são as florestas?

As florestas são áreas que possuem uma alta densidade de árvores, em que as copas se tocam formando uma espécie de "teto" verde. Elas são fundamentais para a vida do ser humano. De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 1,6 bilhão de pessoas hoje ganha a vida em alguma atividade ligada às florestas, e cerca de 60 milhões de indígenas em todo o mundo dependem exclusivamente delas para sua subsistência, além de serem o habitat de muitas espécies de animais e plantas.

Agora, definindo o termo desmatamento florestal, que pode ser chamado também de desflorestação ou desflorestamento, podemos dizer que, segundo o dicionário, é o “ato que consiste na retirada de mato”, ou seja, a retirada total ou parcial das árvores, florestas e demais vegetações de uma determinada região. O desmatamento é um dos mais graves problemas ambientais da atualidade, pois além de devastar as florestas e os recursos naturais, compromete o equilíbrio do planeta em seus diversos elementos, incluindo os ecossistemas, afetando gravemente também a economia e a sociedade.

Causas

As causas do processo são diversas e, em sua maior parte, compostas por atividades humanas que provocam ou intensificam a ocorrência desse problema, como: expansão agropecuária (abertura de áreas para agricultura, pastoreio ou áreas rurais à espera de valorização financeira), atividade mineradora (áreas que são devastadas para a instalação de equipamentos e atividades de exploração de ouro, prata, bauxita - alumínio-, ferro, zinco, etc.), intensa e cada vez maior exploração dos recursos naturais devido à procura por matéria-prima, o crescente aumento da urbanização e aumento das queimadas, acidentais ou intencionais.

Impactos

As consequências e impactos gerados pelo desmatamento são devastadores. E a primeira afetada é a biodiversidade local, pois uma vez em que há a destruição das florestas, perde-se o habitat natural de muitas espécies, contribuindo para a morte de muitos animais e até mesmo a extinção dos tipos endêmicos, trazendo problemas para a cadeia alimentar e para os ecossistemas locais. Essa perda pode impactar até as atividades econômicas, como a caça e a pesca.

O desmatamento gera efeitos negativos também sobre a água e os solos. Como as florestas são responsáveis pela regulação de cerca de 57% das águas doces superficiais do mundo, elas contribuem fornecendo umidade para o ambiente. Ou seja, a retirada delas implica na alteração do equilíbrio climático de muitas regiões, isso sem falar na intensificação do efeito estufa. Além disso, elas melhoram a drenagem dos terrenos, e sua ausência intensifica os deslizamentos de terra em terrenos de forte inclinação, acentua as inundações, facilita a erosão do solo e a desertificação. Como consequência, há a privação dos solos de seus nutrientes, o que ocasiona o assoreamento de rios e lagos, pelo depósito da terra carregada nos seus leitos. O desmatamento é a principal causa da degradação dos solos.

O ser humano é outro que sofre as consequências das próprias ações, já que, como já dito, 1,6 bilhão de pessoas depende hoje, direta ou indiretamente, das atividades ligadas às florestas. O homem se priva não só de uma potencial produção contínua de madeira, como também de muitos outros produtos naturais valiosos, como frutos, amêndoas, fibras, resinas, óleos e substâncias medicinais, dos quais a humanidade depende para sua sobrevivência.

No Brasil, uma das maiores preocupações é com a Amazônia. Com seus 6,9 milhões de quilômetros quadrados, a floresta sofre com o desmatamento, que, desde 1970, já atingiu 18% de seu território, área que equivale aos territórios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O que fazer para mudar esse paradigma?

Por todos esses motivos, a ONU e outros organismos internacionais, bem como inúmeras entidades regionais, reconhecem e enfatizam, sumariamente, que a solução deve levar em conta fatores locais e globais num projeto multidisciplinar articulado em larga escala, e que deve envolver não só os cientistas, os governos, as empresas e as instituições, mas também, e principalmente, a população, por ser a origem e fim de todos os processos, através da educação e incentivos diversos para o esclarecimento a respeito dos benefícios gerados pelas florestas e para a mudança de formas de pensamento e hábitos de produção e consumo que levam ao desflorestamento.

As metas estabelecidas pelas Nações Unidas foram:

• Reverter a perda de cobertura florestal no mundo através de manejo sustentável, proteção, recomposição e reflorestamento, e reduzir a degradação florestal;

• Enfatizar os benefícios econômicos, sociais e ambientais gerados pelas florestas, e melhorar as condições de vida das populações dependentes delas;

• Ampliar significativamente a área mundial de florestas protegidas e das manejadas sustentavelmente, bem como incentivar o consumo de produtos florestais oriundos de florestas bem manejadas;

• Reverter o declínio na assistência oficial aos projetos sustentáveis e mobilizar recursos significativamente maiores para promover o manejo sustentável.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda ainda as seguintes estratégias principais para a conservação das florestas e seu bom manejo:

• Criar projetos de reflorestamento bem planejados e investir nos serviços ambientais;

• Promover projetos de desenvolvimento de pequena e média escala baseados nas florestas, especialmente para as populações mais pobres, as que dependem mais delas;

• Promover o uso da madeira como fonte de energia e reutilizar ou reciclar os produtos de madeira;

• Melhorar a comunicação e a cooperação internacional, incentivando a pesquisa e a educação ambiental, facilitando créditos e integrando os projetos florestais na macroeconomia.

Cerca de 31% da superfície terrestre do globo ainda é coberta por florestas em vários graus de conservação, com aproximadamente 22% delas ainda em condições intocadas, mas apesar da significativa cobertura sobrevivente, calcula-se que metade das florestas do mundo já tenha desaparecido, dado que precisamos reverter com urgência para o bem do planeta. Para lutar contra o desmatamento, você pode apoiar causas como o movimento Desmatamento Zero, consumir produtos de empresas com responsabilidade ambiental, propagar conhecimento sobre o assunto e estar atento aos posicionamento políticos relacionados a questões ambientais (tanto em termos de governantes, quanto em termos de ação).

Clique aqui e assista a um vídeo feito pelo Greenpeace sobre o movimento Desmatamento Zero!

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