Pedestrianismo: a caminhada como forma de conhecer o meio ambiente, recondicionar o físico e reduzir emissões

A arte de andar a pé. Dê passos rumo a um futuro mais saudável e sustentável

pedestrianismo

Você já parou pra pensar que todos somos pedestres? Independentemente de sua forma de locomoção favorita, todo trajeto começa e termina a pé.

Nós, seres humanos, temos corpos que evoluíram durante milhares de anos para a adaptação às atividades físicas que a vida selvagem nos demandava. Contudo, vivemos uma inversão curiosa... Desenvolvemos métodos e máquinas para que pudéssemos nos mover menos e com mais velocidade, tornando-nos mais e mais sedentários. Uma vida sedentária pode trazer diversas consequências negativas, como um regresso funcional, perda de flexibilidade articular, aumento da ocorrência de doenças como a hipertensão arterial, diabetes, obesidade, entre outras. É absurdo pensar que gradativamente estamos nos dissociando de uma atividade humana básica: andar.

Andar a pé é uma opção de locomoção agradável, saudável, barata, sustentável e eficiente (mesmo que muitas vezes não seja a mais rápida).

O que é pedestrianismo?

O pedestrianismo é o exercício que consiste em fazer grandes marchas a pé. A prática desportiva, competitiva ou não, é muito realizada em ambientes naturais.

Quando realizada na natureza, o pedestrianismo, a marcha de montanha ou a marcha nórdica (nordic walking) oferecem também os benefícios da atividade ao ar livre. Há interação e observação do meio, levando a conhecimento da fauna, flora e geologia do local. Tudo isso contribui para a sensibilização e promoção do repeito à natureza, resgatando valores como a biofilia. Além disso, estudos comprovam que o contato com a natureza promove vitalidadealivia o estresse, melhora o desempenho e o humor, e ameniza e diminui chances de desenvolvimento de doenças mentais.

A atividade é multifacetada: envolve esporte, turismo e ambientalismo. O pedestrianismo pode ser realizado em terrenos não sinalizados ou em itinerários definidos como grandes rotas, pequenas rotas ou percursos locais. Esses percursos pedestres são caminhos feitos normalmente em meios naturais e rurais, que em geral se encontram sinalizados com marcas e códigos internacionalmente aceitos.

A aventura não se encontra somente no desafio ou ultrapassagem de dificuldades, mas também no simples prazer de desfrutar o caminho em si. Seja em sua própria cidade, estado ou país, ou em um local distante, os percursos podem conduzir à paisagens de grande beleza, construções antigas e locais com costumes e tradições diferentes. Os percursos podem ter caráter recreativo, exploratório ou de aventura.

Os primeiros percursos de pedestres, provavelmente, surgiram em consequência do movimento migratório dos herbívoros. O homem os estabeleceu para diversos fins, como a procura de alimentos, peregrinações religiosas, comércio e guerra.

O pedestrianismo é comum em percursos tradicionais ou antigos, como caminhos indígenas ou medievais, estradas, locais de romaria etc. Ele auxilia no turismo e preservação da memória do local.

Pedestrianismo na cidade

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Mas, a caminhada também pode ser realizada em meios urbanos! O pedestrianismo pode ser feito em grupos, explorando pontos tradicionais, turísticos e históricos da cidade. Você pode entender o pedestrianismo também como caminhada ou corrida, pura e simplesmente.

O pedestrianismo é uma ótima atividade pra você que quer começar uma atividade física mas não tem muito condicionamento. Ele não envolve grandes dificuldades técnicas e pode ser praticado em todas as idades, sozinho, em família ou entre amigos.

O pedestrianismo é uma prática muito benéfica para sua saúde e para o planeta! Ao optar pela caminhada em deslocamentos do dia a dia, você contribui para a redução da emissão de gases nocivos, conhece melhor o bairro em que vive ou trabalha e de quebra ainda realiza uma atividade física. Andar também é uma ótima forma de escapar do estresse e sedentarismo: é um momento em que você pode entrar em contato consigo mesmo e refletir.

Uma boa ideia é aproveitar um dia menos apertado, com um intervalo maior no almoço por exemplo, e dar uma caminhada para conhecer atrativos da região (como museus, igrejas, praças ou monumentos). Muitas vezes passamos todos os dias na frente desses locais e nunca sequer entramos. Já parou pra pensar nisso? A caminhada diária pode se tornar menos monótona com algumas adaptações no trajeto, mesmo que isso o torne um pouco mais longo. É muito bacana descobrir jeitos de chegar aos destinos frequentes percorrendo regiões novas.

Contudo, nem sempre as ruas são um ambiente agradável para o passeio: calçadas precárias, falta de segurança e sinalização estão entre alguns problemas enfrentados pelos pedestres na hora de fazer sua caminhada diária. O conceito walkability (termo em inglês utilizado para definir a acessibilidade de um local para quem anda a pé; algo como andabilidade ou caminhabilidade) é muito interessante para entender essa questão do posto de vista urbanístico (saiba mais sobre walkability aqui).

Para que as cidades sejam mais humanas, democráticas, sustentáveis e menos excludentes elas devem ser projetadas para que andar seja fácil e agradável. Circular com conforto e segurança é um direito. Todos os pedestres, incluindo crianças, idosos, pessoas com dificuldades de locomoção ou visão, devem ter sua mobilidade na cidade garantida.

Iniciativas que incentivam o pedestrianismo

cidade ativa

Diversas organizações têm iniciativas bacanas relacionadas à essa questão: o movimento “pé-no-chão” veio para ficar. O projeto Como Anda listou até agora 78 movimentos pela mobilidade a pé em 16 estados do Brasil. Esses projetos são fundamentais para propagar a consciência de que a cidade é um espaço público que pode, e deve, ser aproveitado pela população. Os grupos promovem iniciativas de mobilidade a pé e buscam soluções para que as cidades se tornem mais acessíveis ao pedestre. As organizações atuam com informação, educação, mobilização e intervenção física do espaço.

A ONG Cidadeapé é uma dessas iniciativas. Ela busca estabelecer uma representatividade formal perante o poder público para defender as condições dos espaços da cidade para quem se desloca a pé.

Já o coletivo SampaPé desenvolve eventos e caminhadas culturais na cidade de São Paulo, confira a agenda aqui. Com o lema “Pedestres de Sampa, uni-vos!”, o coletivo criou um guia para ensinar como denunciar uma calçada perigosa.

Outra organização muito bacana é a Cidade Ativa. Ela elabora propostas de intervenções físicas através de projetos de arquitetura urbanismo e  formula diretrizes, estratégias e políticas que possam transformar espaços físicos e tornar o dia a dia nas cidades mais ativo. Os principais projetos da organização estão voltados para o mapeamento e melhoria das condições das escadarias de São Paulo.

Já o coletivo Urb-i possui uma galeria que mostra diversos exemplos de cidades com imagens do Google Street View antes e depois de intervenções urbanísticas. As imagens geram uma reflexão sobre as mudanças no espaço urbano e a relevância dessas medidas.

O programa Carona a pé surgiu em junho de 2015 e reúne a comunidade escolar que mora próxima a um colégio na região central da cidade de São Paulo para o trajeto de ida e/ou de volta da escola em pequenos grupos, em um horário pré-estabelecido, com rota determinada.

O pedestrianismo é uma atividade saudável e uma forma de transporte alternativo que auxilia na redução de emissões nocivas. Iniciativas que incentivam essa forma de mobilidade são uma ferramenta política para lutar por cidades mais sustentáveis e humanas.


Fonte: Cidade a péSampapéFAU - USP


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